Homem solto por juiz que viu ‘pouca quantidade’ em 250kg de cocaína é | G1
Fonte: g1.globo.com | Data: 27/04/2026 19:36:37
A decisão é o dia 1º de abril. Thiago Zumiotti da Silva está preso desde outubro de 2025, dois meses após ser solto na audiência de custódia.
Na decisão, a juíza Andrea Ribeiro Borges condenou Thiago Zumiotti da Silva por tráfico de drogas e desobediência. A pena total foi de 5 anos de reclusão em regime semiaberto pelo tráfico, e 15 dias de detenção em regime aberto pela desobediência. A TV TEM apurou que o Ministério Público considerou a pena branda e vai recorrer.
A juíza negou o pedido da defesa para aplicar o “tráfico privilegiado” (um redutor de pena para réus primários e sem ligação com organizações criminosas). Para ela, a “quantidade exorbitante” de droga e a “ousadia demonstrada na fuga” indicam que o réu era uma “peça fundamental em uma operação de transporte de drogas em larga escala” e não um traficante ocasional.
‘Equívoco’ do juiz e a soltura

Justiça considera ‘pequena quantidade’ e manda soltar homem preso com 200 kg de cocaína
A condenação ocorre meses após uma polêmica decisão inicial. Em agosto de 2025, logo após a prisão em flagrante, o juiz Marcelo Nalesso Salmaso concedeu liberdade provisória ao réu. Na decisão escrita, o magistrado justificou a soltura citando, entre outros pontos, a “pouca quantidade” de droga apreendida.
A justificativa para os quase 250 kg de cocaína causou grande repercussão. Dias depois, o próprio juiz admitiu ter havido um “equívoco”, explicando que usou um “texto-modelo” e que a frase não refletia sua fundamentação verbal. Apesar de corrigir o texto, ele manteve a soltura, que só foi revertida posteriormente pelo Tribunal de Justiça, após recurso do Ministério Público.
O caso começou com uma perseguição na Rodovia Castello Branco. Policiais militares receberam a informação de que um Hyundai Creta estaria transportando drogas e iniciaram um acompanhamento tático, que contou com o apoio de um helicóptero Águia.
Após cerca de 30 km de fuga em alta velocidade, de Porto Feliz a Itu, o motorista foi cercado e se rendeu. No carro, os policiais encontraram 244 tabletes de pasta base de cocaína, totalizando 243,1 kg. Em depoimento, o réu confessou que aceitou transportar a droga de Sorocaba a Campos do Jordão por R$ 3 mil, devido a dificuldades financeiras.
Durante o julgamento, a defesa e a acusação travaram um debate sobre o papel do réu no esquema:
- Defesa: Argumentou que Thiago era apenas uma “mula” do tráfico, uma pessoa vulnerável usada por criminosos maiores. Alegou que ele não sabia a quantidade exata de droga e que o benefício do “tráfico privilegiado” deveria ser aplicado.
- Ministério Público: sustentou que a enorme quantidade de droga e a logística envolvida provam que ele não era um simples transportador ocasional, mas uma “engrenagem importante” em uma organização criminosa, não merecendo o benefício.