Centro de pesquisa da USP busca novas soluções para descarbonização da indústria offshore – ESCOLA POLITÉCNICA
Fonte: poli.usp.br | Data: 27/04/2026 19:57:07
O docente ainda ressaltou que a indústria offshore terá um papel fundamental na transição energética brasileira, e que a integração entre as indústrias onshore e offshore traz a chance de alcançar a neutralidade de carbono. “O setor offshore pode se apresentar como solução para novos processos e novas operações. Seja a geração de energia renovável do oceano, seja o local para você guardar carbono emitido nas outras fontes produtivas que vêm do continente. […] O onshore brasileiro, com seus ativos e tecnologia madura, pode apresentar uma solução integrada com o setor offshore do Brasil. Só que isso requer uma visão que vai muito além de pesquisa e desenvolvimento e passa por um planejamento nacional de setores industriais. Por isso, fazendo a nossa parte, é que nós estamos construindo ou criando o offshore do amanhã”.
Antes de apresentar os cinco programas técnicos que estruturam o OTIC, Assi destacou que as tecnologias a serem desenvolvidas seguem duas diretrizes: Neutralidade de carbono e operações cada vez mais seguras. “Tudo que nós fazemos no OTIC está norteado por essas duas frentes. Cada vez produzir mais energia limpa e sempre de maneira segura”.
Os cinco programas são: Novos processos e operações, Transformação digital, Potência de baixo carbono, Materiais inovadores e novas tecnologias e Saúde, segurança e meio ambiente & Economia Circular.
Por fim, Assi destacou os principais objetivos do OTIC. O primeiro deles é produzir tecnologia inovadora. “Nós não queremos passar o pano em tecnologia existente, polir aquilo que já foi feito. Nós queremos, assim como diz T. von Karman (1881-1963), cientistas estudam o mundo como ele é, mas engenheiros criam o mundo que nunca existiu. Nós temos que fazer tecnologia nova. E essa é a função primordial do engenheiro”.
O segundo objetivo é a transferência de tecnologia. “A universidade não é uma empresa e não pode funcionar como uma empresa. A universidade precisa transferir a sua tecnologia para os setores produtivos de serviços e produtos da sociedade. Nós precisamos de empresas parceiras que entram no Centro desde o início dos projetos, e também aproveitar ecossistemas de inovação com spin-offs e startups e licenciamento da tecnologia para que essa tecnologia esteja pronta para ser utilizada.
A difusão do conhecimento gerado é o terceiro aspecto, que vem da essência da FAPESP, que a trata como primordial. “E nós dizemos que o engajamento com a sociedade vai muito além do tempo do artigo publicado. Nós precisamos usar a credencial da universidade para falar com a sociedade, seja nas suas linguagens ou traduções necessárias, para conseguir fazer uma boa difusão do conhecimento gerado”.
O quarto objetivo é trabalhar bem com a percepção e a apropriação social da tecnologia. “Nós vivemos num tempo onde algumas pessoas podem virar o rosto ou fechar os olhos para realidades, ou fatos que acertam. Nós precisamos tomar a credencial da universidade também para levar ações formativas para a atual geração. A universidade, junto com essa parceria de indústria e governo, tem que dizer e usar a sua voz para, além de medir, também imprimir uma boa percepção social da tecnologia que nós fazemos”.
Por fim, o líder do OTIC destacou a importância da atuação política para permitir que as estratégias transcendam governos. “Esse liga e desliga de estratégias tecnológicas faz o Brasil chegar a lugar nenhum. Precisamos de estratégias que mirem os desafios reais da nação e a credencial da universidade precisa também ser bem utilizada com os formadores e gestores de políticas públicas. Nós precisamos ter voz quando o assunto é tecnologia, transição energética, indústria offshore”, concluiu.
Os participantes do evento puderam, também, conhecer quatro novos laboratórios inaugurados. O NAVE – Navigation, Augmented & Virtual Environments Lab, coordenado pelo professor Thiago Martins (Poli), o COSMOS – Center for Systems Operations and Multipurpose Simulation, coordenado pelo Marcelo R. Martins (Poli), o SPOT Lab – SOcial perception of Technology, coordenado pelo professor Gustavo Assi (Poli), e o Digital Ocean Laboratory, coordenado pelo professor Rubens Lopes, do Instituto Oceanográfico.
Confira outras informações sobre o Centro na página https://sites.usp.br/otic/
Autoridades participantes – Participaram da solenidade a diretora da Escola Politécnica da USP, professora Anna Helena Reali Costa, o reitor da USP, professor Aluísio Augusto Cotrim Segurado, a vice-reitora da Universidade de São Paulo, professora Liedi Légi Bariani Bernucci, o diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, Anderson Ribeiro Correia, o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, Carlos Frederico de Oliveira Graeff, o Capitão de Mar e Guerra, engenheiro da Naval, Reinaldo de Melo Maeda, representando o comandante do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, Vice-Almirante (EN) Celso Mizutani Koga, e a diretora de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil Petróleo, Manuela Lopes, além do professor Gustavo Roque da Silva Assi, diretor-executivo do OTIC. Estiveram presentes, também, o vice-diretor da Poli, Gilberto Francisco Martha de Souza, e o ex-diretor da Poli, Reinaldo Giudici.
Em suas palavras, a diretora da Poli, Anna Reali, destacou o sucesso da iniciativa na missão de produzir e difundir conhecimento, inovação e desenvolvimento. “O lema é ‘Criando o Offshore de Amanhã’, e isso me enche de orgulho e de satisfação, porque, na verdade, esse é de fato o DNA da Poli. Engenharia científica e tecnológica, inovadora, com consciência ética e responsabilidade ambiental e social. Então, é essa engenharia que a gente quer, essa engenharia que a gente difunde aqui”, finalizou a dirigente.
Confira aqui a repercussão do lançamento no Jornal da USP – https://jornal.usp.br/institucional/pesquisas-de-ponta-em-transicao-energetica-ganham-novos-laboratorios-e-simuladores/