Serpro já utiliza fontes limpas e economiza R$ 4 milhões em 2026 ao mudar forma de comprar energia
Fonte: serpro.gov.br | Data: 27/04/2026 21:10:30
Migração para o mercado livre reduz custos e emissões, enquanto empresa avança na produção própria de energia
O Serpro mudou a forma como compra e produz energia para reduzir gastos e emissões. Desde abril, seis prédios da empresa localizados em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador passaram a operar com energia de fontes renováveis. A medida gera uma economia de cerca de R$ 4 milhões em 2026 e pode chegar a R$ 8 milhões por ano com a conclusão da migração de todos os seus 10 prédios.
Além de reduzir a conta de energia, a iniciativa também tem impacto ambiental. A empresa estima uma queda de aproximadamente 55% nas emissões de gases de efeito estufa associadas ao consumo de eletricidade.
Mudança no modelo de contratação
A economia vem da migração para o chamado mercado livre de energia, no qual grandes consumidores negociam diretamente com fornecedores, definindo preço, prazo e origem da energia contratada. “A migração para o mercado livre reduz a exposição a oscilações na tarifa de energia e dá mais controle sobre os gastos”, explica Osmar Quirino, diretor de Administração e Finanças do Serpro.
Na prática, o Serpro agora pode fugir das variações tarifárias do modelo tradicional, como as bandeiras tarifárias, consumos na ponta e fora da ponta, além das revisões de tarifa das distribuidoras, o que dá mais estabilidade aos gastos. Dentro do mercado livre, a empresa optou por contratar energia de fontes renováveis, como eólica, solar e biomassa, com certificação que comprova sua origem.
Além das seis regionais já operando nesse modelo, Curitiba e Sede (segundo prédio em Brasília) devem migrar em junho, e até setembro, Fortaleza e Recife.
Impacto direto no gasto público
Com a mudança, o Serpro estima uma redução média de 23% nos custos com energia, podendo chegar a 33% ao final do contrato. A economia resulta da combinação de fatores como negociação direta com fornecedores, eliminação de encargos variáveis e incentivos para uso de fontes alternativas.
Para entender o impacto na prática, o prédio da regional de São Paulo consume cerca de 890 MWh de energia por mês no modelo tradicional, com um custo médio de aproximadamente R$ 577 mil reais. Com a migração para o mercado livre, esse valor passa para cerca de R$ 467 mil reais mensais, uma redução de aproximadamente 19%. Em termos anuais, a economia estimada para 2026, considerando o início da migração em abril, chega a cerca de R$ 1.030.652.
Para Osmar Quirino, essa experiência do Serpro pode e deve servir de modelo para outras instituições públicas. “Compartilharemos aprendizados operacionais e contratuais para ampliar o impacto no setor. Nossa transição mostra que, com planejamento e contratação adequada, o mercado livre pode ser adotado por órgãos públicos para reduzir custos e emissões”, avalia.
Transição exige planejamento e adaptação
A mudança, no entanto, não é automática nem isenta de desafios. Diferentemente do modelo tradicional, o mercado livre exige que a empresa estime com precisão o volume de energia que vai consumir. Erros nessa previsão podem gerar custos adicionais.
Além disso, a migração demandou adaptações na infraestrutura elétrica das unidades, como ajustes em subestações, troca de medidores e reforço em sistemas de proteção. Processos internos também estão sendo revistos, especialmente na área tributária e de controle de consumo, que segue evoluindo para modelos mais automatizados.
Próximo passo é produzir a própria energia
Paralelamente à migração, o Serpro iniciou o processo para instalar usinas fotovoltaicas em quatro regionais ainda este ano (Fortaleza, Recife, Salvador e Belo Horizonte) e com o planejamento de mais 5 localidades para 2027 (Sede, Regional Brasília, Porto Alegre, Curitiba e São Paulo), que ficaram para uma segunda etapa por envolverem obras de adaptação. “O investimento estimado é de cerca de R$ 22 milhões, e seguimos avaliando novas iniciativas com foco em redução de emissões e otimização de custos”, anuncia Elayne Caroline Rosa Dal Col, superintendente de Logística da empresa.
De acordo com ela, a expectativa é que essas unidades passem a produzir entre 30% e 85% da energia que consomem, com redução de até 60% nos gastos com eletricidade nessas localidades. O retorno do investimento está projetado em aproximadamente cinco anos.
Avanço na agenda ambiental
Para Valéria Lemos Silva, coordenadora do Projeto Estratégico Ser ESG, esse trabalho contribui para o avanço do Serpro em critérios ambientais e de governança. A empresa foi classificada no nível gerencial (E3) de maturidade em práticas ESG, o que indica que já estruturou processos para mitigar riscos e melhorar a eficiência, mas ainda tem espaço para avançar na integração dessas práticas à estratégia de longo prazo.
“A expectativa é que a combinação entre contratação de energia limpa e geração própria contribua para elevar esse nível nos próximos ciclos de avaliação, além de atender a padrões nacionais de sustentabilidade, como os definidos na Prática Recomendada ABNT PR 2030”, completa a coordenadora.