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Celina Leão apela a Lula para salvar BRB por negócios com Master no governo dela e de Ibaneis

Fonte: otempo.com.br | Data: 28/04/2026 12:29:42

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BRASÍLIA – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), formalizou nesta terça-feira (28/4) pedido ao governo federal para que o Tesouro Nacional garanta a operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para socorrer o Banco de Brasília (BRB) por causa dos prejuízos bilionários em negócios com o Master.

Para o empréstimo, Celina dará como garantia imóveis públicos do governo do Distrito Federal, conforme lei elaborada pelo seu antecessor, Ibaneis Rocha (MDB), aprovada pela Câmara Legislativa do DF. Celina era vice de Ibaneis, que deixou o cargo há um mês para concorrer ao Senado – a legislação exige a renúncia do mandatário.

Leia mais: Ex-presidente do BRB confirma intenção de delação no caso Master

Já Celina será candidata a governadora, mas, como era vice, pode ficar à frente do poder executivo local. Ela tem o apoio da família Bolsonaro e conta com os discursos anti-lulista e anti-corrupção para vencer o pleito.

Celina, que nunca se opôs a qualquer negócio do BRB e participou de muitos eventos públicos e privados bancados pela instituição, diz que nada sabia da administração do banco, apesar de ter sido a vice de Ibaneis desde janeiro de 2019. 

Veja também: PGR analisa pedido de investigação e bloqueio de bens de Ibaneis por transações do BRB com Master

A governadora disse nesta terça-feira que também pediu uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar do socorro ao BRB. É uma mudança de postura brusca da governadora, que, na condição de opositora, vinha atacando abertamente o governo federal, assim como fazia Ibaneis – ele atacou deputados do PT por serem contra as transações do BRB com o Master.

No início de abril, a governadora se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, para tratar da crise do BRB. Depois, ela afirmou que não viu “boa vontade” por parte do governo federal em ajudar o banco público. Mais recentemente, chegou a dizer que a impressão que passa é que o governo federal quer ver o banco quebrar. 

“Todos os bancos privados têm sentado, têm negociado com o BRB. Os únicos bancos que não têm negociado com o BRB são a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. A impressão que se passa por parte do governo federal é de que a vontade dele é que o banco do Distrito Federal quebre mesmo, independentemente de responsabilidade de quem quer que seja”, disse Celina em entrevista à CNN. 

Quanto aos banco privados que estariam dispostos a ajudar o BRB, Celina nunca deu os nomes. Ela também nada fala de Ibaneis e seus possíveis envolvimento nas negociações mal sucedidas do BRB com o Master, enquanto quer dinheiro de bancos públicos federais para socorrer o banco estatal de Brasília por um problema oriundo por negócios malfeitos na gestão da qual ela fazia parte.

Celina e a nova gestão do BRB também fazem apelos por empréstimos bilionários sem que o banco público sequer mostre o tamanho do seu rombo. A instituição tem atrasado, há um ano, a divulgação dos seus balanços trimestrais, sob risco de sanções que podem levar à interdição e até à liquidação pelo BC, como aconteceu com o Master

Celina agora diz que tem certeza que será atendida por Lula

A governadora falou do possível encontro com Lula em evento público na manhã desta terça-feira. “Cabe a mim como governadora encaminhar o ofício e pedir uma audiência para discutir a situação. É um gesto formal, mas a gente espera que seja acatado também pelo presidente. Até pela formalização, porque tudo está sendo seguido conforme aquilo que nós havíamos encaminhado para o Banco Central. Eu tenho certeza que nós seremos atendidos”, afirmou Celina.

Na provável reunião com Lula, a governadora deve alegar que se o BRB quebrar haverá risco ao sistema financeiro do país com outras instituições impactadas. Também vai argumentar que o BRB opera todos os programas sociais do DF, além da bilhetagem do sistema de transporte público. Por outro lado, Celina nega a possibilidade de privatização.

O BRB precisa apresentar até 29 de maio um planejamento para aportar R$ 8 bilhões, conforme aprovado pelo Conselho de Administração do banco. Auditoria contratada pela nova gestão do BRB apontou que R$ 13,3 bilhões das carteiras adquiridas do Master eram “total ou majoritariamente desprovidos de lastro” – sem valor algum.  

Escândalo do Master veio à tona com transação do BRB

Essas transações foram frutos de crime, conforme investigações da Polícia Federal (PF), que resultaram na Operação Compliance Zero e no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que depois acabou preso, assim como Daniel Vorcaro e outros executivos do Master e do banco público.

Costa esteve à frente do BRB de janeiro de 2019 até novembro de 2025, quando foi afastado por decisão judicial, na primeira fase da Compliance Zero. Ele conduziu a tentativa de compra do Master pela instituição. O negócio foi anunciado em 28 de março de 2025, sendo defendido pelo então governador Ibaneis Rocha, que nomeou Costa presidente do BRB.

Ibaneis exaltou a suposta grandeza da instituição de Vorcaro. Disse que com os ativos e clientela dela o BRB viraria um banco nacional. Na época, o Master tentava vender seus ativos restantes para outras instituições.  Já havia claros sinais das dificuldades financeiras do banco de Vorcaro, além de fortes suspeitas de fraudes. 

A transação com o BRB marcou o início do escândalo do Master. O BC desfez o negócio festejado por Ibaneis. Já com o escândalo do Master no noticiário, soube-se que o escritório de advocacia de Ibaneis firmou um contrato de R$ 38,1 milhões, em maio de 2024, com o Reag, um fundo de investimentos do Master investigado pela PF por participação no esquema do banco de Vorcaro e até lavar dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ex-presidente do BRB oficializa desejo de delação premiada

Paulo Henrique Costa manifestou oficialmente, nesta terça-feira, o desejo de delação premiada. A defesa do ex-executivo encaminhou ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), documento relatando o interesse do cliente. 

“O requerente (Costa) sinalizou interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada”, escreveram os advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino. 

Eles disseram que a delação “depende da convergência de alguns fatores” e pediram para Costa ser ouvido pela Procuradoria Geral da República (PGR) para que a garantia de “de forma plena, seu direito à autodefesa”.

Os advogados também pedem para Costa ser transferido do Complexo Penitenciário da Papuda para a Superintendência da PF, em Brasília, onde, segundo eles, seria o ambiente mais propício para a delação.

O ex-presidente do BRB foi preso em 16 de abril, na mais recente fase da Operação Compliance Zero, que apura uma série de crimes financeiros, incluindo as transações do Master com o BRB. 

Costa é acusado de receber propinas para permitir negócios com o Master que deram prejuízos bilionários ao banco estatal, agora em grave crise financeira.

Investigadores esperam que Costa fale sobre o envolvimento de políticos com as negociações para compra de papéis podres do Master, além da aquisição de parte do banco de Vorcaro.