Delação no BRB pode abrir o cofre do Master
Fonte: esmaelmorais.com.br | Data: 28/04/2026 17:52:54
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, pediu para sair da Papuda e ir para a Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, para tratar de uma possível colaboração premiada no caso Banco Master. Colaboração premiada é delação: o investigado entrega informações e provas em troca de eventual benefício legal.
A defesa levou o pedido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da investigação. Costa está preso desde 16 de abril, segundo o Blog do Esmael, e seus advogados alegam que a Papuda não garante sigilo para conversas com a defesa.
Se a delação avançar, o caso sobe de patamar.
A investigação deixa de mirar apenas atos isolados e pode alcançar a engrenagem que aproximou o BRB do Banco Master, incluindo carteiras de crédito, fundos, operadores financeiros e decisões públicas que sustentaram negócios bilionários.
Documentos da investigação apontam a negociação de seis imóveis, avaliados em R$ 146,5 milhões, que seriam parte de supostas propinas ao ex-presidente do BRB. A apuração também indica suspeita de operações sem garantia e desrespeito a práticas de governança, expressão técnica que significa regras internas de controle e segurança bancária.
A possibilidade de colaboração acendeu alerta nas defesas dos demais envolvidos. A leitura é direta: Costa pode detalhar como teria funcionado a compra de carteiras fraudulentas do Master pelo BRB e dizer se atuou sozinho ou com aval de superiores.
Esse é o ponto sensível.
O BRB não é um banco qualquer. É uma instituição controlada pelo governo do Distrito Federal, com peso político, acesso a decisões públicas e presença em negócios que movimentam dinheiro de correntistas, investidores e fundos.
Em 22 de abril, acionistas do BRB aprovaram aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para reforçar o banco após operações ligadas ao Master. Aprovou também acordo com a Quadra Capital para estruturar um fundo de R$ 15 bilhões destinado a administrar ativos problemáticos vinculados ao Master.
O tamanho dos números explica a tensão em Brasília.
Uma delação de Costa pode abrir caminho para perguntas que o sistema financeiro costuma tentar responder em linguagem técnica: quem autorizou, quem ganhou, quem sabia, quem fechou os olhos e quem bancou o risco.
O Banco Central (BC), que deveria vigiar o setor, também passa a ficar no centro da pressão. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já tem ida prevista à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado em 5 de maio, com o caso Master no radar político.
O caso Master deixou de ser um problema de bastidor bancário. A possível delação do ex-presidente do BRB pode transformar uma investigação financeira em crise política, com efeito direto sobre Brasília, fundos de investimento e o debate sobre quem fiscalizou tarde demais.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.