De Roraima para o Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro: ‘A Pele do Ouro’ é indicado em 2026
Fonte: folhabv.com.br | Data: 29/04/2026 15:02:39

Filmado em Roraima, o curta ‘A Pele do Ouro” é indicado ao Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro 2026, na categoria de Melhor Curta-Metragem Documentário.
“A Pele do Ouro” aborda o difícil tema da exploração sexual nos garimpos da Amazônia a partir das memórias escritas por Patri em seus diários íntimos. Dirigido por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo, com produção da Platô Filmes, o documentário constrói uma narrativa em que Patri é mais do que protagonista: ela escreve, narra e interpreta a própria história.
Os caminhos narrativos foram definidos em conjunto com Patri, em um processo de escuta e criação compartilhada, que buscou as formas e a estética mais adequadas para retratar as múltiplas feridas deixadas pelo garimpo: em seu corpo, em sua trajetória, na floresta.
Organizado pela Academia Brasileira de Cinema, o prêmio é considerado o principal reconhecimento do cinema nacional, celebrando anualmente os melhores filmes e destacando a excelência dos profissionais em diversas áreas da indústria audiovisual.
A premiação é concedida anualmente com o intuito de reconhecer os melhores filmes e destacar a excelência dos profissionais em diversas especialidades da indústria cinematográfica nacional. Na edição anterior, em 2025, o grande destaque foi o longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, vencedor de 13 categorias.
Os indicados participam do primeiro turno de votação, exclusivo para membros da Academia, que selecionam os cinco finalistas de cada categoria. Os escolhidos concorrem ao Troféu Grande Otelo em cerimônia prevista para agosto de 2026, no Rio de Janeiro.
Como parte da etapa inicial da premiação, todos os curtas concorrentes ficam disponíveis gratuitamente na plataforma Porta Curtas até o dia 22 de maio, por meio do link
O público pode assistir às obras e avaliá-las por meio de pontuação, o que contribui para ampliar a visibilidade dos filmes junto aos jurados oficiais.
“A Pele do Ouro” estreou no 58 º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde conquistou os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Fotografia. Desde então, segue em circulação por festivais, tendo participado do 35º Festival Curta Cinema, no Rio de Janeiro, onde recebeu o Prêmio Canal Curta. O filme também integrou a 2ª Mostra Pan-Amazônica de Cinema, em Belém, e a 6ª Semana do Audiovisual do Canoa Cultural, em Boa Vista. Sua próxima exibição será na 11ª edição do Amazônia FiDOC, que acontece em Belém de 28 de abril a 6 de maio de 2026.
Sobre as diretoras:
Marcela Ulhoa é jornalista e pesquisadora com foco em migração e gênero, formada em comunicação social pela UnB e com mestrado em literatura pela UFRR. Nos últimos dez anos tem se dedicado às narrativas e ao trabalho na região amazônica. Dirigiu o longa documental Aqui en La Frontera (2022), em co-direção com Daniel Tancredi, selecionado para festivais como Festival do Rio, Ecofalante, Forumdoc.BH e Cinéma de Femmes d’Amérique du Sud (França). Foi coordenadora de produção de Filhos de Macunaíma (2018), de Miguel Antunes Ramos, e atuou na pesquisa de personagem e produção local no norte do Brasil para o filme Woman (2019), de Yann Arthus-Bertrand e Anastasia Mikova.
Yare Perdomo é licenciada em audiovisual pela Universidade de Mérida, Venezuela. Com mais de 8 anos de experiência, trabalha com direção, montagem e fotografia, com foco em narrativas documentais e sociais e projetos de comunicação voltados para jovens. Montadora de “Rabiola” (2023), de Thiago Briglia, vencedor de três prêmios no 4º Festival Olhar do Norte. Assistente de direção em “Aqui en la Frontera” (2022), também foi diretora de fotografia e montadora de “O Chocalheiro” (2025), de Vanessa e Leonardo Brandão.
Sobre a produtora:
Platô Filmes, produtora roraimense, atua com obras amazônicas de ficção, documentário e animação, com foco em temáticas indígenas, ambientais e de migração. Produziu os longas “Por onde anda Makunaíma?” (2020), premiado no 53ºFestival de Brasília e no 25º Inffinito Brazilian Film Festival (Miami); “Aqui en La Frontera” (2022) e “Ninho Tinto” (2025, em finalização). Assina curtas premiados como Rabiola (2021) e possui braço educacional pela Escola Livre de Cinema da Amazônia.