Malas no raio-x: entenda investigação da PF que cita Hugo e Ciro Nogueira
Fonte: cnnbrasil.com.br | Data: 29/04/2026 16:26:14
O envio da investigação da PF (Polícia Federal) ao STF (Supremo Tribunal Federal) com nomes do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas, foi realizado para evitar possíveis nulidades no processo por conta do foro privilegiado.
O inquérito investiga os crimes de descaminho ou contrabando em um voo realizado em uma aeronave particular do empresário Fernando Oliveira de Lima, investigado na CPI das Bets do Senado.
A aeronave, que pertence a Fernando, partiu da ilha de São Martinho, no Caribe, e pousou no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), e sete bagagens passaram sem o devido controle. A ilha de São Martinho é conhecida por ser um paraíso fiscal.
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Em nota, Hugo Motta disse que “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” e que aguardará a manifestação da Procuradoria Geral da República. Ciro ainda não se manifestou.
Imagens das câmeras do circuito de segurança do terminal, que constam no inquérito da PF, mostram como as bagagens entraram no Brasil sem fiscalização, sem passar pelo raio-x, como é a regra.
Segundo o inquérito, nesta data o procedimento no local seguiu o padrão até 21h35. Todas as bagagens dos cerca de 20 passageiros passaram pelo raio-x.
Nove minutos depois, porém, o piloto retorna ao ponto de fiscalização com mais volumes. As imagens mostram que ele utiliza um carrinho e contorna o pórtico do detector de metais por fora. Segundo a PF, nenhum desses volumes adicionais foi submetido ao raio-x.
Demais parlamentares
Além de Hugo e Ciro, a PF detalha que outros parlamentares voaram no mesmo avião: os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Os parlamentares ainda não se manifestaram.
“Consta nos autos que, em 20 de abril de 2024, por volta das 21h00, no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, situado em São Roque/SP, o Auditor Fiscal MARCO ANTÔNIO CANELLA permitiu que JOSÉ JORGE DE OLIVEIRA JÚNIOR, tripulante de aeronave proveniente da ilha caribenha de São Martinho, passasse com cinco volumes por fora do equipamento de Raio-X”, detalha a investigação enviada ao STF.
A PF também detalha que “no curso das investigações policiais, foi efetuado o cruzamento das datas de desembarque de José Jorge no aeroporto com as datas em que Marco Antônio atuou na respectiva alfândega. Posteriormente, foi obtida a lista de passageiros do voo, na qual foram identificados nomes de deputados federais e de senador”.
O ministro Alexandre de Moraes enviou o caso para apreciação da PGR (Procuradoria-Geral da República) em até cinco dias.
A CNN tenta contato com os citados, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.
*Colaboraram Gabriela Boechat e Gustavo Uribe