Família cria campanha em memória de jovem morta em acidente em BH
Fonte: em.com.br | Data: 29/04/2026 17:12:48
Para manter viva a essência da estagiária de jornalismo Brunna Ribeiro de Castro Rosas, que completaria 23 anos em 14 de maio, a família da estudante morta em um acidente de trânsito em Belo Horizonte decidiu transformar a data em um gesto de amor ao próximo criando uma campanha solidária em apoio a crianças com paralisia cerebral.
Descrita por familiares e amigos como alegre, querida e generosa, a escolha pela solidariedade representa a essência de Brunna, que sempre cultivou o amor ao próximo.
Creche Tia Dolores beneficiada; veja como doar
As doações podem ser feitas por meio de Pix através da chave 00641541000107, em nome da Creche Tia Dolores. Para identificar os depósitos, a família pede que os valores enviados terminem em R$ ,05. Arrecadação de itens essenciais também fazem parte da campanha.
Segundo a família, toda ajuda é bem-vinda e representa uma forma de espalhar o amor que Brunna deixou como legado.
A jovem era estudante de jornalismo na PUC Minas e estagiária da TV Record havia dois anos.
Ela cursava o oitavo período de jornalismo na unidade São Gabriel e entregaria o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no fim de 2025. A formatura estava prevista para janeiro deste ano.
Relembre o acidente
O caso ocorreu na noite de 7 de setembro de 2025, por volta das 22h45, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, na esquina com a Rua Rio Verde, no Bairro Sion, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
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Segundo as investigações, o namorado da jovem, o estudante de administração Gabriel de Faria Oliveira Carvalho, de 26 anos, conduzia um Chevrolet Onix, levando como passageiros Brunna e Gustavo Lucas Pereira de Assis, após todos participarem de um evento no Night Market Rooftop, no Bairro Estoril, onde os três teriam consumido bebidas alcoólicas por várias horas, de acordo com a polícia
Conforme aponta a polícia, durante o trajeto, Gabriel passou a dirigir em velocidade incompatível com a via, o que comprometeu a segurança da condução. Em determinado momento, o jovem perdeu o controle da direção do veículo e bateu de frente contra um semáforo. Com o impacto, o equipamento foi arrancado de sua base, provocando a rotação do veículo, que acabou imobilizado sobre a calçada.
Com a colisão, o carro começou a pegar fogo. Gustavo conseguiu sair do carro e, ao perceber um princípio de incêndio, gritou para que a Brunna e Gabriel saíssem do automóvel. No entanto, ao tentar deixar o veículo, os dois sofreram descarga elétrica.
Uma pessoa que passava pelo local conseguiu retirar ambos do veículo e acionou o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O médico do Samu confirmou a morte de Brunna ainda no local do acidente e o corpo dela foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal (IML) da capital.
O exame de necropsia apontou que a causa da morte de Brunna foi eletrocussão por eletricidade artificial de alta voltagem, consequência direta da energização do veículo após a colisão com o poste.
Gustavo sofreu lesões no cotovelo esquerdo. Os dois foram socorridos e encaminhados ao Hospital João XXIII. Gabriel ficou gravemente ferido e permaneceu por 23 dias em estado crítico no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do pronto-socorro. Após apresentar melhora, ele foi transferido para a enfermaria. Durante o tratamento, passou por cirurgias de amputação e enxerto no couro cabeludo em decorrência das queimaduras.
Namorado vira réu
Gabriel virou réu por homicídio culposo e lesão corporal culposa em decisão divulgada em 7 de abril. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o jovem dirigia sob efeito de álcool, perdeu o controle do carro, colidiu contra um poste e provocou um acidente que causou a morte de Brunna e deixou Gustavo ferido.
O MP sustenta que Gabriel agiu com imprudência e negligência ao dirigir sob influência de álcool e em velocidade incompatível, violando o dever objetivo de cuidado exigido no trânsito. Esses fatores, segundo o órgão, foram determinantes para a perda de controle do veículo e, consequentemente, no acidente que levou à morte de Brunna e nas lesões corporais sofridas por Gustavo.
Segundo a acusação, os crimes estão comprovados por documentos como o boletim de ocorrência, o laudo de necropsia, o exame de corpo de delito indireto, o levantamento pericial no local do acidente, além de imagens e registros de consumo no evento em que os envolvidos estavam antes da colisão.
Com o recebimento da denúncia, Gabriel passa à condição de réu em ação penal que tramita sob o rito do procedimento sumário, cuja pena máxima não ultrapassa 4 anos.
Procurado pela reportagem, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que a data da audiência ainda não foi marcada e o caso não foi analisado.
Já a defesa de Gabriel de Faria Oliveira Carvalho, informou que não irá se manifestar sobre o caso, segundo a advogada Jamilla Monteiro Sarkis.
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* Estagiária sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro