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Dia do Trabalhador: 8 profissões em alta para quem deseja mudar de carreira

Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 29/04/2026 18:09:14

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PeopleImages / Shutterstock | Portal EdiCase
Tecnologia, saúde e segurança digital estão entre os setores que mais ampliam oportunidades

O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, vai além de um feriado no calendário: é uma data que lembra as conquistas históricas dos trabalhadores, mas também abre espaço para pensar no presente e no futuro da carreira. Em um mercado em constante transformação, essa reflexão se torna ainda mais relevante, especialmente para quem está considerando mudar de área ou buscar novos caminhos profissionais.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, cerca de 170 milhões de novos empregos devem surgir nos próximos quatro anos, com destaque para funções ligadas à tecnologia e a dados. Nesse cenário, entender quais carreiras estão ganhando força e como elas funcionam no dia a dia pode ser um bom ponto de partida para quem quer se reposicionar.

A seguir, confira 8 profissões em alta para dar um novo rumo à vida profissional!

1. Especialista em saúde mental (com foco em autismo)

Impulsionada por uma demanda crescente e mais qualificada, a área de saúde mental aparece como uma das áreas com maior expansão, sobretudo em relação ao avanço da conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e à ampliação dos diagnósticos em diferentes fases da vida. 

Esse cenário não apenas aumenta a procura por acompanhamento especializado, como também exige abordagens mais integradas, contínuas e multidisciplinares, envolvendo desde psicólogos e psiquiatras até terapeutas ocupacionais e profissionais de apoio à inclusão. Esses profissionais precisam combinar cuidado humano com alta complexidade técnica, o que tem demandado formação específica e atualização constante.

A pressão por qualificação é tamanha que já surgem iniciativas voltadas à formação aplicada como porta de entrada para o mercado, a exemplo do curso gratuito Autismo 360, da rede de cuidado Genial Care.

2. Assistente de cuidados pessoais de saúde

O aumento da expectativa de vida da população tem ampliado a demanda por profissionais voltados ao cuidado direto e contínuo de pessoas que precisam de apoio no dia a dia. Nesse contexto, o assistente de cuidados pessoais em saúde ganha relevância ao atuar com idosos ou indivíduos com limitações temporárias ou permanentes em atividades como higiene, alimentação, mobilidade e acompanhamento de rotinas diversas. 

Mais do que suporte prático, a função também envolve atenção emocional e promoção de bem-estar. Com a tendência de que as pessoas vivam mais e busquem qualidade de vida por mais tempo, cresce a necessidade de profissionais capacitados, com formação específica e preparo para lidar com diferentes níveis de autonomia, tornando essa uma das frentes mais consistentes de geração de emprego nos próximos anos.

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O avanço das transações digitais tornou a segurança financeira uma das áreas mais promissoras do mercado

3. Especialista em segurança digital no segmento financeiro

A proteção de sistemas, redes e dados contra ameaças digitais, assegurando a privacidade e a integridade de informações corporativas e pessoais, é uma das áreas de trabalho que mais crescem, especialmente no setor financeiro, em que a demanda avança à medida que aumentam as transações digitais. Esses especialistas são treinados para proteger operações, prevenir ataques a aplicativos e APIs bancárias e garantir a segurança de ecossistemas digitais como Open Finance e Pix, como explica o especialista em tecnologia financeira Gustavo Siuves, da Azify.

“O Brasil tem, reconhecidamente, um dos sistemas de pagamentos mais avançados e seguros do mundo. Isso não significa que estamos imunes a incidentes, pois nenhum sistema no mundo está. Mas significa que temos estrutura para detectar, conter e responder com rapidez. O amadurecimento do setor nos últimos anos, especialmente com a chegada das fintechs e do Open Finance, também trouxe mais inovação em segurança”, afirma.

O avanço contínuo das ameaças digitais tende a manter a área de segurança como prioridade estratégica para instituições financeiras, ampliando a demanda por profissionais cada vez mais especializados e atualizados.

4. Especialista em Big Data no setor financeiro

O volume de dados gerados diariamente, impulsionado pelo uso intensivo de aplicativos, plataformas digitais e interações online, vem mudando a forma como as empresas tomam decisões. Profissionais especializados em Big Data ganham espaço justamente por conseguirem transformar grandes volumes de informação em insights úteis, que ajudam a orientar estratégias, antecipar movimentos do mercado e aumentar a eficiência dos negócios.

No setor financeiro, esse papel se torna ainda mais relevante. Esses especialistas trabalham com fluxos massivos de dados em tempo real para aprimorar modelos de crédito, identificar padrões de comportamento, detectar fraudes e apoiar decisões mais precisas e personalizadas. “Entender a importância do compartilhamento de dados e adotar práticas seguras pode trazer inúmeros benefícios, tanto para consumidores quanto para empresas, promovendo um ambiente digital mais seguro e eficiente”, destaca o especialista em tecnologia financeira Alan Mareines, da fintech Lina Open X.

Com o avanço de iniciativas como Open Finance e o uso cada vez mais intensivo de dados no dia a dia das instituições, a tendência é de que esses profissionais rapidamente se tornem cada vez mais centrais, combinando análise técnica, visão de negócio e responsabilidade no uso das informações.

5. Especialista em governança de dados

À medida que as regulamentações de privacidade e proteção de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), se tornam mais rigorosas, a governança de dados ocupa um papel cada vez mais estratégico dentro das empresas. Mais do que garantir conformidade, esses profissionais são responsáveis por estruturar políticas, processos e diretrizes que garantam o uso seguro, eficiente e ético das informações, algo diretamente ligado às práticas de ESG (Environmental, Social and Governance), especialmente no que diz respeito à transparência, à gestão de riscos e à responsabilidade corporativa.

“A governança de dados abrange um conjunto de práticas, processos e políticas que garantem a qualidade, segurança e uso ético dos dados. Com a IA, esses aspectos tornam-se ainda mais críticos”, destaca o especialista em estratégia corporativa e transformação organizacional Paulo Simon, da Keyrus no Brasil, que acrescenta: “Além disso, a governança de dados assegura que os dados utilizados sejam precisos, completos e atualizados, o que é essencial para o treinamento eficaz e confiável dos modelos de IA, melhorando assim a performance dos algoritmos”.

Com a intensificação do uso de dados e o avanço da inteligência artificial, cresce também a pressão por práticas mais responsáveis e auditáveis.

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O avanço das pautas sociais impulsiona a busca por especialistas em impacto social e diversidade no ambiente corporativo

6. Analista de Impacto Social e Diversidade (DE&I)

A agenda de diversidade, equidade e inclusão (DE&I) tem ganhado espaço nas empresas conforme as questões sociais passam a influenciar diretamente a reputação, a cultura organizacional e o desempenho de negócios. Nesse cenário, o analista de impacto social e diversidade surge como um profissional muito importante e estratégico, responsável por desenvolver, implementar e monitorar iniciativas que promovam ambientes mais inclusivos e representativos, além de avaliar o impacto das operações das empresas nas comunidades em que estão inseridas.

Essa atuação envolve desde a criação de políticas internas e programas de diversidade até a definição de indicadores e métricas que permitam acompanhar resultados de forma consistente. Também há uma interface importante com áreas como recursos humanos e comunicação, garantindo que os compromissos assumidos pelas organizações se traduzam em ações concretas. Com o aumento da cobrança por transparência e responsabilidade social, a tendência é que esses profissionais ganhem cada vez mais relevância, conectando propósito, cultura e estratégia dentro das empresas.

7. Especialista em defesa cibernética

A defesa cibernética é uma vertente da segurança que ganha protagonismo no momento em que um ataque digital já está em curso. Se a cibersegurança também atua na prevenção, com o desenvolvimento de políticas internas, testes e proteção de sistemas, a defesa cibernética entra em cena para responder rapidamente a incidentes, conter a ameaça e evitar que ela se espalhe.

Isso significa lidar com situações como invasões a redes corporativas, sequestro de dados por ransomware, tentativas de phishing direcionado, exploração de vulnerabilidades em sistemas e ataques a aplicações críticas, como plataformas financeiras e APIs.

No dia a dia, esses profissionais monitoram ambientes digitais de forma contínua, analisam sinais de comportamento suspeito e identificam invasões em tempo real. A partir daí, atuam para isolar acessos indevidos, interromper atividades maliciosas e reduzir impactos operacionais e financeiros. Também são responsáveis por restaurar sistemas comprometidos, recuperar dados e garantir que a operação volte ao normal o mais rápido possível.

Conforme explica Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética e governança corporativa, da Security First, “o que antes era ação pontual tornou-se uma indústria altamente automatizada. Com o uso crescente de inteligência artificial, ataques são personalizados em escala, explorando comportamento humano com precisão cada vez maior”, tornando a presença desse profissional indispensável.

8. Engenheiro de software com foco em metodologias ágeis 

Esse é o tipo de profissional que faz a tecnologia realmente acontecer no dia a dia. Ele atua no desenvolvimento e na evolução de sistemas e aplicações, sempre com foco em entregas ágeis, seguras e que façam sentido na prática. O mercado valoriza quem também domina metodologias ágeis e práticas de DevOps, ferramentas essenciais para tirar ideias do papel com mais rapidez e consistência.

“Hoje existe um descompasso claro entre a demanda por tecnologia e a quantidade de profissionais qualificados no mercado. Mas o que faz diferença na prática não é só saber programar. As empresas procuram quem entenda o problema de negócio, consiga se comunicar bem e evolua rápido. Isso tudo vai além da linguagem que a pessoa domina e foca na capacidade de gerar resultado com tecnologia”, afirma o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em tecnologias para negócios, Thiago Muniz, CEO da Receita Previsível e B2B Stack.

Quando falamos dos profissionais mais experientes, a disputa é ainda maior. Engenheiros sêniores, com bagagem em arquitetura de sistemas e liderança técnica, são vistos como peças-chave dentro das equipes. Com olhar estratégico e capacidade de tomar decisões importantes, eles acabam sendo altamente cobiçados, muitas vezes recebendo propostas antes mesmo de pensar em mudar de emprego.

Por Letícia Carvalho