Vinho: Ajuste na gestão da importadora Berkmann Brasil favorece vinícolas da Itália e da Espanha
Fonte: estadao.com.br | Data: 30/04/2026 19:14:14
Como servir vinhos em casa sem fazer feio
A sommelière Gabriela Monteleone dá 7 passos de como servir bem um vinho – sem estragar as qualidades bebida, nem encher de firulas o jantar. Crédito: Everton Oliveira / Estadão
A saída do executivo argentino Mariano Levy do cargo de CEO da importadora de vinhos Berkmann Brasil levou a matriz inglesa a mudar a maneira de gerir sua filial brasileira. A decisão é não ter um CEO no curto e no médio prazos no Brasil e aumentar a presença dos profissionais ingleses Rupert Berkmann, presidente da Berkmann Global, e Charles Marshall, diretor de Estratégia, no Brasil.
O objetivo é, assim, manter as principais vinícolas em seu portfólio brasileiro, com foco na italiana Marquesi Antinori e na espanhola Familia Torres, que estavam descontentes com os resultados de seus vinhos no Brasil.

Marshall, que faria o anúncio da saída de Levy de forma online para os clientes e fornecedores, pegou um avião e veio pessoalmente ao Brasil
Foto: Suzana Barelli
A decisão foi anunciada pelo próprio Marshall, que adiantou a sua viagem para o Brasil em uma semana para evitar que a saída de Levy se transformasse em uma crise na empresa e no mercado. Ele vai passar as próximas três semanas por aqui, já neste novo plano de ação.
“Tanto Rupert como eu vamos nos revezar e ficar mais tempo aqui no Brasil”, afirma o executivo. Conforme adiantou o Estadão, Levy se antecipou ao comunicado oficial e no final de semana passado postou em suas redes sociais o aviso de sua saída com um agradecimento aos parceiros, fornecedores e clientes. Com a repercussão, a postagem foi retirada do ar.
Marshall, que faria o anúncio da saída de Levy de forma online para os clientes e fornecedores, pegou um avião e veio pessoalmente ao Brasil. Ao vivo, garantiu que a Antinori não sai do portfólio da operação brasileira Berkmann.
Segundo ele, isso foi acordado em um encontro presencial entre os principais executivos da Antinori, Renzo Cotarella, presidente da vinícola, e Stefano Leone, diretor comercial, com Rupert Berkmann e o próprio Marshall, 15 dias atrás, durante a Vinitaly, importante feira do vinho italiano, realizada em Verona.

Charles Marshall apresentou vinhos do portfólio da Berkmann em almoço em que anunciou as mudanças da gestão na companhia
Foto: Suzana Barelli
A Antinori tem uma relação de 30 anos com a Berkmann inglesa, empresa que atualmente fatura £ 116 milhões (cerca de R$ 675 milhões, à cotação desta quinta-feira, 30) por ano — a filia brasileira tem um faturamento de R$ 74 milhões. E chegou ao portfólio brasileiro em 2019.
Os italianos não estavam satisfeitos com o posicionamento e os preços e de mercado de seus vinhos no Brasil, apesar do crescimento de 60% na venda aqui no Brasil durante a gestão de Levy. “A filial brasileira teve problemas com a sua situação financeira e uma pressão pelo fluxo de caixa”, explicou Marshall. Isso levou a Berkmann a rever o seu portfólio, inclusive descontinuando rótulos que não tinham bom desempenho no Brasil.
Foco no mercado de ‘vinho on-trade’
Segundo Marshall, o foco segue no mercado de vinho on-trade, termo em inglês que define os bares, restaurantes e hotéis, e se necessário a matriz pode investir para ajudar a filial brasileira. Garantiu também a presença dos demais executivos da Bekmann, como Saler Talger, diretor comercial; Heitor Soubihe, diretor de operações, e Jessica Marinzheck, head de marketing e produtos.
Marshall afirmou ainda que o Brasil segue desafiador para os ingleses, especialmente pelos termos regulatórios e tributários. “Agora é investir nas marcas e recuperar margens”, comentou. As vinícolas mais importantes no portfólio brasileiro são, além de Antinori e Torres, a chilena Montes, a argentina Riccitelli, a francesa Simonnet-Febvre e a italiana Allegrini.
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Levy havia assumido a presidência da Berkmann seis meses atrás, quando venceu o seu contrato de non-compete com o grupo Víssimo, resultado da fusão das importadoras Grand Cru e Evino.
O executivo argentino chegou ao Brasil em 2002, então para fundar a importadora Grand Cru, que atualmente integra o grupo Víssimo. Levy agora vai se dedicar a sua importadora, a Vinessence, que tem em sociedade com o sommelier Massimo Leoncini.