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Por que as canetas emagrecedoras nem sempre funcionam

Fonte: portaltela.com | Data: 01/05/2026 14:49:10

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Resposta variável às canetas antiobesidade pressiona custo-benefício e exige ajuste de dose e acompanhamento médico para evitar interrupções

Reposta desigual, efeitos colaterais e custo

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  • Estudos mostram variação na resposta: em STEP um, cerca de 14% não perderam pelo menos 5% do peso; em Surmount‑1, não resposta foi de 9,1% com dose de 15 mg, e 11,1% e 14,9% para 10 mg e 5 mg, respectivamente.
  • A resposta depende da dose progressiva, da tolerância a efeitos colaterais e de fatores clínicos, como diabetes, que pode reduzir a perda de peso.
  • Quando a resposta é insatisfatória, a orientação é revisar a dose, avaliar adesão e fatores de estilo de vida (dieta, sono, álcool, comorbidades) e, se necessário, ajustar a estratégia com acompanhamento médico.
  • Custos e acesso variam: Reino Unido e Canadá adotam critérios de indicação e reembolso; no Brasil, a Conitec rejeitou incorporação de terapias ao SUS devido ao alto impacto orçamentário e incertezas sobre custo‑benefício.
  • Pesquisas mostram que fatores genéticos e farmacocinéticos influenciam a eficácia e os efeitos colaterais, sugerindo possibilidade de abordagens mais personalizadas no futuro. Além disso, há mudança de dose, com maior perda de peso observada em doses mais altas de semaglutida.

A ampliação do acesso a canetas emagrecedoras ganhou relevância após a quebra de patente da semaglutida em março, elevando as expectativas por opções mais baratas. Medicamentos como Ozempic e Wegovy passaram a figurar entre as alternativas defendidas para obesidade, mas a resposta ao tratamento não é uniforme. Dados indicam que cerca de 1 a cada 10 pacientes não atinge a perda de peso esperada nos primeiros meses.

A variabilidade da resposta é discutida na literatura. Em STEP 1, estudo publicado em 2021 no The New England Journal of Medicine, aproximadamente 14% dos participantes não perderam ao menos 5% do peso. No Surmount-1, a taxa de não resposta foi de 9,1% com 15 mg de tirzepatida, e chegou a 11,1% e 14,9% com as doses de 10 mg e 5 mg, respectivamente. A ideia é que cada pessoa reage de forma diferente ao medicamento.

Ajustes de dose também impactam os resultados, pois a tolerância aos efeitos colaterais depende de escalonamento cuidadoso. Em alguns casos é necessário recuar temporariamente ou avançar com mais cautela. A continuidade médica é essencial para sustentar a perda de peso a longo prazo. A pergunta sobre por que alguns pacientes não respondem envolve fatores biológicos, clínicos e comportamentais.

Esses fatores incluem, entre outros, a presença de diabetes, a resistência à insulina e condições associadas. Pesquisas indicam que pacientes com diabetes costumam ter resposta menor em termos de peso do que indivíduos sem a doença, o que pode influenciar a eficácia do tratamento. Outras variáveis abordadas são idade, peso inicial, duração do diabetes e função renal.

Resultados recentes sobre dose e eficácia mostram que maior dose de semaglutida tende a promover maior perda de peso. Em estudo publicado em 2025 na Lancet, 7,2 mg de semaglutida reduziram o peso em média 18,7% após 72 semanas, frente 15,6% com a dose padrão de 2,4 mg. Pacientes com dose maior tiveram maior probabilidade de perdas de 20% e 25%.

Efeitos colaterais e metabolismo também influenciam a adesão. A farmacocinética aponta que os níveis da droga no sangue são determinantes para a resposta clínica, com peso corporal elevado associado a menor exposição ao fármaco. Além disso, variáveis genéticas podem modular tanto a eficácia quanto as náuseas e vômitos, especialmente com tirzepatida, abrindo caminho para abordagens mais personalizadas no futuro.

Intervenções com outros medicamentos podem interferir na perda de peso. Diretrizes recomendam reavaliar fármacos que promovem ganho de peso e, quando possível, substituí-los por opções neutras. Entre eles estão insulina, alguns antidepressivos, antipsicóticos, anticonvulsivantes, glicocorticoides e contraceptivos injetáveis.

Eficácia, uso e ajustes de dose

Estudos indicam que a resposta envolve dose, tolerância e adesão. A prática clínica costuma ajustar a dose progressivamente para reduzir efeitos adversos, mantendo o acompanhamento médico. Quando a resposta é insatisfatória, revisões são feitas para confirmar o ajuste correto, o uso contínuo e o esforço de mudanças de estilo de vida.

A explicação para a não resposta não é única. A combinação de fatores biológicos, clínicos e comportamentais explica a variabilidade observada entre pacientes. Em alguns casos, a intervenção pode exigir troca de medicamento ou estratégias adicionais para manter a perda de peso.

A direção clínica recomenda manter o tratamento com monitoramento de segurança e sustentar os ganhos, mesmo diante de respostas parciais. Caso a resposta permaneça insuficiente, ajustes adicionais podem ser aplicados, sempre com supervisão médica.

Custo, acesso e políticas públicas

Tratamentos de alto custo como semaglutida e tirzepatida exigem avaliação de custo-efetividade. Países têm adotado critérios mais rígidos para indicar e financiar essas terapias. No Reino Unido, a indicação para sobrepeso inclui restrições de tempo e avaliação multidisciplinar. No Canadá, o reembolso público depende de critérios clínicos e de medidas complementares de dieta e atividade física.

No Brasil, a Conitec avaliou, em agosto de 2025, pedido da Novo Nordisk para incorporar os fármacos ao SUS no tratamento da obesidade. A decisão foi pela rejeição, devido ao alto impacto orçamentário e a incertezas sobre custo-benefício em larga escala. Em 2026, a Novo Nordisk anunciou programa piloto de Wegovy na rede pública, com atuação no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, visando coletar dados sobre impacto clínico e econômico.

A empresa ressalta que ampliar o acesso não deve alterar a proporção de pacientes que respondem ao tratamento, mantendo a necessidade de acompanhamento médico. Especialistas destacam a importância de alinhar expectativas e evitar interrupção sem supervisão profissional, diante da variabilidade de respostas entre pacientes.

Texto produzido para a cobertura jornalística sobre o tema.

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