Os vírus respiratórios chegaram mais cedo; situação força antecipação de medidas
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 03/05/2026 19:45:39
É prudente a decisão do governo gaúcho de decretar estado de emergência em saúde pública em função do crescimento significativo no número de internações hospitalares causadas por doenças respiratórias. A superlotação de emergências na Capital reforça a necessidade da medida. Ao reconhecer formalmente o risco de a demanda por atendimento ultrapassar a capacidade de amparo, cria-se o respaldo legal para agilizar a aquisição de insumos e a contratação de profissionais e buscar recursos junto ao Ministério da Saúde para abrir mais leitos.
No sábado, os quatro hospitais de alta complexidade que atendem pelo SUS em Porto Alegre apresentavam superlotação
O ano de 2025 já foi traumático. O Estado contabilizou 3,4 mil hospitalizações devido à gripe, número 48% superior a 2024. As estatísticas são da Secretaria Estadual da Saúde (SES). A quantidade de mortes por influenza chegou a 598, o recorde da série histórica iniciada na pandemia de H1N1, em 2009. Desde o início deste ano, o Ministério da Saúde já alertava para a maior circulação de vírus causadores de problemas respiratórios. A temporada da influenza também parecia estar se iniciando antes do usual. O quadro epidemiológico associado à cobertura vacinal insuficiente liga o sinal de alerta para antecipar medidas.
O decreto estadual é da última quinta-feira, 30 de abril. No ano passado, o Piratini decretou estado de emergência apenas no dia 19 de maio. Para justificar a decisão, o documento cita a elevação de 533% nas hospitalizações por gripe entre a 7ª e a 10ª semanas epidemiológicas de 2026. Correspondem ao período de 15 de fevereiro a 14 de março. Nesse mesmo intervalo, as hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) subiram 102%. Por rinovírus, agente infecioso causador do resfriado comum, cresceram 376,9%. No caso de crianças com idade abaixo de 12 anos, as internações foram 528% maiores. Os percentuais falam por si.
Os dados têm certa defasagem, mas o panorama das emergências da Capital no fim de semana mostra que o quadro segue desafiador. No sábado, os quatro hospitais de alta complexidade que atendem pelo SUS em Porto Alegre apresentavam superlotação e limitação de atendimento. Somente pacientes com risco de vida eram aceitos. Na emergência adulta do Hospital São Lucas da PUCRS, a superlotação era de 430% em relação à capacidade máxima.
O cenário descrito demonstra a premência de ampliar a estrutura de assistência. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o decreto ajudará a disponibilizar mais de 1,8 mil leitos de UTI e de suporte ventilatório em todo o RS. Destes, 604 devem ser viabilizados com recursos do Estado e 1.277 com verbas federais. Será uma expansão superior à empregada em 2025. Mas não há como ter certeza de quando estará à disposição.
O aumento da capacidade de atendimento precisa vir acompanhado por uma maior cobertura da vacina contra a gripe, em especial em grupos prioritários como crianças, gestantes e idosos. É de vital importância reiterar o quanto a vacina ajuda a evitar complicações, internações e mortes. No ano passado, no Estado, 79% dos hospitalizados e 76% das vítimas fatais não foram imunizados. Mas, além de combater a hesitação vacinal, é preciso que o Ministério da Saúde estabilize oferta, evitando a falta pontual de doses observada nos últimos dias.