Centro-Oeste tem maior alta da renda e atinge valor recorde, mas também região mais desigual, diz IBGE
Fonte: valor.globo.com | Data: 08/05/2026 10:05:10
Residentes do Centro-Oeste tiveram maior crescimento de rendimento de médio de todas as fontes, na passagem de 2024 para 2025, que atingiu valor recorde, mas a região também se tornou a mais desigual do Brasil, ao ultrapassar o Nordeste.
Os dados constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Rendimento de todas as fontes (2025) veiculada nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os pesquisadores do IBGE apuraram que, em 2025, o rendimento médio mensal de todas as fontes no Centro-Oeste foi de R$ 4.052, a valores deflacionados. Esse indicador inclui a renda do trabalho, mas também outras fontes de recursos, como aposentadorias, pensões, aluguel, aplicação financeira e programas sociais do governo.
O valor foi 9% acima de 2024, o maior crescimento entre todas as cinco regiões do país. Em contrapartida, o Sul apresentou menor ritmo de crescimento na renda média mensal real de todas as fontes, com alta de 3,8% em 2025 ante 2024, para R$ 3.859.
Com isso, o Centro-Oeste ultrapassou o Sul nesse quesito. Em 2024, os valores eram equivalentes, de R$ R$ 3.716 no Sul e R$ 3.717 no Centro-Oeste.
Os dados de desigualdade, por sua vez, apontam aumento da concentração de renda no Centro. O Índice de Gini – referência para o cálculo das disparidades de rendimentos – subiu de 0,485 em 2024 para 0,506 em 2025.
O número, no entanto, está bem próximo ao de 2019, antes da pandemia, que era de 0,505. O índice varia entre 0 e 1: quanto mais perto de 1, maior é a desigualdade do local investigado.
Pesquisador do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes informou que o aumento expressivo do rendimento no Centro-Oeste em 2025 pode ter sido impulsionado por dois fatores. Um deles é o crescimento da fronteira agropecuária no Centro-Oeste nos últimos anos. Outro fator de influência foi crescimento de renda no Distrito Federal no ano passado.
“O Centro-Oeste é uma região que tem se expandido economicamente, com o peso do agronegócio. Mas, especificamente em 2025, a gente observou que o Distrito Federal também se destacou”, disse.
“A gente viu que o mercado de trabalho do Distrito Federal teve um certo dinamismo, com aumento de renda média. Houve também um aumento da população ocupada no setor público, com essas novos concursos. Isso pode ter contribuído, entre outros fatores”, completou.
O IBGE mapeou ainda a evolução, ano a ano, da massa de rendimento mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos. A massa de rendimento, ou massa salarial, é a soma total dos rendimentos brutos recebidos por todas as pessoas ocupadas em um determinado período.
Os técnicos apuraram que, em 2025, a massa de rendimento mensal habitualmente recebido de todos os trabalhos foi de R$ 361,7 bilhões. Foi o maior valor da série, iniciada em 2012, com crescimento real de 7,5% em relação a 2024 e de 23,5% frente a 2019. Com esse resultado, somam-se quatro anos consecutivos de crescimento da massa de rendimento do trabalho a taxas anuais superiores a 6%, detalharam ainda os pesquisadores do instituto.
O IBGE informou ainda que um dos aspectos que ajudaram a compor desempenho favorável da massa salarial foi a alta de 1,8% na população ocupada no mercado de trabalho.
Além disso, os pesquisadores apuraram que, entre 2024 e 2025, observou-se crescimento da massa de rendimentos do trabalho em todas grandes regiões. Os destaques de alta ficaram por conta do Centro-Oeste (11,6%) e do Norte (10,5%).