Senadores pedem saída de Nunes Marques de processo sobre CPI do Banco Master
Fonte: regiaonoroeste.com | Data: 08/05/2026 11:29:03
A investigação sobre as supostas fraudes no Banco Master ganhou um novo capítulo jurídico nesta quinta-feira. Os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir que o ministro Kassio Nunes Marques deixe de ser o relator da ação que trata da abertura de uma CPI sobre o caso. O argumento central dos parlamentares é a relação de proximidade entre o magistrado e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que se tornou alvo oficial da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

Alessandro Vieira utilizou suas redes sociais para explicar que a “relação íntima e notória” entre o ministro e o senador piauiense justifica o pedido de suspeição. O objetivo é que o processo seja redistribuído para outro integrante da Corte, garantindo maior isenção nas decisões. Vale lembrar que Ciro Nogueira foi um dos principais articuladores da indicação de Nunes Marques ao STF em 2020, durante o governo Bolsonaro, e ambos possuem um histórico de convivência política e jurídica de longa data no estado do Piauí.
O cenário se complicou após a Polícia Federal apontar que Ciro Nogueira teria usado seu mandato para favorecer os interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Segundo as investigações autorizadas pelo ministro André Mendonça, o senador é suspeito de receber uma “mesada” que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil paga por um banqueiro. Além do dinheiro vivo, a PF aponta benefícios como o uso gratuito de um imóvel de alto luxo e o pagamento de viagens internacionais sofisticadas, incluindo hospedagens em hotéis renomados de Nova York e cartões para despesas pessoais.
Provas encontradas em celulares e registros de pagamentos reforçam a tese da polícia de que havia um esquema de benefícios mútuos que ia além da amizade. Por outro lado, a defesa de Ciro Nogueira nega veementemente qualquer irregularidade e critica a operação, classificando-a como precipitada. Em nota, os advogados do senador afirmaram que medidas invasivas baseadas em trocas de mensagens de terceiros ferem a legalidade e que o caso será enfrentado tecnicamente nos tribunais superiores.

