Mais de 18 milhões de famílias receberam auxílio social em 2025, aponta IBGE
Fonte: ric.com.br | Data: 08/05/2026 12:23:37
Cerca de 18 milhões de famílias brasileiras receberam dinheiro de algum programa social do governo federal, estadual ou municipal em 2025. O número representa 22,7% dos domicílios do país, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
Apesar da redução em relação a 2024, quando 23,6% dos lares recebiam benefícios, o índice segue acima do registrado antes da pandemia de covid-19. Em 2019, último ano antes da crise sanitária, 17,9% das famílias eram contempladas por programas sociais. Em seis anos, isso representa a inclusão de cerca de 5,5 milhões de famílias.
Pandemia elevou número de beneficiários do governo
O levantamento mostra que o maior percentual de famílias beneficiadas ocorreu em 2020, primeiro ano da pandemia, quando 31,4% dos domicílios brasileiros receberam algum tipo de auxílio, equivalente a 22,2 milhões de famílias.
Nos anos seguintes, houve redução gradual, mas os números permaneceram acima do patamar pré-pandemia:
- 2019: 17,9%
- 2020: 31,4%
- 2021: 25%
- 2022: 20,7%
- 2023: 23%
- 2024: 23,6%
- 2025: 22,7%
O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes explica que a redução na proporção de domicílios beneficiários dos programas sociais no último ano está relacionada ao mercado de trabalho aquecido.
“O aumento da renda do trabalho pode impactar em menor necessidade de parte das pessoas para que tenha renda mínima e não estaria mais contemplada por programas sociais.”
O especialista lembra que o nível de desemprego em 2025 foi o menor já registrado pela série histórica do IBGE, iniciada em 2012.
Bolsa Família e BPC estão entre os principais programas
Para a pesquisa, o IBGE considerou programas federais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de baixa renda. Também entraram no levantamento auxílios assistenciais pagos por estados e municípios.
Valor médio dos benefícios cresceu mais de 70% desde 2019
Segundo o levantamento do IBGE, o rendimento médio recebido por famílias beneficiárias de programas sociais foi de R$ 870 em 2025, valor ligeiramente inferior ao registrado em 2024, quando a média era de R$ 875.
Na comparação com 2019, no entanto, houve crescimento real de 71,3%, já descontada a inflação do período. Naquele ano, o valor médio pago pelos programas era de R$ 508.
O instituto destaca que a ampliação dos programas sociais ocorreu principalmente a partir de 2020, durante a pandemia de covid-19, quando governos passaram a aumentar a cobertura e o valor dos auxílios.
No âmbito federal, o principal programa foi o Bolsa Família, que durante o governo anterior também recebeu os nomes de Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil. Criado para auxiliar famílias afetadas pela crise econômica e pela perda de renda durante a pandemia, o benefício chegou ao valor mínimo de R$ 600, mantido até hoje.
Programas sociais se concentram nas famílias de menor renda
O critério inicial para receber o Bolsa Família é ter renda familiar mensal de até R$ 218 por pessoa. O valor pode aumentar conforme a composição familiar, como nos casos de crianças pequenas e gestantes.
Os dados da Pnad mostram que os programas sociais continuam concentrados entre as famílias de menor renda do país. Em 2025, o rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios beneficiados era de R$ 886. Já entre os lares que não recebiam auxílio, a média alcançava R$ 2.787, mais que o triplo.
Ao detalhar as fontes de renda, a pesquisa aponta que o Bolsa Família é o programa de maior alcance no país. Em 2025, 17,2% dos domicílios brasileiros recebiam o benefício, o equivalente a 13,6 milhões de famílias.
O segundo programa social mais presente foi o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, presente em 5,3% dos domicílios. Outros programas sociais, incluindo iniciativas estaduais e municipais, atenderam 2,4% das famílias brasileiras.
Nordeste e Norte concentram maior número de famílias beneficiadas
A distribuição regional dos programas sociais também reflete as desigualdades de renda no país. O Nordeste apresentou a maior proporção de domicílios atendidos por algum benefício social em 2025: 39,8% das famílias da região recebiam auxílio governamental, ou seja, quatro em cada dez lares.
No Norte, o percentual foi de 38,8%. Já as menores proporções foram registradas no Sul, com 10,8% dos domicílios beneficiados, seguido pelo Sudeste (14,8%) e Centro-Oeste (17%).
No caso específico do Bolsa Família, estados do Norte e Nordeste aparecem entre os mais dependentes do programa. Veja as dez unidades da Federação com maior proporção de domicílios atendidos:
- Pará: 46,1%
- Maranhão: 45,6%
- Piauí: 45,3%
- Alagoas: 41,7%
- Amazonas: 40,8%
- Ceará: 40,3%
- Paraíba: 40,2%
- Bahia: 38,7%
- Acre: 38,6%
- Pernambuco: 37,6%
Com informações da Agência Brasil*
Quer receber notícias no seu celular? Entre no canal do Whats do RIC.COM.BR. Clique aqui!