Crônica de uma estação amaldiçoada: por que o Lunar Gateway passou de futuro da NASA a um amontoado de metal corroí
Fonte: xataka.com.br | Data: 09/05/2026 09:30:57
O Lunar Gateway, a estação lunar em órbita concebida como uma escala estratégica para viagens ao nosso satélite, sofreu inúmeros atrasos desde o início de sua construção. Hoje, após a retirada do financiamento do governo dos Estados Unidos, o projeto foi oficialmente cancelado. Mesmo assim, continua gerando discussões.
A mais recente controvérsia surgiu após a revelação de que dois módulos importantes, já fabricados e prontos para lançamento, sofreram corrosão. Se o plano tivesse prosseguido, isso teria sido mais uma dor de cabeça. Aliás, está se provando uma.
Os fatos
Após o cancelamento do projeto inicial, a empresa responsável pelo desenvolvimento dos dois módulos habitáveis do Lunar Gateway solicitou que a NASA os reutilizasse nas bases planejadas para a superfície lunar. A resposta de Jared Isaacman, administrador da agência espacial, foi tornar público um problema bastante desagradável: o metal de ambos os módulos corroeu. Como eles seriam utilizados nessas condições?
A empresa responsável, Northrop Grumman, não negou o ocorrido, mas transferiu toda a culpa, acusando outra empresa pelo incidente. Segundo eles, foi a Thales Alenia Space, uma empresa franco-italiana, que foi contratada para construir a estrutura principal desses módulos.
A Thales se pronunciou
Inicialmente, a empresa em questão não respondeu às acusações. No entanto, alguns dias depois, em um comunicado à imprensa, reconheceu o problema. Afirma que um “comportamento metalúrgico bem conhecido” foi detectado em ambos os módulos e que planeja corrigi-lo até o terceiro trimestre de 2026.
Acrescenta que não se trata de um problema grave, já que algo semelhante foi detectado em alguns módulos da Estação Espacial Internacional durante sua construção e que, após o reparo, estes continuam funcionando sem problemas.
Esse comportamento metalúrgico deve ser a maneira educada que encontraram para se referir à corrosão. Não usaram um termo muito mais desagradável, mas parecem reconhecer o problema.
A NASA não está convencida
Por enquanto, não parece que a NASA pretenda esperar que a Thales resolva o problema no terceiro trimestre. Em declarações à imprensa, Isaacman lembrou que, se o projeto Lunar Gateway tivesse prosseguido, esse problema teria atrasado o lançamento, previsto para 2026. Poderia ter sido adiado até 2030. Isso teria sido um sério revés, por isso não acreditam que valha a pena confiar em uma solução fácil agora.

Módulo Halo da Estação Lunar Gateway
O Lunar Gateway sofreu inúmeros atrasos desde o início do projeto. Inicialmente, um primeiro componente, focado na geração de energia e propulsão, seria lançado em 2022. Posteriormente, a NASA decidiu que seria mais eficiente enviá-lo junto com o primeiro módulo habitável.
Isso atrasou o primeiro lançamento para 2024. No entanto, uma série de problemas surgiu relacionada ao cálculo da massa de ambos os componentes e, para resolvê-los, o lançamento foi adiado para 2026. O governo Trump percebeu que muito tempo e dinheiro estavam sendo desperdiçados, enquanto a China avançava rumo à Lua, e optou por retirar o financiamento do projeto. Seu cancelamento foi anunciado em março de 2026.
E agora?
Inicialmente, o Lunar Gateway seria usado na missão Artemis III e em missões subsequentes do programa para acoplar tanto o módulo de pouso quanto a cápsula com os astronautas. Lá, os dois tripulantes destinados ao pouso seriam transferidos de uma espaçonave para a outra. Agora, no entanto, o plano é acoplar ambos os veículos diretamente em órbita, sem a necessidade de uma estação lunar.
Os objetivos da NASA, por outro lado, estão focados na construção de uma base diretamente na superfície da Lua a partir de 2028. Mas isso ainda está longe de acontecer. Primeiro, precisamos ver se tudo corre bem em 2027. O que está claro é que, dado o que vimos, não há muita confiança na reutilização dos módulos habitáveis do Lunar Gateway. Para grande desgosto da Northrop.
Imagem de capa | NASA | Northrop Grumman



