Pela 1ª vez no CE, duas cirurgias fetais são realizadas no mesmo dia
Fonte: opovo.com.br | Data: 10/05/2026 11:28:16

Resumo
Pela primeira vez, a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC), em Fortaleza, realizou duas cirurgias fetais em um único dia;
A cirurgia visa corrigir a mielomeningocele (espinha bífida aberta), uma malformação congênita identificada geralmente via ultrassom de rotina no pré-natal;
O procedimento é de alta complexidade, envolve uma equipe multiprofissional e está disponível pelo Sistema Único de Saúde;
Embora o primeiro procedimento com útero exposto no Ceará tenha ocorrido em 2019, o marco atual foi a capacidade de realizar dois atendimentos no mesmo dia.
Os profissionais da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac), em Fortaleza, realizaram duas cirurgias fetais neste sábado, 9. O feito, inédito no Ceará, marca a primeira vez que dois procedimentos acontecem durante o mesmo dia.
Considerada de alta complexidade, a cirurgia consiste na correção de uma malformação congênita do feto dentro do útero da mãe. A primeira operação com útero exposto no Estado foi registrada em 2019, também na Meac.
De acordo com o médico Herlânio Costa, especialista em Medicina Fetal, a necessidade da cirurgia é geralmente identificada por meio de um ultrassom de rotina no pré-natal, que aponta uma mielomeningocele (ou espinha bífida aberta).
“Isso vai trazer problemas neurológicos, como dificuldade de andar, e algumas crianças precisam ficar de cadeira de rodas. Vão ter hidrocefalia, tem que colocar válvula na cabeça para drenar o líquido, diminuir a pressão, dificuldade com urina (não eliminar bem ou eliminar o tempo todo). E essa cirurgia, o que a gente faz é melhorar o resultado pro bebê”, explica.
Anteriormente, o profissional relata que os bebês eram operados no primeiro dia de vida. Com a realização da cirurgia ainda no útero, a criança deve apresentar um resultado neurológico melhor.
“É uma cirurgia grande, precisa de uma equipe ampla, por isso a dificuldade. Até então a gente não tinha conseguido a oportunidade de ter duas pacientes que se encaixavam nos critérios e a equipe disponível para fazermos duas no mesmo dia”, diz.
Além de Herlânio Costa, outro especialista em Medicina Fetal participou dos procedimentos: Edson Lucena. Na ocasião, a cirurgia contou com o neurocirurgião Eduardo Jucá e o cirurgião pediátrico Aldo Melo Filho.
Cirurgias fetais são realizadas pelo Sistema Único de Saúde
O médico acrescenta que o marco pode representar um aumento da oportunidade de oferta, já que o procedimento é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“É uma cirurgia e um hospital do SUS. Queremos divulgar para beneficiar o maior número de famílias possível, porque o benefício para o bebê realmente é muito grande a médio e longo prazo”, afirma.
Após a cirurgia, que dura em média de 3 a 4 horas, a equipe trabalha acompanhando o feto — “Para ver se o cerebelo está se deslocando de volta à sua pulsão normal e se o bebê continua bem, se continua mexendo bem, se os movimentos estão melhorando do ponto de vista motor, se a quantidade do líquido amniótico continua”, exemplifica Herlânio.
Nesse caso, o principal risco para a gestação, além do rompimento do útero quando a cicatriz está muito fina, seria o risco de parto prematuro. As gestantes não podem trabalhar até o final da gravidez e seguem no ambulatório de gestação de alto risco, com avaliação, pelo menos, a cada 15 dias.
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