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Advogado com câncer luta pelos direitos de pacientes terminais

Fonte: oestadoonline.com.br | Data: 13/05/2026 14:53:42

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Tiago Pitthan solicita audiência pública sobre direitos de pacientes terminais em Campo Grande

O advogado Tiago Pitthan, de 47 anos, popularmente conhecido como “Um Bom Sujeito”, defendeu, nesta terça-feira (12), os direitos de pacientes terminais e solicitou que seja realizada uma audiência pública acerca do tema, na Câmara Municipal de Campo Grande.

Tiago foi diagnosticado com câncer de estômago (adenocarcinoma gástrico) em estágio avançado, com metástases peritoneal e pulmonar. Mesmo diante de um laudo que costuma gerar medo, ele leva como lema a frase: “Eu tenho câncer, mas o câncer não me tem”.

“Um Bom Sujeito” ficou conhecido após publicar, no Instagram, o próprio velório em vida, uma forma que encontrou de celebrar ao lado de amigos e familiares.

Durante o uso da palavra livre, o advogado levou à tribuna a discussão sobre os direitos de pacientes terminais.

“Eu vim aqui falar o que esta Casa pode fazer pelo direito de uma pessoa que decide como morrer. Não é uma fala sobre mim, é uma fala sobre dignidade na morte”, disse Tiago.

Em sua fala, ele apresentou à Casa de Leis a Resolução nº 1.805, de 2006, aprovada pelo Conselho Federal de Medicina e confirmada pelo Poder Judiciário, que autoriza a ortotanásia em pacientes terminais.

“Significa que eu posso recusar uma cirurgia que vai me dar mais um mês de UTI, em sofrimento. Posso pedir sedação paliativa para morrer sem sentir dor. Nós temos isso, e as pessoas não sabem”, afirmou.

Um dos pontos defendidos pelo advogado é que grande parte das complicações relacionadas a óbitos de pacientes nessa situação ocorre porque o paciente não foi questionado sobre seus desejos.

“E isso acontece porque ninguém sabia que podia perguntar. Então, aqui vai meu primeiro pedido concreto a esta Casa: que a Câmara promova uma audiência pública e uma campanha de informação sobre ortotanásia, sedação paliativa e testamento vital.”

Velório em vida

Em 2024, o advogado perdeu o pai e, durante o velório, ouviu amigos e familiares relembrarem histórias. Foi nesse momento que passou a refletir sobre a beleza das recordações compartilhadas.

Ao perceber que apenas o pai não estava presente para ouvir aquelas homenagens, Tiago decidiu realizar o próprio velório em vida, marcado para o dia 30 de maio, como forma de confraternizar com amigos e familiares.

“Reparei que as pessoas têm muito medo de falar três palavras: câncer, morte e velório. Enquanto a gente não fala essas palavras, elas assombram a gente. Quando a gente fala, elas ficam reais, mais leves e mais fáceis de enfrentar. Eu estou morrendo, não vou descansar. E vou fazer meu velório em vida daqui a 18 dias, no dia 30 de maio.”

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