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Virologista premiado por contribuição no combate à Covid-19 é acusado de tentar entrar nos EUA com vírus em mais de 100 frascos; entenda

Fonte: oglobo.globo.com | Data: 09/06/2026 12:14:50

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Vincent Munster, pesquisador ligado aos NIH e referência internacional em doenças emergentes, nega intenção criminosa; caso ganhou repercussão política entre republicanos


Vírus da mpox (verde) infectando células (em magenta).
Vírus da mpox (verde) infectando células (em magenta). — Foto: NIAID

RESUMO

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GERADO EM: 09/06/2026 – 11:48

Virologista Vincent Munster acusado por transportar materiais biológicos nos EUA

O virologista Vincent Munster, renomado por suas contribuições no combate à Covid-19, enfrenta acusações nos EUA por tentar entrar no país com mais de 100 frascos de materiais biológicos sem declarar. Alega-se que Munster e sua assistente, Claude Kwe, transportavam vírus inativados para pesquisas científicas. O caso gerou repercussão política, especialmente entre conservadores, enquanto a defesa argumenta exagero na acusação.

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O virologista holandês Vincent Munster, reconhecido internacionalmente por suas contribuições ao desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, foi acusado pelas autoridades americanas de tentar introduzir ilegalmente materiais biológicos nos Estados Unidos após uma missão científica na República do Congo.

A denúncia criminal, tornada pública na semana passada, também envolve a assistente de pesquisa Claude Kwe, de 38 anos, natural dos Camarões. Os dois foram abordados por agentes da alfândega no aeroporto de Detroit depois de retornarem de uma atuação durante um surto de mpox no país africano.

Munster, de 53 anos, chefia a seção de ecologia de vírus dos Laboratórios Rocky Mountain, vinculados aos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), em Montana. Os promotores do Distrito Leste de Michigan afirmam que os pesquisadores conspiraram para transportar ilegalmente materiais biológicos em janeiro deste ano.

Caso sejam formalmente denunciados e posteriormente condenados, eles poderão enfrentar penas de até cinco anos de prisão.

Com cerca de 400 estudos publicados e aproximadamente 69 mil citações acadêmicas, Munster é considerado uma referência em doenças infecciosas emergentes.

Acusação cita mais de 100 frascos com materiais biológicos

De acordo com a denúncia, Munster e Kwe informaram às autoridades que transportavam materiais destinados a testes e diagnósticos. Os promotores, porém, afirmam que a bagagem continha mais de 100 frascos com materiais biológicos, incluindo vírus mpox inativado, vírus da catapora e outros agentes.

Imagens ilustram casos de mpox ao redor do mundo

Profissional de saúde entra em uma enfermaria de isolamento construída como medida de precaução para pacientes com varíola em um hospital civil em Ahmedabad, Índia — Foto: SAM PANTHAKY / AFP

Profissional de saúde entra em uma enfermaria de isolamento construída como medida de precaução para pacientes com varíola em um hospital civil em Ahmedabad, Índia — Foto: SAM PANTHAKY / AFP

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Profissional de saúde entra em uma enfermaria de isolamento construída como medida de precaução para pacientes com varíola em um hospital civil em Ahmedabad, Índia — Foto: SAM PANTHAKY / AFP

Micrografia eletrônica do vírus da varíola do macaco (vermelho) — Foto: Não informado

Micrografia eletrônica do vírus da varíola do macaco (vermelho) — Foto: Não informado

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Micrografia eletrônica do vírus da varíola do macaco (vermelho) — Foto: Não informado

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Vírus mpox (em vermelho), antes chamado de monkeypox ou varíola dos macacos — Foto: Wikimedia Commons

Vírus mpox (em vermelho), antes chamado de monkeypox ou varíola dos macacos — Foto: Wikimedia Commons

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Vírus mpox (em vermelho), antes chamado de monkeypox ou varíola dos macacos — Foto: Wikimedia Commons

varíola dos macacos - AFP — Foto: AFP/AFP

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varíola dos macacos – AFP — Foto: AFP/AFP

Amostra contendo vírus da varíola dos macacos — Foto: AFP

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Amostra contendo vírus da varíola dos macacos — Foto: AFP

Pessoas em fila para receber a vacina contra a varíola dos macacos na França. — Foto: FRANCOIS LO PRESTI / AFP

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Pessoas em fila para receber a vacina contra a varíola dos macacos na França. — Foto: FRANCOIS LO PRESTI / AFP

Lesões da varíola dos macacos em paciente na Itália. — Foto: Reprodução/Journal of Infection

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Lesões da varíola dos macacos em paciente na Itália. — Foto: Reprodução/Journal of Infection

Surto de varíola dos macacos se espalhou rapidamente pela América Latina — Foto: Ernesto BENAVIDES/AFP

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Surto de varíola dos macacos se espalhou rapidamente pela América Latina — Foto: Ernesto BENAVIDES/AFP

João Pinheiro mostra as lesões causadas pela varíola dos macacos em seu lábio — Foto: Reprodução/ Twitter

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João Pinheiro mostra as lesões causadas pela varíola dos macacos em seu lábio — Foto: Reprodução/ Twitter

Lesões na pele de pacientes diagnosticados com varíola dos macacos — Foto: AFP PHOTO / UK HEALTH SECURITY AGENCY

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Lesões na pele de pacientes diagnosticados com varíola dos macacos — Foto: AFP PHOTO / UK HEALTH SECURITY AGENCY

Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (laranja) encontradas dentro de uma célula infectada (marrom), cultivadas em laboratório. — Foto: NIAID

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Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (laranja) encontradas dentro de uma célula infectada (marrom), cultivadas em laboratório. — Foto: NIAID

Ainda não se sabe qual é a origem do surto nos países fora de lugares onde o vírus é endêmico. — Foto: André Mello / Arte O Globo

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Ainda não se sabe qual é a origem do surto nos países fora de lugares onde o vírus é endêmico. — Foto: André Mello / Arte O Globo

Ainda não se sabe qual foi a origem exata do surto. — Foto: André Mello / Arte O Globo

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Ainda não se sabe qual foi a origem exata do surto. — Foto: André Mello / Arte O Globo

O perfil de últimos casos indica que a transmissão pode estar sendo facilitada por relações sexuais, mas não se sabe ainda se seria o sexo ou o apenas o contato próximo na ocasião.; — Foto: André Mello / Arte O Globo

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O perfil de últimos casos indica que a transmissão pode estar sendo facilitada por relações sexuais, mas não se sabe ainda se seria o sexo ou o apenas o contato próximo na ocasião.; — Foto: André Mello / Arte O Globo

Uma das questões é se a transmissão pelo ar pode estar ocorrendo de forma mais fácil. — Foto: André Mello  / Arte O Globo

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Uma das questões é se a transmissão pelo ar pode estar ocorrendo de forma mais fácil. — Foto: André Mello / Arte O Globo

Pesquisadores ainda buscam entender exatamente qual é o tempo que a pessoa transmite o vírus. — Foto: André Mello  / Arte O Globo

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Pesquisadores ainda buscam entender exatamente qual é o tempo que a pessoa transmite o vírus. — Foto: André Mello / Arte O Globo

A velocidade na disseminação dos novos casos intriga especialistas. — Foto: André Mello  / Arte O Globo

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A velocidade na disseminação dos novos casos intriga especialistas. — Foto: André Mello / Arte O Globo

Pesquisadores buscam se houve mutação do vírus da varíola dos macacos. — Foto: André Mello / Arte O Globo

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Pesquisadores buscam se houve mutação do vírus da varíola dos macacos. — Foto: André Mello / Arte O Globo

Desde o início de maio, a varíola dos macacos, causada pelo vírus monkeypox, tem se tornado uma preocupação mundial enquanto ao menos 16 países fora das regiões da África Central e Ocidental – onde o vírus é endêmico – registraram casos da doença. — Foto: André Mello / Arte O Globo

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Desde o início de maio, a varíola dos macacos, causada pelo vírus monkeypox, tem se tornado uma preocupação mundial enquanto ao menos 16 países fora das regiões da África Central e Ocidental – onde o vírus é endêmico – registraram casos da doença. — Foto: André Mello / Arte O Globo

Além de febre, dores na cabeça e no corpo, lesões na pele são um dos sintomas mais característicos da varíola dos macacos. — Foto: Organização Mundial de Saúde (OMS)

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Além de febre, dores na cabeça e no corpo, lesões na pele são um dos sintomas mais característicos da varíola dos macacos. — Foto: Organização Mundial de Saúde (OMS)

Infecção foi identificada pela primeira vez em 1958, com surtos entre macacos

O FBI informou que aproximadamente 20 frascos já foram analisados. Desses, 17 continham vírus mpox inativado.

Embora vírus inativados não sejam infecciosos e sejam utilizados em pesquisas científicas, a legislação americana exige que esses materiais sejam declarados às autoridades e acompanhados das certificações necessárias para comprovar que não oferecem riscos biológicos.

Na denúncia anexada ao processo, o FBI afirma que os cientistas “não apresentaram a verdadeira identificação dos materiais biológicos que transportavam e não forneceram nem possuíam as certificações necessárias”.

O procurador interino do Distrito Leste de Michigan, Jerome F. Gorgon Jr., criticou a conduta atribuída aos pesquisadores.

“Esses especialistas do NIH aparentemente violaram nossas leis ao transportar ilegalmente patógenos virais em um voo comercial lotado vindo de uma área de surto”, afirmou em comunicado.

Defesa afirma que episódio está sendo exagerado

A defesa de Vincent Munster sustenta que o caso está sendo retratado de maneira desproporcional.

Em declaração enviada ao The New York Times, o advogado Mark J. O’Brien afirmou que o episódio “soa muito mais escandaloso do que realmente é”.

Segundo ele, os materiais estavam relacionados a pesquisas voltadas ao combate à mpox.

— Não se trata de um episódio de terrorismo. Isso teria sido feito para promover a pesquisa — declarou.

O advogado acrescentou que “o Dr. Munster deposita sua fé e confiança no sistema federal de justiça criminal” e afirmou que “A política não desempenhará nenhum papel neste caso porque este caso não é sobre política”.

Especialista em doenças infecciosas emergentes, Munster dedica-se ao estudo de como vírus presentes em animais sofrem mutações e passam a infectar seres humanos. Entre suas pesquisas estão trabalhos sobre o papel dos morcegos frugívoros na ecologia do vírus Ebola.

Em 2013, ele fundou a Unidade de Ecologia de Vírus dos Laboratórios Rocky Mountain, cuja missão é “elucidar a ecologia dos vírus emergentes e os fatores que impulsionam as zoonoses e a transmissão entre espécies”.

Caso mobiliza conservadores e parlamentares republicanos

A investigação ganhou repercussão política após a influenciadora conservadora Laura Loomer acusar o instituto de tentar minimizar o episódio.

Ao lado da organização White Coat Waste Project, grupo que defende os direitos dos animais, Loomer transformou Munster e os Laboratórios Rocky Mountain em alvo de críticas entre setores conservadores.

A White Coat Waste Project acusa há anos o pesquisador de conduzir “experimentos imprudentes e cruéis em primatas e morcegos”, que, segundo a entidade, representariam “graves riscos à biossegurança e à segurança nacional”.

Em maio, Loomer e a organização cobraram providências do Congresso e do governo do presidente Donald Trump. Nas redes sociais, a influenciadora questionou por que Munster não havia sido preso e por que o laboratório permanecia em funcionamento.

A pressão também chegou ao Senado. O republicano Tim Sheehy, de Montana, afirmou que “as famílias de Montana merecem respostas e responsabilização” e pediu uma investigação sobre os Laboratórios Rocky Mountain ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos.

Já o senador Rick Scott, da Flórida, classificou as acusações como “inacreditavelmente perturbadoras” e agradeceu às autoridades “por impedir que esses patógenos fossem liberados em nosso país”.

Os promotores, no entanto, não acusaram os virologistas de planejar a liberação dos materiais biológicos transportados.

NIH reforça protocolos de segurança

Os Institutos Nacionais de Saúde informaram que estão colaborando com as investigações e adotaram medidas adicionais de segurança.

Em comunicado, a instituição afirmou ter reforçado a proteção dos laboratórios, restringido acessos e realizado um inventário “para verificar que todos os materiais estavam devidamente registrados, documentados e mantidos em conformidade com todas as políticas, exigências e procedimentos relevantes de biossegurança”.

Munster e Claude Kwe compareceram ao Tribunal Distrital de Missoula, em Montana, entregaram seus passaportes e foram liberados mediante compromisso de comparecimento às próximas etapas do processo.

As autoridades americanas deverão apresentar as provas a um grande júri até o próximo mês, em uma tentativa de obter uma acusação formal contra os dois pesquisadores.

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