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IA vai ajudar a identificar falsos médicos; entenda como

Fonte: estadao.com.br | Data: 09/06/2026 15:28:01

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Falso médico preso aplicou remédio em mulher na rua

Segundo as investigações, Marcos Phelipe de Barros, detido nesta terça, chegou a aplicar Mounjaro em uma paciente fora do ambiente hospitalar. Crédito: Reprodução

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou nesta terça-feira, 9, uma ferramenta de inteligência artificial que será incorporada à Plataforma Nacional de Fiscalização. A novidade busca ampliar a capacidade de identificar irregularidades no exercício da medicina.

Segundo a entidade, entre 2012 e 2023, foram identificadas mais de 9 mil ocorrências relacionadas à prática irregular da profissão. Em média, são registradas diariamente duas denúncias de exercício ilegal da medicina no País.

O caso mais recente foi divulgado no último dia 26, quando um homem foi preso por atuar como médico sem formação em um hospital na zona leste de São Paulo. A polícia apura a ocorrência de ao menos nove mortes de pacientes que teriam sido atendidos por falsos médicos na unidade.

Proposta da ferramenta é transformar a fiscalização do exercício da medicina, hoje baseada em denúncias, em um modelo mais preventivo e orientado por dados.

 

Foto: MrPanya/Adobe Stock

Como vai funcionar a plataforma

De acordo com o CFM, nos últimos dez anos, foram realizadas cerca de 130 mil fiscalizações em aproximadamente 4,9 mil municípios brasileiros. Com a nova ferramenta, a expectativa é aumentar essas ações em 30% nos próximos dois anos.

Responsável pelo Departamento de Inteligência Artificial da entidade, Jeancarlo Cavalcante afirma que a proposta é transformar a fiscalização, hoje baseada principalmente em denúncias, em um modelo mais preventivo e orientado por dados. “Em algumas situações, poderemos antecipar riscos antes mesmo que o dano aconteça.”

A ferramenta utilizará bases de dados institucionais do CFM e dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), históricos de vistorias, registros profissionais e informações públicas de estabelecimentos de saúde.

Também haverá integração com bases externas, como dados da Receita Federal e de redes sociais.

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“Esse é um grande diferencial dessa plataforma, porque ela vai buscar nas redes sociais o exercício do falso médico e o risco à saúde da população brasileira. Aquilo que está nas redes sociais poderá agora ser buscado e homologado por um humano do setor de fiscalização”, explica Cavalcante.

Segundo o CFM, a tecnologia foi desenvolvida em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e com normas que regulamentam a atividade médica, e não substituirá o trabalho dos fiscais.

“O sistema aponta indícios e gera alertas, mas a homologação sempre será feita por um médico fiscal ou pelo Departamento de Fiscalização dos conselhos”, diz Cavalcante.