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Manutenção de rodovias não é despesa, mas investimento’, afirma secretário de Infraestrutura de MG

Fonte: otempo.com.br | Data: 11/06/2026 05:12:22

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Detentor da maior malha rodoviária entre os estados brasileiros, com 272 mil quilômetros de vias, Minas Gerais enfrenta o desafio de equilibrar o desenvolvimento econômico com os custos de manutenção de seus corredores logísticos. Para o secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno Barros de Souza, a superação desse cenário exige uma mudança de mentalidade na gestão pública. “Um primeiro passo importante é entender que a manutenção de rodovias não é uma despesa, mas um investimento”, afirma.

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De acordo com o secretário, o histórico fiscal mineiro limitou os aportes no setor por um longo período. “Ao investir pouco nos últimos 15 anos, vários trechos foram se deteriorando. Temos feito um trabalho de retomada dos investimentos, combinando recursos públicos e privados por meio das concessões”, explica.

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O chefe da pasta detalhará esses e outros planos nesta quinta-feira (11/6), durante participação no painel “Infraestrutura Estratégica: os investimentos que vão transformar Minas Gerais”, no evento O TEMPO Seminários, realizado na Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH).

A estratégia de transferir a operação de trechos rodoviários para a iniciativa privada tem sido um dos pilares da atual gestão para contornar a escassez de recursos. O secretário aponta um crescimento expressivo desse modelo desde o início do governo de Romeu Zema (Novo), que comandou Minas Gerais entre 2019 e março de 2026, quando renunciou ao cargo para disputar a Presidência da República. Desde então, o estado é governado por Mateus Simões (PSD), que era vice-governador.

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“Quando Zema assumiu, em 2019, Minas Gerais tinha apenas um contrato de concessão de rodovia estadual, a MG-050, uma das primeiras PPPs (Parcerias Público-Privadas) do Brasil. De lá para cá, passamos a ter sete contratos. Expandimos significativamente os investimentos em rodovias por meio de parcerias com a iniciativa privada”, ressalta.

Como exemplo prático dessa política, Pedro Bruno cita a BR-135, no trecho que liga Curvelo a Montes Claros, no Norte de Minas. Segundo ele, a via passou por uma “transformação expressiva” nos últimos anos, incluindo a duplicação de diversos quilômetros. “É um ciclo virtuoso: a melhoria da infraestrutura atrai indústrias e serviços, gera emprego e renda e ainda fomenta o turismo de negócios”, defende.

Balanço de investimentos feitos nas rodovias (Divulgação / DER-MG)

Fortalecimento do DER-MG

Apesar do avanço das concessões, o secretário pondera que a privatização não é aplicável a toda a extensão viária de Minas Gerais.

“Temos corredores nos quais não é possível atrair investimento privado. Por isso, precisamos de um DER (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais) forte e de um orçamento robusto para cuidar dos trechos de menor fluxo e garantir sua conservação”, pondera.

O secretário enfatiza que a ausência de manutenção preventiva resulta em prejuízos financeiros a longo prazo, uma vez que a reconstrução de estruturas degradadas exige recursos muito superiores aos necessários para sua preservação regular.

Para fazer frente a essa demanda, a secretaria implementou um programa de conservação da malha viária, dividindo o estado em 40 unidades regionais do DER. Em cada uma delas, há contratos de conservação que atendem entre 500 e 600 quilômetros de rodovias pavimentadas.

Planejamento de longo prazo

Diante da limitação temporal dos mandatos executivos, o secretário reforça que as soluções estruturantes para a mobilidade dependem de planejamento de longo prazo.

“Em quatro anos, não é possível concluir transformações estruturantes. É preciso pensar no longo prazo. O Plano Estadual de Logística de Transporte (PELT) é um planejamento integrado da infraestrutura do estado com horizonte de 20 a 30 anos. Mapeamos os gargalos, identificamos as prioridades e buscamos formas de viabilizar as soluções”, relata.

A consolidação dessa visão de longo prazo é ilustrada pelo titular da Seinfra por meio do projeto de concessão do metrô de Belo Horizonte. De acordo com Pedro Bruno, a iniciativa teve início ainda em 2019, com a estruturação do modelo de concessão, avançando para a assinatura do contrato em 2023.

O projeto, classificado por ele como estruturante, encontra-se atualmente em fase de execução e já resultou na entrega da primeira nova estação do metrô em 20 anos. “As primeiras estações da Linha 2 estarão prontas em breve. O cronograma prevê ainda os novos trens vindos da China. O ciclo completo de investimentos será concluído em 2028, quase dez anos após o início das tratativas, em 2019”, conclui o secretário.

Seminário debate sobre infraestrutura e logística

Nesta quinta-feira (11/6) ocorre, na Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), O TEMPO Seminários, com o tema “Infraestrutura e Logística”. O evento foca os principais desafios e oportunidades para modernizar o setor e impulsionar o desenvolvimento econômico de Minas e do Brasil.

O encontro reunirá autoridades públicas, investidores e empresários para debater temas estratégicos para o desenvolvimento, como investimentos em infraestrutura, concessões, ferrovias, rodovias, mobilidade, transporte de cargas, integração modal, desenvolvimento regional, cidades inteligentes e logística estratégica.

Seminários O TEMPO – Infraestrutura e Logística conta com patrocínio da Codemge, do Grupo SADA, da Prefeitura de Belo Horizonte, da Prefeitura de Contagem, da Prefeitura de Nova Lima e da Prefeitura de Betim. O evento tem oferecimento do Grupo Projeta e da XP Investimentos.