Multiartista Ivana Andrés estreia como poeta em ‘Xeque-mate’
Fonte: em.com.br | Data: 19/06/2026 02:47:59
Artista multidisciplinar, com trânsito pelas artes cênicas, música e artes visuais, Ivana Andrés escreve, há muitos anos, letras de canção, algo que considera distinto da poesia apartada da melodia. Ela conta que sempre padeceu da “inibição tremenda” de se aventurar por essa seara literária. Até a pandemia.
O isolamento e as angústias daquele período fizeram brotar a poeta, que apresenta sua produção recente em “Xeque-mate”, com lançamento neste sábado (20/6), às 11h, no Asa de Papel Café & Arte, com leitura cênica dos poemas a cargo do ator Luciano Luppi, companheiro da autora.
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Ivana diz que, a partir da chegada da pandemia, desaguou em torrente sua verve poética até então estancada. Começou a postar essa produção em canal no YouTube e grupos de WhatsApp. A resposta positiva serviu de estímulo para a publicação do livro.
“Sempre tive facilidade de escrever letras para colocar dentro de uma estrutura musical, mas a poesia, como apresento em ‘Xeque-mate’, veio tardiamente, com a pandemia. Aquele período sofrido foi o detonador dessa coisa”, diz a artista, de 75 anos.
O livro é dividido em três partes, que tratam das angústias da existência e do porvir em diferentes níveis: o íntimo e pessoal, no tomo “O meu dragão”; o coletivo, em “Xeque-mate”; e o transcendental, em “Retiro-me”.
A obra nasceu da observação dos acontecimentos entre 2020 e 2022. “Começo falando das minhas angústias e inquietações, da situação-limite que o xeque-mate representa, mas penso que o livro é, também, oportunidade para discutir o medo e a esperança no coletivo. As crises ao longo da vida podem oferecer um caminho de cura e de novas possibilidades, com o resgate de valores humanistas”, diz.
De acordo com ela, a pandemia fez aflorar sentimentos adversos, da solidariedade à violência. “Assistimos a exemplos de ajuda mútua, mas assistimos, com mais frequência, à erupção do medo e à reação inadequada de países e seus governantes. Infelizmente, estivemos incluídos entre os piores quanto ao enfrentamento da pandemia. Penso que a superação daquele período não pode ter sido apenas uma questão sanitária; urge acontecer a mudança de paradigma”, afirma.
Três etapas
Três eventos fechados, entre abril e maio, prepararam o terreno para o lançamento de “Xeque-mate” neste sábado. Primeiramente, Ivana apresentou o livro com a performance “Cartas poéticas” na Escola Francisco Magalhães Gomes, em Venda Nova, contrapartida à aprovação do projeto de publicação pela Lei Aldir Blanc. Depois, replicou o formato de lançamento no Núcleo de Estudos Márcia Baldi, em um sarau, e na Casa Artô, em uma roda de conversa.
“Cartas poéticas” é espetáculo cênico-musical criado há 30 anos pelo grupo Voz e Poesia, que, além de Ivana e Luppi, contava com o músico Evaldo Nogueira, morto em agosto do ano passado. A autora explica que se trata, efetivamente, de um jogo de cartas.
“Temos umas 80 cartas. A cada apresentação, usamos umas 20. Nelas estão assinaladas uma música e uma poesia. O espectador vem até nós, faz uma pergunta mental e tira uma carta”, detalha. A poesia é lida e a música, composta por Nogueira, geralmente com letra de Ivana, é interpretada.
“Luciano conduz esse espetáculo. Nos últimos lançamentos, sem Evaldo, tenho cantado à capela. Já presenciamos as pessoas chorando copiosamente, porque, às vezes, fazem a pergunta mental e quando tiram a carta, que a gente só vê depois, a resposta poética e musical bate. Isso mobiliza muito as emoções. No lançamento na Asa de Papel, vamos repetir a performance”, informa.
Sarau
O sarau realizado no Núcleo de Estudos Márcia Baldi, um coletivo feminista, foi especialmente marcante para a autora.
“Abríamos o livro em uma página aleatória, líamos o poema e, a partir disso, surgiam dinâmicas de grupo, porque muitos deles se referem a questões femininas. Houve uma troca muito bonita entre as mulheres”, revela Ivana.
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“XEQUE-MATE”
Lançamento do livro de poesia de Ivana Andrés. Neste sábado (20/6), às 11h, na Asa de Papel Café & Arte (Rua Piauí, 631, Santa Efigênia). Entrada franca