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Trem do Forró levava recifenses para o São João de Caruaru

Fonte: jc.uol.com.br | Data: 19/06/2026 05:14:11

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O Trem do Forró nasceu em 2000 com a proposta de resgatar o trecho ferroviário entre Recife e Caruaru, num percurso de 166 quilômetros pela antiga Linha Férrea Central de Pernambuco. Na época, a ferrovia encontrava-se em estado de abandono, mas a iniciativa da agência de viagens Serrambi despertou grande interesse do público. Os bilhetes para a viagem inaugural foram vendidos em apenas três dias, exigindo um trabalho emergencial de recuperação de trechos dos trilhos e de restauração das locomotivas.
A estreia aconteceu em um sábado, com saída às 8h, da Estação Central do Recife. O comboio transportava 970 passageiros distribuídos em dez vagões e tinha chegada prevista a Caruaru às 13h. Durante o trajeto, grupos de forró se apresentavam nos vagões, enquanto os passageiros eram servidos com comidas típicas dos festejos juninos. Em algumas estações, o trem fazia paradas de cerca de 20 minutos para que os viajantes pudessem utilizar os serviços locais e adquirir artesanato e produtos regionais. A principal delas era a Estação de Gravatá, hoje transformada em centro cultural.

A viagem seguia normalmente, atravessando inclusive túneis ao longo da serra pernambucana quando, por volta do meio-dia, ocorreu um incidente a cerca de sete quilômetros de Vitória de Santo Antão, após a passagem por Pombos. Uma das duas locomotivas e dois vagões descarrilaram, provocando apreensão entre os passageiros. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.

Pouco mais de uma hora depois, os técnicos conseguiram recolocar a locomotiva nos trilhos. Os reparos na linha férrea, no entanto, exigiriam várias horas de trabalho. Enquanto alguns passageiros permaneceram nos vagões, outros preferiram aguardar ao lado da ferrovia, em meio à área rural, até que fosse definida uma solução para a continuidade da viagem.

Para evitar o cancelamento da programação em Caruaru, os organizadores decidiram concluir o percurso por estrada. Os 20 ônibus que haviam sido contratados para realizar o transporte de retorno entre Caruaru e Recife foram deslocados para o local do acidente. Assim, às 14h, os passageiros seguiram viagem, numa situação que acabou sendo apelidada de “Ônibus do Forró”.

A recepção em Caruaru foi mantida sem alterações. Organizada pela Secretaria de Turismo, contou com apresentações artísticas e muito forró. A programação incluiu ainda visita ao Alto do Moura e retorno ao Recife no final da noite. Mesmo diante do contratempo, a avaliação dos participantes foi positiva.

De acordo com técnicos da Rede Ferroviária, o descarrilamento foi provocado por problemas nos dormentes, as peças de madeira responsáveis pela sustentação dos trilhos. Segundo o engenheiro encarregado da recuperação da linha, interferências de terceiros eram comuns em alguns trechos da ferrovia. “Tem gente que passa pela linha do trem e tira um grampo ou afasta os dormentes. O Trem do Forró fez a curva, a pista abriu um pouco, fazendo com que um dos vagões pendesse de lado”, explicou.

O episódio não comprometeu o sucesso do projeto. Já na semana seguinte, o Trem do Forró voltou a operar normalmente e permaneceu em atividade durante uma década, consolidando-se como uma das atrações mais populares do ciclo junino pernambucano.

Atualmente, o Trem do Forró continua em atividade, mas em um percurso mais curto, entre Recife e Cabo de Santo Agostinho. Mantendo a tradição, os dez vagões seguem lotados por admiradores dos festejos juninos, que desfrutam de apresentações de forró pé de serra durante a viagem e de uma programação cultural realizada na estação de destino.