Impasse entre EUA e Irã e Durigan movem mercado hoje
Fonte: bpmoney.com.br | Data: 19/06/2026 08:28:47
Com a agenda de indicadores econômicos esvaziada nesta sexta-feira (19), os investidores devem concentrar as atenções no cenário geopolítico e nos sinais da política econômica brasileira.
No exterior, o adiamento das negociações entre Estados Unidos e Irã aumentou a cautela. Além disso, os mercados globais operam com menor liquidez, já que as bolsas à vista dos Estados Unidos permanecem fechadas por causa do feriado de Juneteenth.
No Brasil, a agenda oficial também é enxuta. Ainda assim, a entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao JOTA, às 12h, pode atrair atenção do mercado em busca de novas sinalizações sobre a condução da política econômica e da agenda fiscal.
EUA e Irã adiam negociações
Os Estados Unidos e o Irã adiaram o início das negociações sobre um acordo de paz permanente e a restrição do programa nuclear da República Islâmica.
O encontro estava previsto para ocorrer na Suíça nesta sexta-feira. No entanto, a rodada foi suspensa em meio à escalada das tensões no sul do Líbano, onde Israel e militantes do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, voltaram a entrar em confronto.
O impasse aumenta as incertezas sobre a continuidade do acordo provisório firmado nesta semana entre Washington e Teerã. O entendimento prevê, entre outros pontos, um cessar-fogo no Líbano.
Mercados dos EUA ficam fechados
Além da cautela geopolítica, os investidores também devem lidar com menor volume de negócios no exterior.
As bolsas à vista dos Estados Unidos não operam nesta sexta-feira por causa do feriado de Juneteenth. Dessa forma, a liquidez global tende a ficar reduzida ao longo do pregão.
A combinação entre agenda fraca, feriado americano e ruído geopolítico pode limitar o apetite por risco, especialmente em mercados emergentes.
Durigan pode dar sinais sobre agenda fiscal
No Brasil, o principal evento da agenda é a entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao JOTA, marcada para as 12h.
O mercado deve acompanhar possíveis comentários sobre a situação fiscal, o ritmo da atividade econômica e os impactos de fatores globais no cenário doméstico.
A fala ocorre em uma semana marcada pela decisão do Banco Central de cortar a Selic para 14,25% ao ano. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária deixou em aberto os próximos passos da política monetária, o que manteve investidores atentos à evolução dos riscos fiscais e inflacionários.
Na quinta-feira (18), o Ibovespa fechou em leve queda de 0,1%, aos 168.277,55 pontos.
Lula cumpre agenda em Minas Gerais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda em Minas Gerais nesta sexta-feira.
Pela manhã, Lula visita o Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte. Em seguida, participa do anúncio da entrega dos marcos institucionais de transformação da unidade em um hospital 100% SUS.
À tarde, o presidente segue para Divinópolis, onde visita o Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei. Depois, participa do ato de inauguração da unidade.
Agenda econômica tem ONS no radar
A agenda doméstica de indicadores econômicos é limitada nesta sexta-feira. No Brasil, o mercado acompanha dados semanais do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), incluindo carga de energia e afluência de chuvas.
Embora esses indicadores tenham peso menor para o mercado amplo, eles ajudam investidores a monitorar condições do setor elétrico, especialmente em um momento de atenção aos preços de energia e combustíveis.
Gilmar Mendes libera parte dos processos sobre “pejotização”
No campo jurídico, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou a tramitação de processos sobre “pejotização” na primeira e na segunda instância.
As ações estavam suspensas desde abril do ano passado, até que o STF se manifestasse sobre o tema. No entanto, o decano avaliou que a medida provocou um “significativo represamento” de casos ainda em instrução ou pendentes de julgamento.
Assim, a liberação vale para permitir que as ações avancem nas instâncias inferiores. Depois do julgamento em segundo grau, a suspensão volta a valer até a definição final do STF sobre o tema.
Jaques Wagner segue no foco político
O noticiário político também segue no radar após a operação da Polícia Federal envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Segundo a investigação, Wagner teria sido beneficiário de vantagens econômicas indevidas de ao menos R$ 8,35 milhões para atuar em favor dos interesses do Banco Master.
Na decisão que embasou a operação, o ministro André Mendonça, do STF, afirmou que o senador aparece como suposto beneficiário central das vantagens investigadas.
“O senador Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”, escreveu Mendonça.
Cuba propõe reformas econômicas
No exterior, Cuba também entrou no radar após o primeiro-ministro apresentar a parlamentares um pacote amplo de reformas econômicas.
As medidas têm apoio do Partido Comunista e do ex-líder Raúl Castro. Caso avancem, podem representar a maior mudança isolada no modelo socialista cubano desde a revolução de 1959.
Portanto, entre os pontos em discussão está a privatização de uma parcela relevante da economia, em meio ao impacto das sanções dos Estados Unidos e à tentativa de abrir espaço para maior participação privada.
No corporativo, a Braskem (BRKM5) foi destaque negativo do Ibovespa na quinta-feira. As ações fecharam em queda de 10,27%, a R$ 7,51.
O movimento ocorreu após informações de que a petroquímica e seu novo acionista controlador, a IG4 Capital, enfrentam dificuldades para obter apoio suficiente de credores a uma proposta de reestruturação extrajudicial.
Segundo a Bloomberg, o plano inclui alongamento de vencimentos da dívida, redução de pagamentos de cupons e períodos maiores de carência. No entanto, divergências sobre tratamento entre credores e garantias dificultam o avanço das negociações.
Com isso, a sexta-feira começa com menor liquidez externa, cautela geopolítica e atenção redobrada ao cenário político, fiscal e corporativo no Brasil.
*Com informações da Reuters e Bloomberg.