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Em mais uma agenda em Minas, Lula evita embates

Fonte: em.com.br | Data: 19/06/2026 18:49:11

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SP

Jornalista formada pela Puc Minas, é repórter de Cidades no jornal Estado de Minas.

Repetindo a estratégia adotada horas antes em Belo Horizonte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou entrar em polêmicas durante sua passagem por Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, nesta sexta-feira (19/6). Enquanto ministros e aliados assumiram o papel de responder a adversários políticos, Lula concentrou seu discurso na defesa de investimentos públicos, especialmente nas áreas de saúde e educação.

Recebido com entusiasmo pelo público presente, o presidente foi ovacionado em diversos momentos da cerimônia de inauguração do Hospital Regional de Divinópolis. As manifestações interromperam seu discurso mais de uma vez. Em um dos momentos, uma mulher que acompanhava a solenidade pediu a Lula ajuda para conseguir uma casa. O presidente se aproximou, abraçou a apoiadora, que chorava, e respondeu que “daria um jeito” de ajudá-la.

Ao longo de sua fala, Lula voltou a destacar aquilo que definiu, em suas próprias palavras, como sua “obsessão” de governo: a ampliação dos investimentos em educação e saúde. “O papel de um governante é desafiar o problema e encontrar uma solução. Esse país precisa parar de tratar educação como se fosse gasto”, declarou.

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O presidente não fez qualquer referência, nem mesmo indireta, a adversários políticos. Também evitou comentar as denúncias envolvendo o líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), alvo de operação da Polícia Federal que apura suspeitas de ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Assim como havia ocorrido na agenda da capital mineira, Lula não concedeu entrevista à imprensa.

A agenda em Divinópolis teve como principal objetivo a inauguração do Hospital Regional, cuja gestão foi transferida para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A estrutura foi construída e equipada pelo Governo de Minas com recursos do acordo de reparação firmado com a mineradora Vale após o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019. Posteriormente, a unidade foi doada à universidade para integrar a rede federal de hospitais universitários.

A administração da unidade ficará sob responsabilidade da Rede HU Brasil pelos próximos 20 anos. O custo anual estimado para manutenção é de R$ 341 milhões, dos quais R$ 111 milhões serão financiados pelo Ministério da Saúde e R$ 230 milhões pelo Ministério da Educação.

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Se Lula evitou o confronto político, seus ministros e convidados seguiram caminho oposto. Coube ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fazer o discurso mais contundente do evento ao abordar a disputa em torno dos créditos pela entrega do hospital.

Sem citar nominalmente o ex-governador Romeu Zema (Novo), que já se apresentou como o “pai e a mãe” do Hospital Regional de Divinópolis, Padilha ressaltou que a construção da estrutura física não seria suficiente sem o aporte permanente de recursos para garantir o funcionamento da unidade.

“Tijolo não salva a vida de ninguém. O que salva a vida das pessoas é a estrutura, os equipamentos, mas, sobretudo, o trabalho dos profissionais, das enfermeiras, dos enfermeiros, dos médicos e de todos aqueles que fazem a manutenção do hospital”, afirmou . “Hospital é igual filho. Colocar filho no mundo todo mundo coloca. Mas criar, cuidar, fazer crescer, só quem tem compromisso”, completou.

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A fala ocorre em meio à disputa sobre quem deve receber os méritos pela entrega da unidade. O hospital chegou a ser inaugurado simbolicamente em fevereiro pelo então governador Zema, antes de deixar o cargo, em abril, para disputar a Presidência da República. Na ocasião, porém, a estrutura ainda não estava em operação. O primeiro paciente só foi recebido nesta semana, após a formalização do modelo de gestão e da garantia dos recursos federais para custeio.