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Herdeiro da Ray-Ban intensifica disputa pelo controle da fortuna da família

Fonte: oglobo.globo.com | Data: 21/06/2026 08:12:43

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Leonardo Del Vecchio desafiou publicamente a holding familiar a apoiar sua proposta de compra de € 10 bi das participações de dois irmãos, dias antes da crucial assembleia de acionistas marcada para o dia 30


Leonardo Maria Del Vecchio
Leonardo Maria Del Vecchio — Foto: Franco Origlia/Getty Images via Bloomberg

RESUMO

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GERADO EM: 21/06/2026 – 08:04

Leonardo Del Vecchio desafia família com proposta bilionária na Ray-Ban

Leonardo Del Vecchio, herdeiro da Ray-Ban, intensifica disputa familiar ao desafiar a holding Delfin a apoiar sua proposta de €10 bilhões para adquirir participações dos irmãos Luca e Paola. Sua aquisição aumentaria sua participação para 37,5%, tornando-o o maior acionista e potencialmente resolvendo questões de sucessão. No entanto, o financiamento depende de acordos com grandes bancos europeus. A assembleia em 30 de junho será crucial.

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Leonardo Maria Del Vecchio, herdeiro do império da Ray-Ban construído por seu falecido pai, desafiou publicamente a holding da família a apoiar sua proposta de compra de € 10 bilhões (US$ 11,5 bilhões ou R$ 59 bilhões) das participações de dois irmãos, poucos dias antes de uma crucial assembleia de acionistas marcada para o dia 30 deste mês.

Em uma carta aberta publicada na sexta-feira no site do jornal on-line Quotidiano Nazionale, do qual é proprietário, o empresário de 31 anos acusou o conselho da Delfin Sarl de não fornecer explicações claras para sua mudança de posição em relação a uma transação proposta que o transformaria no maior acionista do veículo de investimentos sediado em Luxemburgo.

“A questão deixou de ser financeira e passou a ser uma questão de governança”, escreveu Del Vecchio, questionando por que as preocupações com o negócio surgiram apenas depois que os acionistas já haviam votado favoravelmente a elementos-chave da transação e após declarações públicas que descreviam a reorganização como uma medida de estabilização.

Sua intervenção intensifica a disputa pelo controle de uma das maiores fortunas da Europa e evidencia os desafios para concretizar a proposta de Del Vecchio diante da complexa estrutura de governança criada por Leonardo Del Vecchio, fundador da Luxottica, cujo império se transformou na EssilorLuxottica SA antes de sua morte, em 2022. O plano busca, em parte, reduzir as divisões dentro da família, que tem enfrentado dificuldades para alcançar consenso em decisões importantes.

Del Vecchio está tentando comprar as participações combinadas de 25% detidas por seus irmãos Luca e Paola na Delfin. A operação elevaria sua participação para 37,5%, tornando-o de longe o maior acionista da empresa e potencialmente encerrando anos de incerteza sobre a sucessão do império familiar.

No entanto, o negócio depende da obtenção de um complexo pacote de financiamento de € 10 bilhões (US$ 11,5 bilhões) junto ao UniCredit SpA, BNP Paribas SA e Crédit Agricole SA — uma das maiores operações de financiamento para aquisição já buscadas por um indivíduo na Europa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Del Vecchio afirmou que os bancos participantes passaram recentemente a buscar maior previsibilidade em relação aos dividendos futuros, à estabilidade do capital e à estratégia de longo prazo da Delfin, à medida que as negociações de financiamento avançavam. Embora essas exigências sejam legítimas, o Conselho da Delfin não conseguiu adotar uma posição unificada e transparente sobre como atendê-las, escreveu ele na carta.

Enquanto persistem dúvidas sobre o financiamento, o presidente da Delfin, Francesco Milleri, está avaliando uma alternativa pela qual a própria holding recompraria as participações colocadas à venda por Luca e Paola Del Vecchio, informou o jornal La Repubblica neste domingo.

A Delfin compraria as ações pela avaliação previamente acordada de cerca de €10 bilhões e as redistribuiria entre os seis herdeiros restantes. Segundo o jornal, a proposta poderá ser apresentada aos acionistas já na assembleia anual do dia 30.

As declarações mais recentes de Del Vecchio intensificam os questionamentos sobre a governança da Delfin, que detém uma participação relevante na EssilorLuxottica e possui investimentos significativos em algumas das instituições financeiras mais estratégicas da Itália, incluindo o Banca Monte dei Paschi di Siena, a Assicurazioni Generali e o UniCredit.

Com um valor patrimonial líquido superior a €40 bilhões, a Delfin tornou-se um ator influente no cenário corporativo italiano, frequentemente ocupando posição central em discussões sobre consolidação bancária e operações no setor financeiro.

Os herdeiros se reunirão no fim do mês para a assembleia anual da holding, na qual serão aprovados os resultados financeiros e a distribuição de dividendos.

“A reunião de 30 de junho não será sobre dividendos, balanço patrimonial ou a conclusão da operação”, escreveu Del Vecchio. “Ela tratará de algo mais profundo: a própria natureza e o futuro da Delfin.”

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