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El Niño deve deixar inverno menos frio e mudar regime de chuvas no Brasil

Fonte: vitorianews.com.br | Data: 21/06/2026 08:25:40

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O inverno começou neste domingo (21) no Hemisfério Sul com uma característica diferente para o Brasil. Tradicionalmente marcada por queda nas temperaturas, a estação deve ter menos frio intenso em 2026 por causa da influência do El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

A previsão é de um inverno mais ameno em boa parte do país, especialmente a partir de agosto. Isso não significa ausência de frio, mas indica que as massas de ar polar devem ter atuação mais curta e menos persistente ao longo da estação.

O cenário foi apontado em estudo da consultoria em meteorologia Nottus. Segundo o levantamento, o inverno ainda pode começar com episódios de temperaturas mais baixas, mas o avanço do El Niño deve limitar a formação de ondas de frio prolongadas nos próximos meses.

O El Niño ocorre quando as águas superficiais de uma faixa do Pacífico Equatorial ficam pelo menos 0,5°C acima da média. A mudança altera a circulação dos ventos e influencia o comportamento das chuvas e das temperaturas em várias regiões do planeta.

No Brasil, os efeitos costumam variar de acordo com a região. A tendência é de chuva acima da média no Sul, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar precipitações mais irregulares e menos intensas, aumentando a possibilidade de seca em algumas áreas.

No Centro-Oeste e em parte do Sudeste, o inverno deve ter períodos de tempo seco, maior amplitude térmica e episódios de calor fora de época. Os chamados veranicos, quando há vários dias seguidos de tempo firme e temperaturas elevadas em pleno outono ou inverno, podem ocorrer com mais frequência no interior do país.

Para julho, o estudo indica possibilidade de chuva acima da média entre áreas do Sudeste e do Centro-Oeste. No Sul, os volumes devem ganhar força a partir do interior da região. Já em agosto, a chuva deve se concentrar mais no extremo Norte, na faixa leste do Nordeste e novamente no Sul.

A partir de agosto, a tendência é de aumento gradual das temperaturas em áreas do interior do Brasil. A combinação de tempo seco e ventos do Norte pode favorecer ondas de calor, principalmente na segunda metade do inverno.

Em setembro, a chuva deve ganhar força no Sul, com volumes acima da média histórica em algumas áreas. No Nordeste, por outro lado, a previsão aponta precipitação abaixo da média nas faixas leste e norte.

Apesar da expectativa de mais chuva na Região Sul, o estudo não indica, neste momento, risco de eventos extremos semelhantes às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Ainda assim, meteorologistas reforçam que o monitoramento deve continuar, já que o El Niño pode se intensificar ao longo do segundo semestre.

O fenômeno também terá impacto sobre o setor elétrico. Como a matriz brasileira depende fortemente das hidrelétricas, a distribuição das chuvas influencia diretamente o nível dos reservatórios. Para 2026, a chuva no Sul e em parte do Sudeste pode ajudar o sistema. O cenário para 2027, no entanto, exige atenção maior, especialmente se houver aumento do consumo de energia por ondas de calor e redução das chuvas no Norte e no Nordeste.

A expectativa é de que o El Niño siga atuando pelo menos até o primeiro semestre de 2027. Caso o fenômeno ganhe força entre a primavera e o verão, seus impactos poderão ser sentidos com mais intensidade na agricultura, no abastecimento de água, na geração de energia e na prevenção de desastres climáticos.

Fonte: Agência Brasil, Nottus, Inmet e NOAA.