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São Paulo

Foto para ilustrar matéria sobre incidente no IpenANSN solicitou esclarecimentos após incidente no Ipen em maioFoto: Marcos Santos/USP Imagens/ND Mais

A ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) solicitou esclarecimentos após a denúncia de uma contaminação por material radioativo no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), localizado no campus da Universidade de São Paulo (USP).

Apesar de as autoridades descartarem riscos à população, o caso abriu espaço para questionamentos sobre fiscalização, protocolos de emergência e os perigos reais associados à exposição à radiação.

Incidente no Ipen: entenda o que aconteceu

O incidente no Ipen ocorreu em 29 de maio, mas só veio a público em junho após denúncias de entidades que representam servidores da instituição, como o Sindsef-SP (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo) e a Assipen (Associação dos Servidores do Ipen).

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Segundo a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), traços de tecnécio-99 foram identificados durante um procedimento no Centro de Radiofarmácia do Ipen, responsável pela produção de radiofármacos utilizados em diagnósticos e tratamentos médicos.

A contaminação teria atingido inicialmente a vestimenta de um técnico durante um procedimento de rotina. Posteriormente, um segundo trabalhador teve o calçado contaminado por um resíduo residual identificado próximo ao equipamento. Ambos passaram por exames e não apresentaram contaminação interna.

“As contagens detectadas foram baixas e demonstraram que não houve contaminação interna. A contaminação ficou restrita à área controlada, do Centro de Radiofarmácia do Instituto”, disse o CNEN em nota.

Incidente no Ipen levantou dúvidas sobre regras de monitoramento e controle do setor nuclearFoto: Roberto Fraga/Ipen/Divulgação/ND MaisIncidente no Ipen levantou dúvidas sobre regras de monitoramento e controle do setor nuclearFoto: Roberto Fraga/Ipen/Divulgação/ND Mais

O Ipen informou que os detectores da instalação identificaram imediatamente a ocorrência e que os protocolos foram acionados para isolar a área e remover os vestígios do material radioativo.

Quais são os riscos reais de um acidente radiológico

Especialistas diferenciam acidentes radiológicos de acidentes nucleares. Um acidente radiológico envolve a liberação ou exposição indevida a materiais radioativos, geralmente em hospitais, centros de pesquisa ou instalações industriais. Já acidentes nucleares envolvem falhas em reatores ou sistemas de geração de energia nuclear, com potencial de impacto muito maior.

Os riscos à saúde dependem principalmente da quantidade de radiação liberada, do tempo de exposição e da forma de contato com o material. Em casos mais graves, a radiação pode provocar queimaduras, danos celulares, aumento do risco de câncer e outros problemas de saúde. No episódio do Ipen, entretanto, os órgãos responsáveis afirmam que os níveis identificados foram baixos e permaneceram confinados à área controlada.

O tecnécio-99, substância envolvida no incidente no Ipen, é amplamente utilizado na medicina nuclear para exames diagnósticos. Seu uso é considerado seguro quando manipulado dentro dos protocolos estabelecidos pelas normas de radioproteção.

Quem fiscaliza as atividades nucleares no Brasil

Atualmente, a segurança nuclear brasileira é acompanhada por diferentes órgãos. A CNEN atua na área técnica e operacional das atividades nucleares, enquanto a ANSN, criada recentemente, exerce a função reguladora e fiscalizadora independente.

Após o incidente no Ipen, a ANSN abriu uma investigação técnica e solicitou documentos e registros para avaliar se todos os procedimentos previstos pelas normas de segurança foram cumpridos. O órgão também estabeleceu prazo para que informações complementares fossem apresentadas pelo instituto.

A CNEN afirma que não houve contaminação interna dos trabalhadores nem riscos à população. Segundo o órgão, o incidente consta em ROI (Relatório de Ocorrência Interna) nº 04/2026, de 29 de maio de 2026

O relatório segue para análise da ANSN. “O documento foi elaborado por profissionais habilitados em proteção radiológica, que analisaram detalhadamente o episódio envolvendo a presença de traços de tecnécio-99 durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave utilizada no processo produtivo do radiofármaco. Além disso, aponta as medições realizadas, os procedimentos adotados e os resultados obtidos”, disse a comissão.

Já a ANSN informou que continua analisando a documentação do caso para verificar se houve falhas operacionais ou necessidade de aperfeiçoamento dos protocolos de segurança.