Sete das oito regiões de SC estão com taxa de ocupação dos leitos de UTIs acima de 90%
Fonte: ndmais.com.br | Data: 23/06/2026 16:09:32
Ocupação dos leitos de UTIs acima de 90% em Santa CatarinaFoto: Divulgação/Pixabay/ND Mais
As taxas de ocupação dos leitos de UTIs das regiões do estado de Santa Catarina são dados segundo o Painel de Leitos da SES (Secretaria de Estado da Saúde) e são atualizadas desta terça-feira (23).
Sete das oito regiões de Santa Catarina definidas pelo Ciege (Centro de Informações Estratégicas para a Gestão do Sistema Único de Saúde) estão com as taxas acima de 90%, sendo elas:
- Grande Oeste (99,0%)
- Meio Oeste (97,4%)
- Planalto Norte e Nordeste (95,8%);
- Serra Catarinense (94,1%);
- Grande Florianópolis (93,3%);
- Vale do Itajaí (91,3%) e
- Foz do Rio Itajaí (91,0%).
A taxa média de ocupação do Estado é de 92%, sendo que os leitos ativos são 1.494 e os ocupados já chegam a 1.319. O número atual de leitos disponíveis em todo o Estado é de 115. Até a publicação desta matéria.
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Taxas separadas por setor de UTIs ‘Neonatal, Pediátrico e Adulto’
Além da alta taxa geral de ocupação, os dados da Secretaria de Estado da Saúde também mostram o cenário por tipo de atendimento intensivo. Os leitos são divididos entre UTI Neonatal, destinada a recém-nascidos, UTI Pediátrica, para crianças, e UTI Adulto. A separação permite identificar quais áreas da rede hospitalar enfrentam maior pressão e demanda por internações em Santa Catarina.
UTIs Neonatal:
Os leitos de UTIs Neonatal, destinados ao atendimento de recém-nascidos de até 28 dias de vida, também apresentam cenário de alerta em Santa Catarina. Em algumas regiões, a ocupação já atingiu o limite máximo, reduzindo a capacidade de resposta da rede hospitalar para casos que exigem cuidados intensivos especializados.
- Nas regiões Grande Oeste e Foz do Rio Itajaí, as UTIs Neonatal tem ocupação máxima de 100% registradas, um número que assusta as famílias que possuem bebês entre 0 e 28 dias de vida.
- Acima de 90% a Região do Meio Oeste e da Grande Florianópolis marcam respectivamente 95,7% e 91,2% de taxa de ocupação.
- As demais regiões do Estado estão registrando os seguintes dados de ocupação por leitos: Vale do Itajaí (88,7%), Serra Catarinense (82,4%), Planalto Norte e Nordeste 84,8% e Região Sul (71,1%).
Ao todo no Estado são 277 leitos ativos e 242 leitos ocupados. Os leitos disponíveis estão na marca de 35.
Os leitos de UTIs Neonatal, destinados ao atendimento de recém-nascidos de até 28 dias de vida, apresentam cenário de alerta em Santa CatarinaFoto: Robson Valverde/SES/Reprodução/ND Mais
UTIs Pediátrico:
A situação dos leitos de UTIs Pediátrica, voltados ao atendimento de crianças e adolescentes, também demanda atenção. Os dados mostram que parte das regiões catarinenses opera próxima da capacidade máxima, o que pode impactar a disponibilidade de vagas para pacientes que necessitam de tratamento intensivo.
- Na região do Grande Oeste as UTIs Pediátricas registram a ocupação máxima de 100%, sem nenhum leito disponível, dificultando o atendimento à população de 29 dias de vida a 14 ou 18 anos incompletos.
- Próximo também à superlotação se encontra a Região do Planalto Norte e Nordeste com 97,4%.
- Já a Serra Catarinense e a Grande Florianópolis registram entre 80,0% e 83,3%, respectivamente.
- A Região do Vale do Itajaí está com 67,5% e do Rio Itajaí com 60,0%. e a Região Sul é a única que registra um número relativamente “baixo” em relação as outras, com 43,5% de ocupação.
Ao todo no Estado são 192 leitos ativos e 148 leitos ocupados. Os leitos disponíveis estão na marca de 44.
Dados mostram que parte das regiões catarinenses opera próxima da capacidade máximaFoto: Mauricio Vieira/Governo de SC/ND Mais
UTIs Adulto:
Responsáveis pela maior parcela dos leitos de terapia intensiva do Estado, as UTIs Adulto registram os índices mais elevados de ocupação em Santa Catarina. Em diversas regiões, a disponibilidade de vagas é considerada crítica, com taxas próximas ou iguais a 100%, indicando forte pressão sobre a rede hospitalar.
- Na região da Serra Catarinense os leitos de UTIs estão todos ocupados, com a taxa de 100% impossibilitando de receber pacientes a partir de 18 anos de idade.
- Acima de 96% estão as regiões, Grande Florianópolis (96,1%), Vale do Itajaí (97,6%), Planalto Norte e Nordeste (98,0%), Foz do Rio Itajaí (98,4%), Grande Oeste (98,6%) e Meio Oeste (99,1%).
- Novamente abaixo de todas as regiões esta a Região Sul, com 85,8% de taxa de ocupação.
Ao todo no Estado são 965 leitos ativos e 929 leitos ocupados. Os leitos disponíveis estão na marca de 36.
As UTIs Adulto registram os índices mais elevados de ocupação em Santa CatarinaFoto: Reprodução/Freepik
Ampliação de rede púbica de UTIs no Estado
Santa Catarina destacou-se nacionalmente como o estado que mais incorporou leitos de UTIs SUS no país nos últimos anos. Entre 2023 e meados de 2025, o Governo do Estado abriu 291 novos leitos de UTIs públicos, elevando a rede catarinense para a marca de 1.459 leitos ativos.
A distribuição focou em descentralizar o atendimento por todas as macrorregiões do estado e abrangeu diferentes perfis:
- 153 leitos Adultos;
- 73 leitos Pediátricos,
- 65 leitos Neonatais.
Essa ampliação na infraestrutura hospitalar foi um dos pilares para ajudar a reduzir as filas de cirurgias eletivas de alta complexidade no estado.
O desafio atual da rede para 2026:
Ocupação dos leitos de UTIs acima de 90%
Apesar do recorde de abertura de vagas, a rede pública de saúde de Santa Catarina enfrenta um momento de extrema pressão estrutural. Dados recentes da Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam um cenário crítico:
Lotação geral superior a 90%: O estado opera hoje com mais de 92% de ocupação média em seus leitos de UTI.
Gargalos regionais: O Grande Oeste, a Serra Catarinense e a Foz do Rio Itajaí registram os índices de maior saturação, com regiões operando perto de 98% de ocupação.
Vagas Neonatais esgotadas: Três regiões específicas estão com 100% de ocupação nos leitos voltados a recém-nascidos.
Essa sobrecarga ocorre de forma cíclica devido ao aumento de doenças respiratórias no inverno e à alta demanda por procedimentos cirúrgicos.