Ação mira banco de Edir Macedo; PF vê repetição de fraude do Master
Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 24/06/2026 01:29:53
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O BISPO Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário do Grupo Record
A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Miragem para investigar supostas fraudes contábeis e de gestão no Banco Digimais. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 670 milhões em bens de investigados, como o líder da Igreja Universal, Edir Macedo, controlador da instituição. Segundo a PF, o banco teria utilizado uma estrutura de fundos de investimento para maquiar um rombo bilionário e inflar artificialmente seu patrimônio.
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra dirigentes do Digimais, como o bispo João Urbaneja, considerado homem de confiança de Macedo; seu filho Thiago Urbaneja; e os executivos Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero. Edir Macedo não foi alvo de buscas por morar fora do Brasil. Também foram alvo da operação José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, sócios da ID, gestora responsável por fundos ligados ao banco.
De acordo com a investigação, após assumir o controle da instituição Macedo direcionou o banco para operações de crédito consignado e financiamento de veículos. Depois de um período inicial de expansão, a situação financeira teria se deteriorado de forma acentuada. Entre 2023 e 2024, o Digimais passou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração superior a 110% do CDI.
A PF sustenta que o banco adotou uma prática sistemática de superavaliação de ativos mantidos em fundos administrados pela ID, com o objetivo de inflar seu patrimônio e viabilizar novas captações. Segundo os investigadores, a estratégia reproduziu o modelo utilizado pelo Banco Master, atraindo investidores por meio da confiança na cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) enquanto eram emitidos títulos com rentabilidade acima dos padrões de mercado.
Segundo a PF, uma cadeia de fundos administrados pela ID adquiriu esses direitos por cerca de R$ 71 milhões, mas sucessivas reavaliações elevaram seu valor contábil para R$ 741 milhões. Para os investigadores, a operação constitui forte indício de manipulação patrimonial e inserção de informações falsas em demonstrações financeiras.
A investigação também aponta que o Digimais acumulou cerca de R$ 600 milhões de exposição a carteiras de crédito do Banco Master. Na avaliação dos federais, a situação financeira da instituição ficou diretamente ligada à proposta de venda do controle do Digimais ao BTG Pactual. Segundo a PF, informações públicas indicam que a operação dependeria de uma injeção de aproximadamente R$ 7 bilhões pelo FGC para cobrir o déficit do banco.
RESPOSTA
Em nota, o Digimais afirmou que permanece à disposição das autoridades. A instituição disse reafirmar seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com os órgãos competentes. Já a ID declarou que adota rigorosos padrões de governança e que demonstrará às autoridades a regularidade de suas operações.