Insônia: remédio que promete risco menor de dependência chega ao Brasil
Fonte: veja.abril.com.br | Data: 27/08/2026 18:04:47
Um novo medicamento para o tratamento de insônia que se apresenta como uma opção “sem evidências de risco de dependência” deve chegar ao mercado brasileiro ainda neste semestre. Trata-se do lemborexante, de nome comercial Dayvigo, que tem um mecanismo de ação focado em promover a transição para o sono de forma mais parecida com o padrão natural.
O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril do ano passado. Em estudos de fase 3, demonstrou ser eficaz em pacientes com dificuldades de adormecer e manter o sono não só em relatos, mas em exames de polissonografia.
“O novo medicamento consiste em uma opção a ser disponibilizada para a insônia, uma condição que afeta a qualidade vida e predispõe a comorbidades físicas e mentais, que se mostrou eficaz tanto para o início quanto para a manutenção do sono”, disse, em informe sobre o registro, a Anvisa.
A vinda do remédio para o Brasil é resultado de uma parceria entre a companhia japonesa Eisai Laboratórios, detentora do registro, e a brasileira Eurofarma, que será responsável pela distribuição e venda no país. O preço de lançamento será de, aproximadamente, R$ 200.
No Brasil, segundo a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, três em cada dez brasileiros (31,7%) têm sintomas de insônia.
Como o remédio funciona
Descoberto pela Eisai, o lemborexante é uma molécula que inibe a orexina, neurotransmissor ligado ao estado de alerta e vigília. Ao se ligar aos seus receptores, ajuda a dormir e a manter o sono durante a noite.
Em um estudo que comparou intervenções com medicamentos em adultos com insônia, publicado no periódico The Lancet em 2022, o lemborexante entrou para o grupo de remédios que demonstrou benefícios em tratamentos prolongados, como períodos acima de três meses.
“Estudos realizados com adultos e idosos também demonstraram que o lemborexante não está associado a efeitos residuais matinais clinicamente relevantes, como redução da estabilidade postural ao despertar ou prejuízo da capacidade de dirigir pela manhã. Adicionalmente, o medicamento não compromete a capacidade de despertar em resposta a estímulos sonoros”, disse, em nota, a Eurofarma.
Um ponto destacado no anúncio da chegada da medicação é o fato de que ela não desencadeou sintomas de abstinência quando o tratamento foi interrompido. Isso acaba sendo um diferencial em relação aos tratamentos disponíveis atualmente.
O zolpidem, por exemplo, tem sido associado a episódios de dependência desde a pandemia de covid-19, principalmente com o uso indiscriminado, sem contar as alucinações e comportamentos que fogem do padrão dos pacientes, como compras não planejadas.
Normalmente, a recomendação médica é de que ele não seja administrado por mais do que quatro semanas e, desde 2024, o zolpidem entrou para a categoria de remédios de tarja preta.
Riscos da insônia
Conviver com insônia não impacta apenas as noites. Durante o dia, é mais difícil se concentrar, o humor muda, o rendimento cai e, em longo prazo, condições como depressão, ansiedade e até problemas cardiovasculares podem aparecer. A privação de sono aumenta ainda o risco de acidentes de carro ou no local de trabalho.
Dormir pouco, ou seja, menos de sete horas por noite, também está relacionado com ganho de peso e quadros de obesidade.
Segundo um estudo publicado neste ano, a restrição de uma hora e meia de sono por noite em um período de um mês e meio já pode levar ao aumento de quase meio quilo, maior circunferência da cintura e mais volume corporal.