Festival do Rio revela seleção com novos filmes de Grace Passô, Selton Mello, Marina Person e mais
Fonte: vogue.globo.com | Data: 27/08/2026 18:38:51
Principal vitrine do cinema brasileiro no festival reúne 101 produções e destaca uma safra que vai do cinema queer ao horror, passando por documentários, novos diretores e grandes nomes da produção nacional
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/B/w/fkO1hnRfOYOtRBITz9wA/captura-de-tela-2026-07-17-180621.webp)
O Festival do Rio volta a colocar o cinema brasileiro no centro da programação. A cidade recebe a 28ª edição do evento entre 1º e 11 de outubro, e a organização acaba de anunciar, nesta quinta-feira (27.08), os 101 filmes da Première Brasil, principal mostra dedicada à produção nacional. Entre os títulos que chegam ao Rio está London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, que fará sua estreia mundial na Semana da Crítica do Festival de Veneza antes de desembarcar na cidade. O longa, protagonizado pelo próprio Di Marco, acompanha um jovem com deficiência que trabalha em uma casa de fetiches e se vê diante da possibilidade de ter sua vida definida por um diagnóstico médico. A partir daí, o filme coloca em primeiro plano temas como desejo, capacitismo e autonomia do próprio corpo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/G/l/2RdBxFRh6I1vzaUQfMBQ/professorafrances.jpg.webp)
Outro destaque é A Professora de Francês, novo longa de Ricardo Alves Jr., estrelado por Grace Passô. Antes do Rio, o filme terá sua première mundial no Festival de San Sebastián. Passô interpreta Graça, uma professora particular que vive com a namorada francesa em Belo Horizonte e retorna ao bairro onde cresceu depois de uma emergência de saúde do pai. O reencontro com a comunidade ganha contornos sombrios quando ela se aproxima de um grupo religioso que parece querer devolvê-la ao lugar que, para eles, deveria ocupar. O filme usa códigos do suspense, do thriller psicológico e do horror para falar de intolerância, homofobia e fanatismo — um recurso que se repete em outros títulos da seleção.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/A/6/b3qJ2ORFSgLd246sax5Q/isabel-sem-logo.webp)
Tem ainda Isabel, de Gabe Klinger, protagonizado por Marina Person. Depois de passar pelo Festival de Berlim, o longa chega ao Rio para sua première nacional. Person interpreta uma sommelière frustrada com a alta gastronomia paulistana que sonha em abrir o próprio bar de vinhos. Rodado em 16 milímetros e em locações reais, o filme acompanha a personagem em busca de um caminho mais independente, enquanto Klinger constrói um retrato de São Paulo a partir de comida, vinho e desejo de reinvenção.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/g/3/Q0eoIiQfyBKw8miPkAfg/la-perra-rt-features-02.jpg)
O cinema brasileiro também aparece em diálogo direto com a produção internacional. É o caso de La Perra, da chilena Dominga Sotomayor, coprodução entre Brasil e Chile que passou pela Quinzena dos Realizadores de Cannes, onde recebeu a Palm Dog. O filme acompanha Silvia, uma mulher que vive em uma ilha no sul do Chile e cuja relação com uma cadela chamada Yuri desencadeia desejos e feridas do passado. O elenco tem Manuela Oyarzún e Selton Mello, em mais uma produção internacional do ator brasileiro.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/l/K/l5gE73Qa2x0AwpVcqaQg/privadas-de-suas-vidas-02.webp)
Também na chave de gênero está Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner. Exibido originalmente em Rotterdam, o longa mistura humor ácido e horror para acompanhar uma mãe em luto que tenta se reconectar com o filho adolescente, uma pessoa não binária. A dupla se envolve em uma situação cada vez mais absurda durante um chá revelação, enquanto uma maldição transforma os banheiros do prédio em cenário de violência. O elenco reúne Martha Nowill, Benjamín, Otávio Müller, Maria Gladys, Chandelly Braz, Marco Pigossi e Regina Braga.
Furies, do libanês Rami Kodeih, faz sua estreia brasileira no Festival do Rio depois de passar por Veneza e Toronto. O filme acompanha duas irmãs que decidem assaltar um banco depois que o sistema financeiro do Líbano bloqueia o dinheiro reservado para uma cirurgia. Já Glaxo, de Benjamín Naishtat, leva o público à Argentina de 1957 para acompanhar quatro amigos cuja vida muda com a chegada de um ex-policial e sua esposa. Com Lali Espósito no elenco, o filme passou por Toronto e San Sebastián.
Entre os documentários, a seleção traz Elza, de Eryk Rocha, sobre a trajetória de Elza Soares; A Extraordinária Vida de Vera Valdez, de Fabio Meira, sobre a modelo e atriz; e Aldir Blanc – Resposta ao Tempo, de Marcus Fernando e Hugo Sukman, sobre o compositor. A seleção também guarda espaço para a história do próprio cinema. Em Hors Concours Especial, o festival apresenta cópias restauradas de filmes como O Tempo e o Lugar, de Eduardo Escorel, Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho, e o curta Tarantino’s Mind, de 300ml.
Na competição, o Festival do Rio distribuirá o Troféu Redentor em diferentes categorias. Ao todo, 45 filmes concorrem aos prêmios, enquanto 15 longas chegam ao festival em estreia mundial. A programação ainda inclui uma nova mostra, Nova Geração, dedicada a filmes brasileiros voltados ao público jovem e às famílias, além de cinco séries nacionais. Outra novidade é que, nesta edição, a Première Brasil não fica restrita aos grandes cinemas da Zona Sul: parte da programação chega ao Circuito Cine Carioca, com sessões no Parque de Realengo e na Areninha Cultural Renato Russo, na Ilha do Governador.
Assine a nossa newsletter!
Tudo que você precisa saber, diretamente no seu e-mail. É rápido e gratuito.
Mais recente
Próxima
Yayoi Kusama, ícone da arte contemporânea, morre aos 97 anos