Brasil já fabrica mais da metade dos medicamentos e insumos usados pelo SUS
Fonte: jornaldealagoas.com.br | Data: 28/08/2026 17:02:56
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta sexta-feira (28) que o Brasil já produz mais de 50% dos medicamentos e insumos farmacêuticos utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), superando uma importante marca para o setor.
Segundo Padilha, a meta do governo é ampliar essa participação para 70% até 2033, consolidando a autonomia nacional na área da saúde.
“O Brasil hoje já ultrapassou 50% de produção daquilo que consome, isso foi um avanço e vamos continuar perseguindo essa luta para poder chegar a 70% de produção local”, destacou Padilha.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o ministro ressaltou que o compromisso do governo federal reforça a soberania do país, especialmente diante de disputas comerciais internacionais, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos, e de conflitos como o entre EUA e Irã, que dificultam o transporte de medicamentos e insumos pelo estreito de Ormuz.
“Toda vez que se faz algo absurdo como esse nas trocas comerciais, quem sofre são exatamente os países em desenvolvimento, as populações mais vulneráveis, e que sempre pode afetar, inclusive, a oferta de insumos na área da saúde. Os conflitos bélicos também impactam no transporte de medicamentos e de insumos tão essenciais para a área da saúde”, afirmou.
Padilha destacou ainda que o Brasil retomou a produção de insulina após 20 anos, graças a parcerias com Índia e China, e passou a atuar na produção de vacinas de RNA mensageiro, com apoio de países e empresas europeias.
O ministro ressaltou que esse movimento permite a consolidação de plantas industriais para produtos biológicos de alto custo, antes inexistentes no país.
“Tem uma ação soberana de diversificação das relações de cooperação e também uma exigência, ao usar o poder de compra do SUS, de aumentar a produção local e as capacidades nacionais”, disse Padilha.
Apesar das tensões comerciais, Padilha frisou que o Brasil mantém parcerias com instituições e empresas norte-americanas para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde.
“Nós não ficamos esperando dependentes da cooperação com apenas um país. Mantivemos relações, vamos manter com instituições universitárias e empresas dos Estados Unidos. Várias delas transferem tecnologia para o Brasil, como no caso da vacina da bronquiolite, que conta com transferência para um laboratório público brasileiro”, acrescentou.
O ministro também citou a diversificação da produção dos medicamentos GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
“O Brasil entrou com ação firme de diversificação aqui no país. Já são sete regiões brasileiras, quatro delas com empresas nacionais, que vão poder produzir esses medicamentos”, afirmou.
Padilha concluiu destacando que o Brasil reafirma sua soberania não só no campo político e diplomático, mas também na expansão de cooperações internacionais. “Hoje, pela agenda da saúde, o Brasil coopera com os principais países do mundo”, finalizou.
O ministro Alexandre Padilha participou nesta sexta-feira (28) da 2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde 2026, promovida pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro.
Por Sputnik Brasil