Chefes do CV foragidos no RJ ordenam ameaças a candidatos em campanha eleitoral no Ceará
Fonte: goldblackfm.com.br | Data: 29/08/2026 04:27:28

Chefes do CV foragidos no RJ ordenam amea�as a candidatos em campanha eleitoral no Cear� (Foto: Reprodução)
Homem � preso suspeito de amea�as no contexto eleitoral a mando de chefe do CV, no Cear�.
Amea�as, coa��o, taxas exorbitantes. Al�m do tr�fico de drogas, o Comando Vermelho tem mirado novos alvos para ampliar e demonstrar dom�nio territorial: os candidatos a cargos pol�ticos nas elei��es do Cear�. As ordens para as a��es criminosas viajam mais de 3 mil quil�metros, saindo do Rio de Janeiro, onde chefes da fac��o est�o foragidos, e chegando ao Cear�.
O g1 apurou que, pelo menos, dois chefes da fac��o no Cear� ? escondidos no Rio de Janeiro, ber�o do grupo criminoso ? ordenaram as amea�as em cidades cearenses. Um deles � Johnathan Amaro Cabral, conhecido como “Bod�”, um dos criminosos mais procurados do Cear�. Ele � apontado como mandante de amea�as a candidatos em Maranguape, na regi�o metropolitana de Fortaleza.
O outro chefe do Comando Vermelho � Manoel Valberci Rocha Nascimento, conhecido como ?Berci?, que estaria foragido na Favela da Rocinha. Ele seria o mentor de amea�as ao prefeito de Forquilha, na regi�o norte do estado ? onde a fac��o cobrou R$ 200 mil para ?permitir? a campanha eleitoral.
J� em outros munic�pios do estado, como Sobral e Santana do Acara�, a mesma fac��o criminosa tamb�m tenta interferir nas campanhas eleitorais. Em um dos casos, o CV cobrou R$ 60 mil para que candidatos pudessem usar ruas e espa�os p�blicos municipais para pedir votos.
O g1 questionou a Secretaria da Seguran�a P�blica e Defesa Social do Cear� (SSPDS) sobre as ordens aos faccionados no estado, vindas do Rio de Janeiro. Em nota, o �rg�o disse que as For�as de Seguran�a refor�aram o policiamento na regi�o de Forquilha por meio de a��es ostensivas, intensivas e investigativas das Pol�cias Militar e Civil por tempo indeterminado (veja mais abaixo).
Johnathan Amaro Cabral, conhecido como “Bod�”, chefe do CV, e Ricardo Vasconcelos da Cruz, preso em Maranguape (CE).
SSPDS/Pol�cia Civil/Reprodu��o
Amea�as a candidatos
Os membros da fac��o criminosa usam de artif�cios principalmente tecnol�gicos para realizar as amea�as, como redes sociais e liga��es telef�nicas. Ricardo Vasconcelos da Cruz, de 19 anos, foi preso, nesta quarta-feira (26), suspeito de amea�ar candidatos, com o objetivo de impedir campanhas eleitorais, em Maranguape, na regi�o metropolitana de Fortaleza.
As amea�as foram feitas por meio de publica��es em redes sociais, popularmente conhecidas como ?salves?, que servem como uma esp�cie de informativo do grupo criminoso.
Ricardo passou por audi�ncia de cust�dia no dia seguinte, e a Justi�a Estadual manteve a pris�o. Na decis�o, o juiz afirmou que o crime “n�o se trata de mera amea�a individual ou de simples manifesta��o opinativa. A conduta instrumentalizada pelo autuado atinge diretamente a paz p�blica, a seguran�a da coletividade e o exerc�cio dos direitos pol�ticos democr�ticos”.
“A postagem trazia elementos visuais e linguagem corporativa diretamente alusivos � fac��o criminosa Comando Vermelho – CV (gesto n�mero ‘2’, emoji de bandeira vermelha e jarg�o ‘diretoria’), ordenando a cess�o compuls�ria do debate eleitoral sob expl�cita amea�a � vida e integridade f�sica de correligion�rios e cidad�os locais”, refor�ou o juiz.
Na delegacia, Ricardo foi autuado em flagrante por integrar organiza��o criminosa e pela pr�tica de amea�a no contexto pol�tico e eleitoral. Ele foi colocado � disposi��o da Justi�a. A Pol�cia Civil disse que segue com o trabalho investigativo para identificar outros envolvidos.
Dois homens s�o presos suspeitos de amea�ar agentes pol�ticos no interior do Cear�.
J� no dia 20 de agosto, dois homens foram presos suspeitos de amea�ar e tentar extorquir agentes pol�ticos de Forquilha. Os capturados t�m 19 e 28 anos e foram identificados como Gean Barboza Fontenele e Francisco Werlysson Feij�o Silva, o ?Ratin?. As amea�as foram feitas a pessoas ligadas ao prefeito do munic�pio, Edinardo Rodrigues Filho (PSB).
Os homens, apontados como membros do Comando Vermelho, cobraram R$ 200 mil para que candidatos a deputado ? aliados ao prefeito ? pudessem fazer campanha na cidade.
?Existe uma lideran�a que se chama Berci, que � a pessoa que coordena essas mensagens de cobran�a, essas mensagens de determinar quem vive, quem morre, essas mensagens que definem quem, por exemplo, merece ser torturado porque n�o pagou uma droga ou porque chamou a pol�cia quando deveria chamar a fac��o para poder resolver o problema?, disse uma fonte da Pol�cia Civil ouvida pelo g1.
?Ent�o, ela determinou que integrantes que atuam aqui, que s�o esses dois, o Gean e o Ratin, mandassem, ligassem para pessoas pr�ximas ao prefeito, cobrando R$ 200 mil por m�s para que os candidatos do prefeito pudessem fazer campanha em espa�os p�blicos dominados, em tese, por eles?, complementou.
Balan�o de pris�es
Nesta sexta-feira (28), uma mulher, de 19 anos, foi presa na cidade de Forquilha. A identidade dela n�o foi repassada. A captura foi realizada por equipes da Delegacia de Repress�o �s A��es Criminosas Organizadas (Draco) Norte com aux�lio de informa��es da Coordenadoria de Intelig�ncia (Coin) da SSPDS.
Na quinta (27), a Opera��o Arquip�lago II foi deflagrada pela Delegacia de Forquilha. Um dos presos foi Jos� �lisson Vitorino da Costa, capturado no bairro Leblon, no Rio de Janeiro.
No dia anterior, a pol�cia prendeu, em S�o Paulo, um homem de 21 anos, membro do Comando Vermelho, suspeito de envolvimento nas pr�ticas de amea�a e extors�o contra candidatos em Forquilha. A identidade dele n�o foi repassada.
?Foram realizadas outras tr�s capturas relacionadas a outras ocorr�ncias. As pris�es foram viabilizadas por dados de intelig�ncia?, destacou a SSPDS.
A SSPDS disse que as for�as de seguran�a refor�aram o policiamento na regi�o de Forquilha por meio de a��es ostensivas, intensivas e investigativas das Pol�cias Militar e Civil por tempo indeterminado.
?Pela PCCE, atuam equipes do Departamento de Repress�o ao Crime Organizado (DRCO), por meio da Delegacia de Repress�o �s A��es Criminosas Organizadas (Draco) Norte, al�m do Departamento de Pol�cia Judici�ria Norte e da Delegacia de Forquilha?, informou a SSPDS.
Ainda segundo a pasta, ?no �mbito da PMCE, equipes do Policiamento Ostensivo Geral (POG) e dos Comandos de Policiamento de A��es Intensivas e Ostensivas (CPRaio) e de Policiamento de Choque (CPChoque) intensificam a presen�a policial na cidade?.
Crimes em Sobral e Santana do Acara�
Opera��o investiga influ�ncia do crime organizado nas elei��es em Sobral
O Comando Vermelho tamb�m tentou interferir na campanha pol�tica em Sobral, na regi�o norte do estado, onde tr�s vereadores foram presos. Os criminosos teriam coagido eleitores e cobrado ‘ped�gio’ de at� R$ 60 mil para candidatos fazerem campanha em bairros da cidade.
O inqu�rito policial foi aberto em 2024 e coletou depoimentos e evid�ncias da influ�ncia da fac��o nas elei��es municipais daquele ano. J� em 2026, houve o cancelamento de eventos e reuni�es de pol�ticos por ordem da fac��o.
A opera��o teve o objetivo de cumprir 14 mandados de pris�o preventiva, 25 mandados de busca e apreens�o e 5 medidas de afastamento cautelar de cargos p�blicos. Sete suspeitos foram presos e os outros sete alvos de mandados de pris�o n�o foram capturados ? a Pol�cia apontou que eles estavam foragidos no Rio de Janeiro.
No dia 16 de agosto, um “salve” da fac��o foi compartilhado com moradores de Santana do Acara�, tamb�m na regi�o norte do Cear�, proibindo que carros de som (conhecidos como “pared�es”) fossem usados para campanha “pra qualquer pol�tico que for”.
Na mensagem da fac��o, propriet�rios dos pared�es eram orientados a procurar “a diretoria” da fac��o. A mensagem dizia que as pessoas que desobedecessem � ordem iriam “perder o som” ou “at� ter problemas maiores”.
Em nota, a SSPDS informou que equipes da Pol�cia Militar e da Pol�cia Civil realizaram dilig�ncias no intuito de capturar suspeitos de participa��o em uma situa��o de amea�a, no munic�pio de Santana do Acara�. O g1 apurou tamb�m que o caso chegou ao conhecimento do Minist�rio P�blico.
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