Após alegar graves prejuízos com despejo, Turp muda o tom e diz que mudança vai representar ‘economia’
Fonte: tribunadepetropolis.com.br | Data: 29/08/2026 08:47:36
O Departamento Jurídico da Turp Transporte afirmou, em nota nesta sexta-feira (28), que a empresa segue “normalmente” com suas atividades de prestação de serviço público à população. A nota vem logo após o início da desocupação do terreno na BR-040, em Itaipava. Segundo a empresa, a mudança de garagem “vai representar uma economia de custos e uma readequação que, certamente, vai proporcionar resultados financeiros positivos em escala”.
A manifestação, no entanto, contrasta com o tom adotado no processo judicial que culminou o despejo. A Turp tentou, de forma reiterada, várias vias recursais e chegou a alegar que a mudança poderia causar paralisação de linhas e desorganização trabalhista. A empresa chegou a oferecer como garantia de pagamento dois ônibus e, posteriormente, em nova tentativa de acordo, um imóvel avaliado em R$ 4,5 milhões.
“A Ré (Turp) não afirma, sem demonstração contábil específica, que o despejo causará inevitavelmente sua falência. Afirma algo tecnicamente mais preciso: a retirada imediata da base operacional cria risco concreto de agravamento da insolvência, paralisação de linhas, perda de receita, desorganização trabalhista e comprometimento da concessão, consequências que devem ser prevenidas antes de consumadas”, escreveu a defesa da Turp em uma das petições no dia 19 de agosto.
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Também nesta sexta-feira (28), pela manhã, a CPTrans se reuniu com o Sindicato dos Rodoviários. Segundo nota emitida pela entidade sindical após o encontro, foi informado que a Turp já mantém tratativas com proprietários de dois terrenos para a locação de uma nova área destinada à instalação da garagem. A companhia ainda teria informado que a mudança da garagem não deverá provocar impacto na receita da Turp nem comprometer os pagamentos dos trabalhadores.
O trecho também contrasta com os posicionamentos da viação nos autos do processo. No dia 25 de agosto, a Turp informou que a análise das consequências do despejo no prazo de 15 dias não se esgota nos ônibus e passageiros. Segundo a empresa, há, atualmente, 452 empregados ativos, “que dependem da continuidade minimamente organizada da operação”.
“A retirada instantânea da base operacional pode produzir paralisação da atividade, queda abrupta da receita de bilhetagem e incapacidade de cumprimento regular das obrigações salariais e trabalhistas”, afirmou a defesa da Turp na ocasião.
Em outra manifestação, no dia 19 de agosto, a empresa informou que o prejuízo da dona do terreno seria “mensurável e patrimonial”, mas a desmobilização pode atingir os passageiros, trabalhadores e o próprio município.
“A ponderação conduz à solução menos gravosa: o prejuízo da espera para a Autora é mensurável e patrimonial; o prejuízo de uma desmobilização abrupta pode atingir usuários, trabalhadores e o próprio Município”, consta da petição.
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Passageiros também registraram um coletivo que atende a Comunidade do Alemão com diversas peças no fundo, que parecem ser de manutenção, até mesmo atrapalhando a utilização dos bancos. Quanto a guarda dos veículos e demais itens da garagem, a Turp escreveu em uma das últimas manifestações, no dia 26 de agosto:
“Desnecessário repetir que a ré não possui um local para transferência dos bens que guarnecem a garagem, e que irá se valer empréstimos de espaços esparsos, pois está envidando esforços para a localização de um terreno para locação e transferência”, pontuou o advogado da empresa.
Procurada, a CPTrans informou que, desde a decisão que manteve o despejo e a rejeição dos recursos, a intervenção vem concentrando esforços para garantir a continuidade da operação do transporte público e minimizar eventuais impactos aos passageiros.
A Turp foi procurada, mas não respondeu até a última atualização.
Leia a nota da CPTrans na íntegra:
“A CPTrans esclarece que, desde a decisão que manteve o despejo da garagem da TURP e a rejeição dos recursos apresentados pela empresa, a intervenção vem concentrando esforços para garantir a continuidade da operação do transporte público e minimizar eventuais impactos aos passageiros.
A reunião realizada nesta sexta-feira (28) com o Sindicato dos Rodoviários teve caráter institucional e foi um espaço para esclarecer a atual situação da intervenção, apresentar as medidas que estão sendo adotadas e dialogar sobre os impactos da transição para os trabalhadores do sistema.
A CPTrans reforça que a prioridade, neste momento, é assegurar a continuidade do serviço de transporte público, preservando o atendimento à população e buscando também garantir as condições necessárias para a manutenção da operação.”
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