Pesquisadores mapeiam biodiversidade na Serra do Aracá
Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 29/08/2026 09:26:01
Uma equipe de 16 pesquisadores brasileiros embarcou, no dia 24 de agosto, para a Serra do Aracá, no extremo norte do Amazonas, próximo à fronteira com a Venezuela. O grupo busca mapear a biodiversidade de ecossistemas únicos em montanhas com altitudes entre 1.300 e 1.700 metros, em uma região considerada praticamente inexplorada.
O trabalho de campo deve durar três semanas e marca a terceira e última etapa de um projeto de mapeamento das terras altas da Amazônia brasileira. A iniciativa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e conta com apoio do Exército Brasileiro, que realiza o transporte de helicóptero a partir de uma base em Barcelos (AM).
A expedição foca nos tepuis, montanhas de platôs planos com condições climáticas distintas das terras baixas da floresta. Segundo Miguel Trefaut Rodrigues, professor emérito do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e líder do grupo, a dificuldade de acesso impediu que áreas tão isoladas fossem estudadas anteriormente por zoólogos e botânicos.
A expectativa de novas descobertas baseia-se em incursões anteriores. No pico da Neblina, em 2017, a equipe descreveu duas novas famílias de sapos e espécies de lagartos. Já na serra do Imeri, em 2022, foram catalogadas espécies inéditas de sapos, um novo gênero de caranguejo de água doce e uma nova espécie de ave, achado considerado raro na ornitologia moderna, segundo Luís Fábio Silveira, diretor do Museu de Zoologia da USP.
Os cientistas pretendem utilizar a técnica de DNA ambiental (eDNA) para analisar material biológico disperso em solo e água. O método visa identificar espécies que escapam da coleta tradicional, como ocorreu na viagem ao Imeri, quando a análise laboratorial de um girino revelou tratar-se de um sapo desconhecido.
A área de estudo está localizada no Parque Estadual da Serra do Aracá, unidade de conservação de 1,8 milhão de hectares criada em 1990. A região é descrita como um limite entre duas províncias de tepuis, o que pode revelar a relação evolutiva entre espécies do leste e do oeste da região.