SPTrans diz que será primeira contratação de vigilância para lotes D10 e D11, da antiga Transwolff, e mantém licitação
Fonte: diariodotransporte.com.br | Data: 29/08/2026 12:14:41
Publicado em: 29 de agosto de 2026

Segurança patrimonial integra sequência de contratos para sustentar operação de cerca de 1,2 mil ônibus na Zona Sul enquanto concessão definitiva continua sem data
ADAMO BAZANI
A SPTrans avançou nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, na licitação para contratar serviços de vigilância e segurança patrimonial nas unidades utilizadas para operar os lotes D10 e D11, na Zona Sul de São Paulo, que pertenciam à Transwolff. Em resposta a uma empresa interessada, a gerenciadora municipal informou que não existe uma prestadora anterior contratada por ela para esta finalidade: será a primeira contratação de vigilância feita diretamente pela SPTrans para a estrutura dos dois lotes.
O procedimento é parte de um conjunto de licitações que se tornou necessário enquanto a Prefeitura mantém sob sua responsabilidade a estrutura das antigas operações da Transwolff e ainda não conclui a nova concessão. Como mostrou o Diário do Transporte, além da vigilância, estão previstas disputas para plano de saúde dos trabalhadores, manutenção dos ônibus e recapagem de pneus, contratos que funcionam como uma ponte até que novos operadores assumam definitivamente as linhas.
Vigilância será feita nas unidades operacionais dos D10 e D11
O objeto da licitação é a prestação de serviços de vigilância e segurança patrimonial, com fornecimento de mão de obra residente, nas unidades operacionais utilizadas pela SPTrans nos lotes D10 e D11.
O segundo boletim de esclarecimentos publicado nesta sexta-feira responde a 35 perguntas de empresas interessadas.
Uma delas quis saber se alguma companhia já executava o serviço e, em caso positivo, qual seria o motivo da substituição.
A resposta da SPTrans foi direta: “É a primeira contratação do objeto por parte da SPTrans para a operação dos Lotes D10 e D11”.
A documentação também esclarece que não será obrigatória a instalação de escritório no local de prestação dos serviços nem de guarita com banheiro. O edital não exige colete balístico nem garantia de proposta. Questões relativas a armamento, equipamentos de comunicação, veículos de apoio e dimensionamento dos postos remetem às especificações do Termo de Referência.
A SPTrans informou que os esclarecimentos não alteram as propostas nem o calendário da concorrência.
Quatro licitações em dois dias para manter estrutura dos lotes
O Diário do Transporte mostrou em levantamento exclusivo publicado na quarta-feira, 26 de agosto, que quatro disputas relacionadas diretamente aos D10 e D11 estão concentradas em 2 e 3 de setembro.
A vigilância está prevista para 2 de setembro, às 9h. Às 10h do mesmo dia está marcada a licitação do plano de saúde empresarial para os trabalhadores das duas operações.
Às 14h ocorre a disputa para manutenção preventiva, corretiva e assistência técnica dos ônibus, incluindo fornecimento de peças. O edital divide os serviços em 15 grupos e contempla motores, caixas de direção, freios, câmbio, diferencial, radiadores, alternadores, funilaria, pintura, tapeçaria, ar-condicionado, suspensão, elevadores para pessoas com deficiência e componentes do sistema de Arla, entre outros.
No dia seguinte, 3 de setembro, está prevista a concorrência para recapagem dos pneus dos ônibus. A estimativa chega a 4.231 serviços de recapagem em diferentes medidas.
Os contratos foram estruturados para até 12 meses, mas a própria documentação prevê a possibilidade de encerramento antes desse prazo caso seja concluída a concessão e os novos operadores assumam os lotes.
Plano de saúde envolve 3.641 titulares
Outra destas contratações já havia sido detalhada pelo Diário do Transporte em 21 de agosto.
A SPTrans informou que o plano de assistência médica, hospitalar, cirúrgica e obstétrica também será a primeira contratação deste gênero realizada diretamente pela companhia para a operação dos D10 e D11.
A base de junho de 2026 apontava 3.641 titulares. A contratação prevê planos com enfermaria e apartamento, abrangência estadual e implantação em até 15 dias depois da assinatura.
Há ainda procedimentos para aquisição de peças e componentes utilizados nos veículos. Em julho, o Diário do Transporte revelou um registro de preços para peças destinadas principalmente a ônibus Mercedes-Benz e Volkswagen que compõem a frota utilizada nos dois lotes.
Operação Fim da Linha iniciou intervenção em abril de 2024
A situação excepcional dos D10 e D11 começou em 9 de abril de 2024, quando o Ministério Público do Estado de São Paulo deflagrou a Operação Fim da Linha.
A investigação apura supostas relações de integrantes do setor de transporte coletivo com lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC. Transwolff e UPBus foram atingidas pela operação e passaram por intervenção da Prefeitura. A Transwolff nega qualquer ligação institucional com atividades criminosas.
A intervenção na Transwolff colocou equipes da SPTrans diretamente na administração da companhia e na continuidade das linhas.
Em dezembro de 2025, a Prefeitura decretou a caducidade dos contratos de concessão D10 e D11, alegando descumprimentos contratuais. O decreto autorizou a SPTrans a ocupar temporariamente garagens, veículos, equipamentos, estoques, sistemas e demais bens indispensáveis ao funcionamento do serviço, além de assumir contratos essenciais e fazer contratações emergenciais.
O rompimento foi contestado judicialmente pela Transwolff.
Em dezembro de 2025, uma decisão provisória da Justiça na esfera cível suspendeu os efeitos da caducidade. Ao mesmo tempo, permaneciam decisões da esfera criminal envolvendo o afastamento dos dirigentes. Na prática, a SPTrans continuou responsável por manter o atendimento dos passageiros.
Sancetur chegou a ser contratada, mas informou que não conseguiria assumir plenamente
Em janeiro de 2026, a Prefeitura anunciou a contratação emergencial da Sancetur para assumir os lotes a partir de 1º de fevereiro.
Na época, a operação reunia 133 linhas, cerca de 1.100 ônibus em serviço e aproximadamente 555 mil passageiros por dia, segundo informações da administração municipal repassadas ao Diário do Transporte.
Mas a solução durou poucos dias no planejamento.
Em 28 de janeiro, a Sancetur enviou ofício informando que não possuía condições de assumir plenamente o contrato emergencial dos D10 e D11. A Prefeitura voltou então a concentrar os esforços na preparação da concorrência definitiva.
Nova concessão foi enviada ao TCM, mas disputa ainda não foi marcada
Em junho de 2026, o Diário do Transporte revelou em primeira mão que a Prefeitura encaminhou ao Tribunal de Contas do Município a proposta de edital para uma nova concessão dos lotes D10 e D11.
A estrutura continua dividida em dois lotes, mas a rede está sendo reformulada antes da concorrência.
O prefeito Ricardo Nunes informou ao Diário do Transporte que a ideia é reduzir sobreposições de linhas. Estudos apontavam aproximadamente 111 ligações naquele momento, com possibilidade de redução próxima de 20% no conjunto que ficará diretamente vinculado aos novos lotes.
A frota dos lotes a serem concedidos também poderia passar de aproximadamente 1,2 mil ônibus para algo entre 700 e 800 veículos. Segundo Nunes, isso não significaria retirada equivalente de oferta aos passageiros porque parte das linhas seria transferida para empresas que já possuem contratos e operação na região.
É justamente esta demora que ajuda a explicar a sequência de contratações agora conduzidas pela SPTrans. Vigilância, saúde dos trabalhadores, manutenção, peças e pneus são atividades que normalmente fazem parte da estrutura interna de uma concessionária de ônibus. Enquanto não houver um novo operador privado, estas necessidades precisam ser atendidas diretamente ou contratadas pela administração municipal para que os ônibus continuem circulando.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes