Dark Horse’: Investigadores Rechaçam ‘patrocínio’ E Apuram Corrupção E Lavagem Envolvendo Flávio Bolsonaro
Fonte: inmagazine.ig.com.br | Data: 29/08/2026 11:47:31
Senador sustenta que repasse de 61 milhões foi patrocínio privado, enquanto policiais federais investigam origem e circulação dos recursos
A Polícia Federal investiga se houve corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos negócios que envolvem o senador Flávio Bolsonaro e o filme ‘Dark Horse’, financiado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com aproximadamente valor não divulgado. Flávio defende que se trata de patrocínio privado legítimo, mas investigadores contestam essa interpretação, segundo apurou o G1.
Defesa de Flávio
Em entrevista concedida na última sexta-feira (28) à TV Globo, Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade no financiamento do longa. Ele reiterou que procurou Vorcaro unicamente para obter patrocínio privado e insistiu que não recebeu transferências pessoais.
“Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”, afirmou o candidato do PL à Presidência. Segundo ele, sua participação limitou-se a autorizar o uso da imagem de Jair Bolsonaro e captar o investidor. A responsabilidade pela prestação de contas, reforçou, recai sobre a produtora GoUp.
Flávio também descartou que tenha buscado recursos da Lei Rouanet, programa estatal de incentivo cultural. Contudo, em maio, após o Intercept Brasil divulgar mensagens sobre o projeto, o senador se comprometeu a prestar contas em 30 dias. Quando questionado novamente, disse que as informações já foram repassadas, conforme verificado pela reportagem.
Flávio Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)
O trabalho dos investigadores
A PF, porém, persegue rumo distinto. O foco central é determinar se Flávio recebeu ou solicitou vantagem indevida ligada à sua condição de servidor público. Investigadores buscam esclarecer a origem, a entrega, a movimentação e o destino final dos valores.
Policiais federais rejeitam que a operação seja meramente privada. “Dark Horse é caso de polícia”, afirmam investigadores ouvidos pelo G1, recusando a versão defendida por Flávio. Para a PF, o envolvimento de um senador em exercício na negociação impõe obrigações investigativas.
O artigo 317 do Código Penal define corrupção passiva como “solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida”. Segundo investigadores, não é preciso apontar um ato administrativo específico como troca direta. A simples presença de vantagem indevida vinculada ao cargo já configura suspeita de crime.
Os valores em trânsito
Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil em maio revelaram transferências de Vorcaro totalizando pelo menos 10,6 milhões de dólares, equivalente a aproximadamente valor não divulgado. A perícia das contas, solicitada pela produtora, foi concluída em junho e integra o inquérito em andamento.
A análise dos gastos de produção indica que cerca de 70% dos valores foram utilizados nos Estados Unidos, mas a distribuição completa dos recursos permanece sob sigilo. Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, está detido e responde por investigações paralelas.
A PF continua a apuração enquanto Flávio sustenta a regularidade dos negócios. As interpretações sobre o caráter da operação permanecem divergentes entre os dois lados.