Nepal pós-enchentes: reconstrução pode custar R$ 26 bi
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 29/08/2026 13:13:02
Dias após o rompimento de uma geleira no Himalaia, o Nepal tenta dimensionar a destruição causada pelas enchentes que atingiram o norte do país. O balanço oficial divulgado neste sábado, dia 29, chegou a 676 mortos, enquanto equipes seguem em busca de desaparecidos em meio a um cenário de infraestrutura colapsada e prejuízos bilionários. O governo local estima que a reconstrução das regiões devastadas vai exigir entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, montante que corresponde, em valores atuais, a aproximadamente R$ 20,8 bilhões e R$ 26 bilhões.
Os registros da agência de desastres do Nepal apontam 669 mortes em território nepalês, 2.426 desaparecidos e mais de 3.700 pessoas resgatadas com vida. As autoridades da China, por sua vez, confirmaram sete óbitos e mais de 550 desaparecidos, o que amplia a complexidade da operação humanitária para uma dimensão transfronteiriça.
O drama humanitário no norte do Nepal
O evento que deflagrou a tragédia foi o colapso da geleira registrado na quarta-feira (26), responsável por uma inundação súbita que atingiu áreas urbanizadas, pontes e instalações hidrelétricas localizadas nas proximidades da divisa com a China. Avaliações preliminares sugerem que o rompimento teria bloqueado temporariamente o leito de um rio antes de liberar uma onda de água e detritos sobre áreas habitadas.
A intensidade da enxurrada é evidenciada por relatos de vítimas fatais levadas pelas águas até a Índia. Antes da atualização para o número atual, boletins iniciais mencionavam ao menos 579 mortos no deslizamento de grandes proporções que atingiu a região setentrional do país na quarta-feira, junto ao limite com a China, total revisado para cima conforme as equipes alcançam localidades antes isoladas.
Reconstrução bilionária e infraestrutura devastada
A dimensão dos prejuízos materiais ajuda a explicar a magnitude da conta estimada pelo governo nepalês. O desastre danificou unidades de ensino, unidades de saúde, vias, pontes e parques de geração de energia, comprometendo serviços essenciais em um país de geografia montanhosa e acesso logístico complexo.
As autoridades locais contabilizam aproximadamente 20 pontes destruídas. Sem essas conexões, o transporte de suprimentos e a comunicação com as áreas remotas atingidas ficaram severamente comprometidos, o que tende a elevar tanto o custo quanto o prazo da reconstrução.
A destruição de usinas hidrelétricas também colocou em pauta a necessidade de operações delicadas dentro de túneis, uma frente para a qual o Nepal admite não ter estrutura própria. Esse componente estratégico torna o esforço de recuperação ainda mais dependente de cooperação externa.
Busca por sobreviventes e sobrecarga do sistema de saúde
As equipes de resgate concentram esforços nas regiões de Chitwan e Nawalparasi, a cerca de 100 quilômetros do epicentro do desastre. As autoridades trabalham com a expectativa de que o total de óbitos ainda possa crescer, já que a varredura por vítimas permanece em andamento em áreas de difícil acesso.
A situação pressiona a rede hospitalar local. De acordo com o governo, a capacidade de atendimento está no limite e falta estrutura adequada para conservar os corpos recuperados por falta de refrigeração compatível com a demanda. O problema levou as autoridades a pedirem apoio técnico internacional para ampliar a capacidade de armazenamento e para a realização de exames de DNA na identificação das vítimas.
A ajuda internacional solicitada pelo Nepal
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que o país não precisa de equipes estrangeiras para missões de busca e resgate de caráter geral, uma vez que os socorristas locais têm condições de conduzir os trabalhos em andamento. A posição, no entanto, não elimina a necessidade de cooperação externa em frentes consideradas especializadas.
A lista inclui operações delicadas dentro de túneis de hidrelétricas, a recomposição de redes de comunicação e transporte e o reconhecimento dos corpos. Também foram solicitados suporte técnico para exames de DNA e ampliação da capacidade de armazenamento de cadáveres, com o ministro reconhecendo que o Nepal não dispõe de experiência suficiente em alguns desses procedimentos e depende de conhecimento e equipamentos enviados por governos e organismos internacionais.
Reabertura de rotas com Índia e China
Para acelerar a chegada de suprimentos e o trabalho das equipes de resposta, o governo nepalês pediu à Índia e à China que antecipem a reabertura dos corredores de transporte e comunicação nas áreas atingidas. A medida é vista como essencial para reduzir o isolamento das comunidades atingidas e destravar a logística humanitária.
Enquanto o balanço de vítimas segue sendo atualizado, o Nepal se vê diante de uma dupla emergência: dar continuidade às buscas por desaparecidos e preparar a estrutura para uma reconstrução de dimensão bilionária. O apelo aos dois vizinhos ocorre em um momento em que a prioridade imediata é restabelecer canais de acesso para que suprimentos e equipes cheguem às áreas isoladas, e o desenrolar da tragédia depende também da rapidez com que Índia e China responderem ao pedido de liberação das rotas.