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Tirar gordura do corpo e colocar no rosto pode rejuvenescer? Veja riscos e benefícios do nanofat

Fonte: www1.folha.uol.com.br | Data: 30/08/2026 04:05:45

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Uma técnica que retira gordura do corpo do próprio paciente e promete transformá-la em um agente rejuvenescedor tem ganhado destaque na cirurgia plástica e em outras áreas da medicina.

O método, conhecido como nanofat grafting (em português, enxerto de partícula mínima de gordura), consiste em remover gordura com uma cânula de partes do corpo, como barriga, costas ou pernas.

Em seguida, a substância é lavada com solução salina para remoção de resíduos de sangue, passa por um processo de filtragem e depois de emulsificação, quando é transferida repetidamente entre duas seringas. Tudo isso para a gordura se transformar em um concentrado fluido e homogêneo que será aplicado de forma superficial na pele.

O cirurgião plástico Ronaldo Righesso, vice-presidente da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), diz que o produto final é rico em células-tronco e fatores de crescimento, capaz de melhorar a qualidade e a firmeza da pele, suavizar rugas e linhas finas, sem dar volume ou mudar os traços do rosto.

O CFM (Conselho Federal de Medicina) afirma que o conhecimento científico disponível sobre o nanofat não permite dizer se ele é superior ou mais efetivo do que outros métodos já consolidados, como biolestimuladores de colágeno.

Graziela Bonin, conselheira federal do CFM, afirma que a fração de células-tronco derivadas do tecido adiposo lipoaspirado é muito pequena. “Não se pode atribuir ao método a mesma equivalência a tratamentos com células-tronco”, diz.

Segundo o conselho, “a evidência disponível ainda é majoritariamente de baixo nível, como séries de casos e estudos pequenos”, e faltam pesquisas mais aprofundadas e dados sobre a eficácia e segurança a longo prazo.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) diz que o nanofat é um procedimento médico e, por isso, as definições sobre ele pertencem ao CFM.

Para que serve o nanofat?

Desde o seu surgimento na Bélgica, em 2013, o nanofat é usado principalmente para corrigir rugas e cicatrizes. O método tem sido aplicado sozinho ou aliado a outros procedimentos, como cirurgias plásticas da face.

Nos últimos anos, ele também passou a ser adotado em outras áreas da medicina.

“Os ortopedistas têm usado o nanofat para artrose, que é a limitação das articulações. Os ginecologistas também estão usando na região íntima. Não é só a célula-tronco, o nanofat também tem efeito anti-inflamatório e fatores de crescimento capazes de influenciar outras células”, afirma Righesso.

Para fins estéticos, diz o médico, o nanofat atua como substituto de lasers para tratar a pele. No entanto, não substitui a toxina botulínica ou os preenchedores de ácido hialurônico.

O método não oferece volume porque usa uma parte mínima da gordura, cerca de 10% a 20% do material coletado.

“Ele não é uma substituição. Ele é um complemento. Para volumizar, a alternativa seria a lipoenxertia, que é a técnica que retira gordura de uma parte do corpo e coloca em outra”, explica Righesso.

Segurança e riscos do procedimento

O CFM alerta que pacientes interessados em se submeter ao tratamento devem ficar atentos a publicidades que atribuam ao nanofat resultados superiores em relação ao rejuvenescimento facial.

O nanofat não foi submetido ao CFM para reconhecimento específico. A entidade afirma que, diante disso, considera o método equivalente à lipoenxertia, “procedimento amplamente respaldado na prática médica”, já que ambas intervenções envolvem gordura obtida por meio de lipoaspiração.

Procedimentos de lipoaspiração e lipoenxertia, indica o CFM, devem ser feitos somente por cirurgiões que passaram por treinamento para essa modalidade. Essa mesma indicação vale para o nanofat, diz a SBCP, que orienta que os pacientes pesquisem a formação do profissional e a estrutura do local em que será feita a intervenção.

Em nota, a Anvisa diz que os equipamentos e produtos usados no procedimento devem ter registro da agência. A entidade também pontua que “serviços e clínicas onde são realizados esses procedimentos devem atender a normas de serviços de saúde que tratam de aspectos da arquitetura, controles de qualidade e ações voltadas para segurança do paciente”.

A reportagem apurou que o procedimento costuma custar a partir de R$ 5 mil para rejuvenescimento da face.

Nos primeiros dias após a sessão, o paciente pode apresentar inchaço, vermelhidão e sensibilidade nos locais em que recebeu a gordura e de onde o material foi retirado.

O nanofat é contraindicado em alguns casos, como para pessoas com infecções ativas no local da aplicação ou com doenças graves.

Apesar de ser um material do próprio paciente, os riscos não são totalmente descartados. Segundo Righesso, complicações ou reações adversas podem ocorrer, como em qualquer procedimento cirúrgico.