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Viagens de avião: o que passageiros mais reprovam em companheiros de voo segundo pesquisa

Fonte: imagemnews.com.br | Data: 30/08/2026 10:07:44

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A viagem de avião, outrora sinônimo de tranquilidade e descanso, tornou-se um campo minado de tensões sociais nos últimos anos. Entre conversas altas, volumes excessivos de áudio e a crescente informalidade no vestuário, os passageiros parecem ter opiniões cada vez mais firmes sobre o que é — ou não — aceitável a bordo. Uma pesquisa recente, conduzida pelo The Points Guy (TPG) em parceria com a YouGov, revelou não apenas os hábitos que mais irritam os viajantes, mas também como essas preferências estão moldando novas regras nas companhias aéreas dos Estados Unidos.

O barulho como principal inimigo: por que 27% dos passageiros odeiam ligações em voo

No topo da lista de irritações está o uso de aparelhos eletrônicos sem fones de ouvido, com 27% dos 2.500 entrevistados nos EUA considerando ligações telefônicas ou de vídeo o comportamento mais perturbador durante um voo. O problema não se limita ao ruído em si, mas à falta de consideração com quem compartilha o espaço aéreo. Segundo Becky Blaine, editora-chefe do TPG, o cenário piora nas áreas de pré-embarque, onde passageiros assistem a vídeos com o volume no máximo, ignorando completamente a proximidade com os demais.

Esse tipo de situação reflete um fenômeno crescente na era digital: a diminuição da empatia coletiva em espaços compartilhados. Em um ambiente como o avião, onde o isolamento acústico é limitado, o impacto do ruído é proporcionalmente maior. Para os entrevistados, a solução parece clara: 40% defendem que as companhias aéreas proíbam ligações durante os voos, uma medida que já começa a ser implementada por algumas empresas.

United Airlines adota medidas duras: fones obrigatórios e riscos de expulsão

Em março de 2024, a United Airlines tomou uma posição pioneira ao estabelecer uma regra rigorosa: passageiros que reproduzirem áudio em dispositivos pessoais — inclusive ao navegar em redes sociais — deverão usar fones de ouvido. A medida, que entrou em vigor imediatamente, prevê consequências para quem descumprir: desde advertências até a retirada do passageiro da aeronave em casos extremos. Além disso, a companhia já sinalizou que poderá impor restrições futuras para quem persistir no descumprimento.

Essa decisão não é isolada. Ela se alinha a um movimento mais amplo das companhias aéreas, que buscam equilibrar a liberdade individual com o bem-estar coletivo. Afinal, em um setor onde a satisfação do cliente é crucial para a reputação, ignorar as queixas dos passageiros pode resultar em prejuízos financeiros e de imagem. A Unied Airlines, por exemplo, já enfrentou críticas por não ter uma política clara sobre o tema, mas agora parece dispostas a assumir um papel de fiscalização.

O debate sobre o direito de reclinar assentos: 51% a favor, mas há controvérsias

Outro tema que divide passageiros é a questão do encosto reclinável. Enquanto 51% dos entrevistados não veem problema em abaixar o assento durante o voo, uma fatia significativa da população — representada por 38% — consideram a prática incômoda ou até mesmo invasiva. O contraste revela uma tensão social cada vez mais comum em espaços reduzidos, onde o conforto de um pode significar o desconforto de outro.

Nos últimos anos, o tema ganhou relevância com o aumento da densidade de assentos nas aeronaves e a redução do espaço entre fileiras — uma estratégia das companhias para maximizar lucros. Em voos com assentos em configurações compactas, como a classe econômica de muitas low-cost, o simples ato de reclinar pode gerar conflitos físicos e psicológicos. Algumas empresas já testaram soluções tecnológicas, como luzes de aviso para quando o assento estiver reclinado, mas nenhuma medida unificada foi adotada até o momento.

A disputa pelo braço: por que a regra informal não convence a maioria

Uma das regras não escritas da etiqueta aérea sugere que o passageiro no assento central teria prioridade sobre os dois braços. No entanto, a pesquisa do TPG mostrou que essa ideia tem pouca adesão: apenas 11% dos entrevistados concordam que os apoios de braço pertencem automaticamente ao ocupante do meio. A maioria, 63%, acredita que os braços devem ser divididos igualmente entre todos, independentemente da posição do assento.

Esse dado revela uma mudança nos valores sociais, onde a noção de individualidade parece prevalecer sobre as normas informais. Em um mundo cada vez mais individualista, até mesmo pequenas concessões — como ceder um braço — são vistas como opcionais. A discussão, no entanto, não é meramente teórica: em voos longos, a disputa por espaço pode se tornar um fator de estresse, afetando a experiência de viagem de todos a bordo.

Vestimenta em voo: conforto ou falta de respeito? A maioria prefere o casual

O estilo de roupa também entrou na pauta da pesquisa. Mais de 70% dos entrevistados consideram adequado usar qualquer peça confortável durante a viagem, incluindo roupas esportivas, pijamas ou até mesmo trajes caseiros como camisetas largas. Apenas 9% defenderam um padrão mais formal, como ternos ou vestidos elegantes, enquanto o uso de pijama foi rejeitado por 99% dos participantes.

Esse resultado contrasta fortemente com uma campanha lançada em 2023 pelo Departamento de Transportes dos EUA, que incentivava os passageiros a se vestirem de forma mais formal nos aeroportos. Na ocasião, o secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou: “Vista-se bem para ir ao aeroporto, ajude um desconhecido e esteja de bom humor”. A campanha, embora louvável em seus objetivos, parece não ter ecoado entre os viajantes, que priorizam o conforto acima de tudo em suas viagens.

A preferência por roupas casuais reflete uma tendência mais ampla da sociedade contemporânea, onde a democratização do conforto — impulsionada pela cultura do home office e do lifestyle despojado — se estende a todos os ambientes, inclusive aos terminais aeroportuários. No entanto, a informalidade também levanta questões sobre o impacto na imagem das companhias aéreas e na experiência de outros passageiros que ainda valorizam um mínimo de formalidade.

O futuro da etiqueta aérea: o que esperar das companhias e dos passageiros?

Com base nos resultados da pesquisa, é possível antever algumas tendências. As companhias aéreas, pressionadas por passageiros cada vez mais exigentes, devem continuar endurecendo suas políticas, especialmente em relação ao uso de dispositivos sem fones. A proibição de ligações, já testada em algumas empresas, pode se tornar padrão nos próximos anos. Além disso, é provável que surjam novas tecnologias para mediar conflitos, como sistemas de alerta para reclinar assentos ou divisórias acústicas em cabines.

Por outro lado, os passageiros também precisarão se adaptar a um ambiente cada vez mais regulamentado. A liberdade individual, embora valorizada, deve ceder espaço à convivência em espaços compartilhados. Nesse sentido, a educação sobre etiqueta aérea — seja por meio de campanhas das companhias ou por iniciativas independentes — será fundamental para reduzir tensões e melhorar a experiência de voo para todos.

Uma coisa é certa: em um mundo onde as viagens aéreas estão se tornando mais acessíveis, mas também mais lotadas, a etiqueta não é apenas um detalhe, mas uma necessidade. E, como mostra a pesquisa, os passageiros estão dispostos a cobrar — e a impor — suas próprias regras.