O PERIFERICU – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E CULTURA DE QUEBRADA divulga a programação completa de sua segunda edição. De 1º a 6 de setembro, o Jardim Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, receberá gratuitamente as sessões de mais de 35 títulos vindos de diversas regiões do Brasil e de países da América Latina. Para ampliar o acesso aos filmes durante a semana do evento, a mostra também será transmitida de forma online pela plataforma Todesplay. Com uma agenda completa, o festival ainda promoverá painéis, encontros e oficinas, além de shows ao final de cada dia da programação.

Com realização da Maloka Filmes, o PERIFERICU busca trazer ao centro vozes historicamente relegadas às margens do debate público e dos territórios. Pensando nisso, o evento também homenageará nomes como Linn da Quebrada, Neon Cunha, Dona Madalena, Seu Escurinho do Acordeon e Leo Moreira de Sá, e promoverá a celebração dessas culturas por meio da realização de atividades como roda de samba, competição de ballroom e uma edição especial do Slam do 13, que há mais de uma década promove a literatura periférica na capital paulista.

Além da mostra principal, o festival contará com a Mostra Escolar, que promove sessões-debate de curtas-metragens para mais de 800 alunos das escolas públicas da região, e a Sessão Maloka Filmes, que exibirá dois curtas inéditos gravados no próprio Jardim Ibirapuera, além de obras recentes da produtora. Entre elas estão “Depois do Fim do Mundo” (2020), “Fronteriza” (Brasil/Paraguay, 2025), premiado no Olhar de Cinema, e “Anba Dlo” (Brasil/Cuba/Haiti, 2025), que estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim e venceu o Jury Prize no Hong Kong International Film Festival. Também será proposto o Desafio Cine-Corre, no qual os participantes deverão produzir em três dias um curta-metragem de até três minutos sobre o tema sorteado na abertura do evento. O curta vencedor será escolhido pelo público e receberá um prêmio em dinheiro.

Confira a programação completa abaixo:

01/09 (terça-feira)
9h – Sessão Mostra Escolar (E.E. Luiz Gonzaga)
18h – Abrindo Caminhos – Homenagem a Neon Cunha + Sorteio Desafio Cine-Corre
19h – Sessão 1 de Curtas – Especial ChurrasKINO (A posse é um fato; Trabalho de Parto; Vozes do Cocal; Dona Lia; Divino: Sua alma, sua lente; Pupá; Quando abandonamos a humanidade, o que resta de nós?)
21h – Karaokê

02/09 (quarta-feira)
9h – Sessão Mostra Escolar (E.E. Antônio Manoel)

19h – Sessão 2 de Curtas (NEGROAMOR; Monalisa; Sementeiras; Em ponto riscado cria não é criado; Feirantes, Mydzé; Dentro do meu peito mora um cão)
21h30 – Noite de Reggae – Show Laylah Arruda

22h30 – DJ NZão

03/09 (quinta-feira)
9h – Sessão Mostra Escolar (E.E. Renato Braga)

18h30 – Homenagem a Leo Moreira de Sá
19h – Sessão 3 de Curtas (Cypher – HERANÇA; Tá Fazendo Sabão; Clube da Velha Guarda

Filme sem Querer; Meu e Seu; ERGUIDA)
21h – Slam do 13

04/09 (sexta-feira)
9h – Sessão Mostra Escolar (E.E. Raimundo Serafim)

13h30 – Oficina de Fotografia (Biblioteca Fundação Julita)
19h – Sessão 4 de Curtas (Sonhos de Diadema; Mães Antiproibicionistas ; BV NEON; Exento; Cor; Pocas Pra Entender)
21h – Maracatu Baque Atitude
22h – Roda de Samba – Velha Guarda do Bloco do Beco

05/09 (sábado – sessão na rua)
15h30 – Caminhada Histórico-Fotográfica pelo Jd. Ibirapuera – mediação de Jenyffer Nascimento
18h30 – Sessão Desafio Cine-Corre + Sessão 5 de Curtas (Redestina; Quando Eu Crescer; Histórias Periféricas; Escudo; Americana; Mansos)

20h – Homenagem a Dona Madalena

20h30 – Mesa: Funk é Cultura – Criminalização da Arte Periférica (com Renata Prado, Vita Pereira e Cristina Quirino – Mediação Aline Anaya)

22h – Funk e Baile Black – DJ STHE + Medley MC’s

06/09 (domingo – sessão na rua)

15h – Resenha do Cinema Periférico (churras colaborativo para realizadores de quebrada)

18h30 – Sessão Especial Maloka Filmes

20h30 – Premiação
21h30 – Encerramento: sAGITO convida House Of Dengo (Aftermatch Furry Ball – competição de ballroom + DJs)

A edição presta homenagem, por meio de toda a sua programação, à cantora e ativista social Linn da Quebrada e a Seu Escurinho do Acordeon, músico e líder comunitário da região

Local:

Foto: Victoria Alves.

De 1 a 4 de setembro, as atividades se concentram em escolas públicas do bairro e na Associação Bloco do Beco.

No fim de semana, em 5 e 6 de setembro, o Festival ocupa a Associação e outras ruas do bairro.

Endereços:

Associação Bloco do Beco: R. Bento Barroso Pereira, 288 – Jardim Ibirapuera, ZS – SP

Outras atividades: Rua Salgueiro do Campo, Jardim Ibirapuera, ZS – SP (altura do nº 500, próximo ao ponto final do Jardim Ibirapuera)

Confira a lista dos filmes selecionados:

A posse é um fato — Murilo Munìí, Mar Fagundes (RS, 2025)

Americana — Agarb Braga (PA, 2025)

BV NEON — Roraimana (RR, 2025)

Clube da Velha Guarda — Ava Santos (DF, 2025)

Cor — Mazé Mixo (RJ, 2025)

Cypher – HERANÇA — Micah Aguiar, Jonas Sakamoto (MA, 2025)

Dentro do meu peito mora um cão — Gabriel Afonso (MG, 2026)

Desfem — Manoella Fernandes, Polyana Santos (SP, 2025)

Divino: Sua alma, sua lente — Clea Torres, Gilson Costta, Divino Tserewahú (MT, 2025)

Dona Lia — Jaqueline Cardoso, Letícia Souza (GO, 2026)

Em ponto riscado cria não é criado — Padê Coletivo (RJ, 2024)

ERGUIDA — Jhonnã Bao (SP, 2023)

Escudo — Cauê Santiago, Andrey Haag (SP, 2025)

Exento (Exemido) — Otto Morales (Cuba, 2024)

Feirantes — Amanda Gaia, Eudóxia Carvalho, Fagner Morais e Lilith Albuquerque (SP, 2025)

Filme sem Querer — Lincoln Péricles (SP, 2025)

Histórias Periféricas — Luan Allen (SE, 2026)

Mães Antiproibicionistas — Débora Aguiar (PE, 2025)

Mansos — Juliana Segóvia (MT, 2024)

Meu e Seu — Gabriel Freire (BA, 2025)

Monalisa — Lucas Sá (MA, 2026)

Mydzé – Memorial Isú-Kariri & plataforma Unides contra a colonização: muitos olhos, um só coração (CE, 2025)

NEGROAMOR — Jota Marcos (PR, 2026)

Pocas Pra Entender — Stheffany Fernanda, Pedro Miosso (SP, 2025)

Pupá — Osani (RN, 2024)

Quando abandonamos a humanidade, o que resta de nós? — Vita Pereira (SP, 2026)

Quando Eu Crescer — Felipa Anastácia (SP, 2025)

Quando Eu For Grande? — Mano Cappu (PR, 2024)

Redestina — Mayara Mascarenhas (MG, 2025)

Sementeiras — Ana Moraes, Luciene Pereira, Mari Moura, Meire Ramos (SP, 2025)

Sonhos de Diadema — GIVVA (SP, 2025)

Tá Fazendo Sabão — Ianca Oliveira (BA, 2022)

Trabalho de Parto — Mira Lima (SP, 2025)

VOZES DO COCAL — Josué Castilho França (PA, 2026)

SOBRE A MALOKA FILMES
Maloka Filmes é uma produtora criativa de São Paulo, dedicada à produção, distribuição e difusão de cinema autoral periférico. Fundada por Well Amorim, Rosa Caldeira e Nay Mendl, desenvolve obras que partem de experiências negras, TLGB+ e faveladas, combinando excelência artística com uma metodologia própria de criação comunitária. Seus filmes já circularam por alguns dos principais festivais, laboratórios e mercados internacionais, como Berlinale, Cannes, IDFA, Clermont-Ferrand, Locarno, Tiradentes, Olhar de Cinema e Havana, consolidando uma trajetória que conecta o cinema de quebrada aos principais espaços de circulação do audiovisual contemporâneo.

SOBRE O FESTIVAL PERIFERICU
Sediado no território do Jardim Ibirapuera, na Zona Sul da cidade de São Paulo, o festival foi criado a partir da experiência da MALOKA FILMES, produtora formada por Nay Mendl, Rosa Caldeira e Well Amorim. Ao circularem com seus primeiros trabalhos pelo Brasil e pelo exterior, eles perceberam o apagamento sistêmico de determinadas narrativas em eventos tradicionais. Segundo Rosa Caldeira, “o PERIFERICU nasceu dessa inquietação e da própria contradição: se esses espaços não nos abrem espaço, a gente cria o nosso, do nosso jeito, reivindicando a potência dos nossos saberes, nossas referências e nossas tecnologias”.

Além do foco na vivência oriunda das periferias, com obras feitas por realizadores pretos e indígenas, essa perspectiva também orienta o foco do festival nas narrativas LGBTQIAPN+. “Aqui, realizadores TLGB+ podem apresentar suas obras sem precisar explicar o tempo inteiro porque seus corpos existem, mas simplesmente falar sobre cinema, sobre território, sobre amor, desejo, memória, futuro, partindo da certeza de que o cinema feito nas quebradas sempre foi e segue sendo vanguarda”, afirma Well Amorim.

A expressiva presença de pessoas trans, travestis e não-bináries entre os selecionados aponta para uma produção ativa que, muitas vezes, é invisibilizada por falta de dados oficiais no setor audiovisual brasileiro. A intenção do evento é não esperar que essas métricas apareçam para reconhecer uma produção que já existe e que exige visibilidade. “Para nós, fazer um festival é também construir memória e afirmar que esses territórios não são apenas lugares onde as histórias acontecem: são lugares onde as histórias são inventadas, produzidas e celebradas”, conclui Nay Mendl.

A 2ª edição do PERIFERICU é uma realização da MALOKA FILMES, viabilizada com patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com apoio da Associação Cultural Bloco do Beco, Fundação Julita, IbiraLAB e Todesplay.

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