Paranaenses deixam empregos e transformam sonho em viagem de 27 mil km de bicicleta
Fonte: jornaldafronteira.com.br | Data: 31/08/2026 08:44:14
Moradores de São Mateus do Sul, no Paraná, Bruna Pionoski Cardoso e Jonas de Paula e Silva percorreram cerca de 27 mil quilômetros de bicicleta e passaram por 18 países entre Ushuaia e o Alasca.
A trajetória de Bruna Pionoski Cardoso e Jonas de Paula e Silva, ambos de 35 anos, começou em maio de 2024, quando o casal saiu de São Mateus do Sul, no sul do Paraná, com o objetivo de percorrer a América de bicicleta. Depois de dois anos e quatro meses de viagem, eles completaram o trajeto entre o extremo sul e o extremo norte do continente, passando por 18 países e somando cerca de 27 mil quilômetros.
O casal pedalou até Ushuaia, no extremo sul da Argentina, onde chegou em janeiro de 2025, oito meses após a partida. Depois disso, seguiu rumo ao norte, cruzando a América do Sul, a América Central e a América do Norte, até alcançar a fronteira do Alasca, em agosto de 2026.
Antes da viagem, Bruna atuava na área de marketing digital e Jonas era funcionário público da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Segundo eles, a decisão de mudar de vida e realizar o projeto surgiu após um período de reflexão iniciado durante a pandemia de Covid-19.
Ao explicar como a ideia amadureceu, o casal afirmou que o plano de fazer uma grande viagem existia havia anos, mas era visto como algo para o futuro.
“A gente sempre gostou de viajar, de fazer montanhismo e conhecer novos lugares, então a gente sempre tinha um plano que, futuramente, íamos fazer uma viagem. Pensava: ‘Quando nos aposentarmos, vamos fazer uma viagem’. Aí, quando veio a pandemia, a gente começou a consumir muito conteúdo de viagens. […] E pensamos: a gente não sabe o futuro. Agora estamos bem, estamos com saúde, disposição, então a gente se organizou pra poder realizar.”
Para tornar a viagem possível, Bruna e Jonas passaram dois anos se preparando financeiramente. Nesse período, organizaram a saída dos empregos e venderam bens pessoais para formar a reserva que sustentaria o projeto ao longo do percurso.
Com a travessia do continente concluída, o casal agora planeja o retorno ao Brasil e uma redefinição da rotina. A intenção é seguir por mais alguns trechos no Alasca, depois voar até os Estados Unidos e, em seguida, embarcar para São Paulo, onde pretendem participar de um encontro de cicloviagantes. A volta para casa, no entanto, ainda terá um trecho sobre duas rodas.
Ao detalhar o plano de retorno, Bruna e Jonas disseram que pretendem pedalar de São Paulo até São Mateus do Sul, onde vivem suas famílias.
“Ainda pretendemos pedalar mais alguns quilômetros, de São Paulo até a casa das nossas famílias, em São Mateus do Sul. Chegando lá, pretendemos tirar uns dois meses descansando. Então, ao longo de 2027, nós vamos planejar certinho o que vai ser a nossa próxima etapa”, explicam.
Segundo o relato do casal, o período de descanso será necessário tanto por questões físicas quanto emocionais. Jonas tem sentido dores no ombro por causa de uma lesão antiga, e ambos consideram importante retomar a rotina aos poucos após mais de dois anos na estrada.
Ao falar sobre os próximos passos profissionais, Jonas afirmou que o retorno ao mercado de trabalho deverá ocorrer em áreas diferentes das ocupações exercidas antes da viagem.
“Se nós voltarmos já em 2027 aos trabalhos, provavelmente não serão as mesmas áreas… Eu trabalhava na companhia de saneamento, a Bruna trabalhava com marketing digital; provavelmente eu devo seguir carreira acadêmica e a Bruna vai seguir no setor de vendas, mas não no marketing digital. Pelo menos, é o que nós pensamos hoje… É difícil falar, porque a gente não sabe como vai se adaptar”, avalia Jonas.
Mesmo com a necessidade de reorganizar a vida no retorno ao Brasil, o casal afirma que a bicicleta continuará presente na rotina e que novas viagens já estão sendo consideradas.
Ao tratar dos planos futuros, Bruna e Jonas disseram que a bicicleta deve seguir como meio de transporte, instrumento de lazer e parte central de novas experiências.
“A gente sempre teve a bicicleta como principal meio de transporte e também como lazer, entretenimento. Então ela deve continuar sendo parte da nossa rotina. E sim, viagens, a gente tem outras já planejadas! […] A ideia é, num horizonte maior de tempo, que a gente possa conhecer todos os continentes, preferencialmente de bicicleta”.
A relação do casal com a bicicleta antecede a travessia pela América. Bruna e Jonas já utilizavam o veículo em deslocamentos cotidianos, em passeios e em atividades ligadas ao turismo e ao esporte. Segundo eles, a escolha por esse meio de transporte para a viagem continental esteve ligada, sobretudo, à possibilidade de contato mais direto com as pessoas e com as culturas locais.
Ao explicar o que mais marcou a experiência, Bruna afirmou que a acolhida recebida ao longo do caminho teve peso maior do que as próprias paisagens.
“Eu acho que não adianta a gente conhecer um lugar estupendo, lindo, maravilhoso, e a gente não ser bem acolhido, as pessoas não se olharem, não cumprimentarem. Às vezes, o lugar e a paisagem nem são tão bonitos, mas as pessoas são tão generosas e tão acolhedoras que aquele lugar passa a ser o nosso preferido”, afirma Bruna.
Jonas também destacou que o contato humano foi um dos principais elementos da viagem e apontou que a bicicleta facilitou a interação com moradores das regiões por onde passaram.
Ao comentar o papel dessa convivência durante o percurso, Jonas afirmou que o aprendizado obtido com as pessoas foi central para a experiência.
“A parte das pessoas é, de fato, o grande motor da viagem. A gente adora as paisagens, adora as montanhas, mas as pessoas… […] Eu acho que isso é uma parte bem legal da viagem, a gente aprende muito dessa forma”, complementa Jonas.
Durante o percurso, a bicicleta também serviu para transportar os pertences pessoais do casal. Entre os itens levados estavam roupas, equipamentos de acampamento e utensílios de cozinha, todos escolhidos com base na praticidade e no pouco espaço disponível.
Ao descrever a rotina sobre duas rodas, o casal explicou como organizou a bagagem para suportar longos períodos na estrada.
“A gente carrega algumas mudas de roupa, temos a nossa parte de dormir, que é a nossa barraca, os colchonetes, sacos de dormir e travesseiros, e temos a parte de cozinha: panelas, fogareiro, talheres, copos… Tudo básico, pensado pra ser compacto, leve e prático. Muitas peças têm duas, três funções”, revelam.
Na maior parte do tempo, Bruna e Jonas acamparam e prepararam a própria alimentação. Em alguns trechos, recorreram a hospedagens, mas a regra foi a permanência em áreas mais afastadas, o que exigiu planejamento para reabastecimento e organização das etapas.
Ao falar sobre as condições enfrentadas durante a viagem, o casal relatou que nem sempre houve estrutura confortável no trajeto.
“A gente tem algum conforto em alguns momentos, mas em grande parte da viagem nós estamos em locais isolados”, comentam.
A preparação financeira também foi parte importante do projeto. Jonas, que é formado em Economia, afirmou que o casal já mantinha uma preocupação com a formação de reserva, recurso que passou a ser utilizado para viabilizar a travessia continental.
Além dessa reserva, a venda de bens como carro, móveis e eletrônicos ajudou a compor os recursos necessários para o início da jornada.
Ao recordar essa etapa de organização, o casal relatou que decidiu se desfazer de praticamente todos os bens materiais.
“Vendemos carro, vendemos móveis, vendemos eletrônicos. Tudo que era possível… Ficamos só com uma biblioteca particular que nós temos, alguns souvenirs de outras viagens e algumas peças de roupa; muito pouca coisa ficou.”
Ao longo da viagem, Bruna e Jonas passaram a compartilhar a experiência nas redes sociais, onde adotaram a identificação “Fora da Tribo”. Segundo o casal, o nome reflete a vivência de diferentes culturas e o contato com realidades diversas em vários países do continente.
Na avaliação dos dois, a experiência confirmou que projetos dessa dimensão exigem preparo, disposição e capacidade de adaptação, mas podem ser realizados com planejamento.
Ao resumir o significado da jornada, o casal destacou a importância de enfrentar o medo e agir enquanto existe disposição para isso.
“Não há fronteiras impossíveis de atravessar e de alcançar quando temos um sonho. Ao enfrentar o medo, é possível abrir portas para novas possibilidades e experiências”, comentam.
A viagem de Bruna Pionoski Cardoso e Jonas de Paula e Silva terminou com a travessia da América de bicicleta, mas o retorno ao Brasil deverá abrir uma nova etapa. Depois de mais de dois anos na estrada, o casal pretende descansar, reorganizar a vida profissional e pessoal e manter a bicicleta como parte da rotina e dos próximos projetos.
Esta matéria foi escrita e publicada pela pessoa que assina nesta página, com correção por I.A., com checagem dos fatos e revisão feita por Heloisa Lima.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.