Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Fiscalização do CREA-RJ acompanha de perto a montagem do Rock in Rio

Fonte: diariodorio.com | Data: 31/08/2026 12:47:19

🔗 Ler matéria original

Antes de qualquer show começar no Rock in Rio, uma operação técnica extensa já está em andamento longe dos olhos do público. É nesse espaço que atua o CREA-RJ, conselho responsável por fiscalizar as atividades de engenharia envolvidas no festival. No dia 26 de agosto, uma equipe de fiscalização percorreu as instalações da Cidade do Rock para verificar a regularidade de profissionais e empresas e identificar possíveis irregularidades antes que se tornem problemas.

Até o dia 28 de agosto, o conselho já havia registrado 1.039 Anotações de Responsabilidade Técnica, envolvendo 59 empresas e 178 profissionais ligados às atividades técnicas do evento.

Em 2026, a Cidade do Rock ocupa 385 mil metros quadrados dentro do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, e recebe cerca de 100 mil pessoas por dia. A estrutura reúne seis palcos — Mundo, Sunset, New Dance Order, Espaço Favela, Global Village e Supernova —, cinco brinquedos, incluindo roda-gigante e montanha-russa, além de instalações elétricas, restaurantes e áreas de convivência.

Uma fiscalização que começa antes dos portões abrirem

Segundo Cosme Chiniara, gerente de Fiscalização do CREA-RJ, a presença da equipe no festival funciona como garantia de que os profissionais envolvidos estão devidamente habilitados. “Com a Fiscalização do CREA-RJ presente no Rock in Rio temos a certeza de termos profissionais capacitados e habilitados em todas as áreas que são necessárias para o bom desempenho do festival e, com isso, garantimos a segurança da sociedade como um todo e do público que estará presente durante os dias do evento.” 

Participaram também da ação o coordenador de Fiscalização Externa, Leonardo Canário; a coordenadora de Fiscalização Interna, Ana Tavares; a coordenadora de Planejamento de Fiscalização, Maira Lima; o supervisor de Fiscalização da Capital, Leonardo Alves; o supervisor da Fiscalização Serrana, Alex José Ferreira Santos; e os agentes Andrea Rabello e Pedro Paulo Ghenov.

Leonardo Canário explica que o trabalho da equipe é voltado à prevenção, não à punição. “Nossa Fiscalização atua de forma orientativa e preventiva, porque entendemos que não basta penalizar profissionais e empresas quando uma irregularidade é identificada. O nosso principal objetivo é agir antecipadamente, orientar, corrigir e evitar que essas irregularidades permaneçam ou se transformem em problemas durante o evento.” 

Uma equipe do conselho permanece no local durante todo o festival, dando apoio técnico em situações de risco e acompanhando o Livro de Ocorrências de cada brinquedo. O CREA-RJ também mantém QR Codes fixados pelas instalações, que permitem consultar a ART e os dados do responsável técnico de cada estrutura.

Engenharia em cada etapa do festival

Para o engenheiro de produção Renan Mattos, analista de Legalizações do Rock in Rio, o trabalho de engenharia começa muito antes da abertura dos portões. “O trabalho começa muito antes da abertura dos portões. Está presente nos estudos preliminares, no planejamento, na elaboração e compatibilização dos projetos, na implantação e distribuição dos espaços, no dimensionamento das estruturas temporárias, nas instalações elétricas e ilhas de geradores, nos sistemas de prevenção e proteção e em toda a infraestrutura necessária para que o evento possa acontecer.” 

A engenheira civil Ana Tavares, coordenadora de Fiscalização Interna do CREA-RJ, reforça que diferentes especialidades atuam de forma integrada. “Temos aqui Engenharia Civil, Elétrica, Mecânica, de Produção, de Segurança do Trabalho, todas em prol da segurança e também do grande espetáculo que vai acontecer durante os dias do Rock in Rio.” 

Palco Mundo ganha mais tecnologia

Uma das novidades da edição de 2026 é o Palco Mundo, que recebeu cerca de 2.400 metros quadrados de painéis de LED. Somando todos os espaços da Cidade do Rock, são aproximadamente 5 mil metros quadrados de LED instalados, o que aumenta o peso das estruturas e exige sistemas elétricos e de controle mais complexos.

Leonardo Alves, supervisor de Fiscalização da Capital, destaca a importância da engenharia elétrica nesse processo. “Esse ano temos uma novidade no Palco Mundo, que também é um serviço técnico. O palco será todo feito de LED. É uma atividade técnica interessante para a gente ver, porque requer um engenheiro eletricista acompanhando.” 

A cidade que funciona a energia

A estrutura elétrica é um dos pontos centrais da operação. O engenheiro Rui Guimarães, que trabalha no Rock in Rio desde 2017, descreve a escala da demanda energética do festival. “Isso aqui é quase uma cidade pela capacidade de energia que utilizamos. Temos mais ou menos em torno de 300 e poucos megavolts de distribuição de energia, com ilhas de geração e subestações.”

Cada um dos cinco palcos conta com dois geradores, cada um capaz de assumir metade da carga elétrica, reduzindo o risco de interrupções durante as apresentações.

A engenheira eletricista Ariza Miranda, da Rock World, participa pela primeira vez do Rock in Rio depois de ter trabalhado no The Town, em São Paulo. “Esse é meu primeiro festival. Fiz o The Town em São Paulo, só que as dimensões aqui do Rock in Rio são muito maiores do que o festival de lá, então o desafio é muito maior.”

Ela atua na instalação elétrica dos estandes e nos sistemas de backup das subestações, responsáveis por manter energia e internet funcionando em toda a Cidade do Rock. Ariza também comenta a presença de mulheres na área. “A Rock World é uma empresa muito inclusiva, onde ela preza pela presença feminina. Então temos muitas mulheres na área da Engenharia e Arquitetura executando essa Cidade do Rock.”

O trabalho que o público não vê

Para Leonardo Alves, o valor do trabalho da fiscalização está justamente nos detalhes que passam despercebidos pelo público. “Na condição de fiscal do CREA-RJ trabalhar aqui, estar atuando aqui dentro, ajudando a promover segurança para a quantidade de pessoas que está aqui dentro é muito importante, é gratificante. A gente leva o trabalho sempre muito a sério, vai sempre no detalhe que outras pessoas acabam não vendo.” 

A fiscalização do CREA-RJ acompanha brinquedos, estruturas temporárias, instalações elétricas, aterramentos, sistemas de geração de energia, içamentos e rotas de emergência, somando-se ao trabalho de outros órgãos envolvidos na segurança do evento, como o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro.