No prato ou no tanque? Para onde vai a canola que cresce nos campos do RS
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 31/08/2026 13:01:16

A canola está ganhando espaço nas lavouras gaúchas — e, à medida que a área plantada avança, cresce também uma preocupação: haverá mercado para absorver toda essa produção? A pergunta esteve no centro das discussões do 4º Rally da Canola, que percorreu diferentes regiões do Rio Grande do Sul e do Paraná e terminou na semana passada.
A resposta passa pelo prato, com o óleo de cozinha, mas também pelo tanque, na produção de biocombustíveis.
A cultura, que neste ano ocupa 395 mil hectares no Rio Grande do Sul, tem potencial estimado pela cadeia para chegar a 1,4 milhão de hectares no Estado. É uma expansão que não depende apenas da disposição do produtor em plantar. É preciso que exista mercado para absorver esse crescimento.
E, segundo a Associação Brasileira ddos Produtores de Canola (Abrascanola), esse mercado existe.
Hoje, uma parcela da canola produzida no país abastece o mercado de alimentos, principalmente na fabricação do óleo de cozinha. Mas esse consumo, sozinho, não seria suficiente para sustentar toda a expansão projetada para a cultura.
Segundo Vantuir Scarantti, presidente da Abrascanola, o mercado brasileiro de óleos especiais cresce 7% ao ano. O ritmo, no entanto, ainda não seria suficiente para acompanhar a expansão que a cadeia pretende alcançar.
— Aí o biocombustível se torna muito importante nesse crescimento — esclarece.
A canola pode ser matéria-prima para a produção de biodiesel e também aparece nas discussões sobre combustíveis sustentáveis para a aviação. Com o aumento da demanda por alternativas aos combustíveis fósseis, esse mercado pode se tornar um importante destino para o grão produzido no inverno gaúcho.
— Parte da produção também pode ser direcionada à exportação, dependendo dos preços e das condições de mercado— lembra o presidente da Abrascanola.
Hoje, segundo o dirigente, o mercado de alimentos no Brasil absorve o equivalente a 100 mil hectares de canola. O excedente pode seguir para biocombustíveis ou para o mercado externo.
Uma cultura, diferentes mercados
A possibilidade de ter diferentes mercados é justamente uma das apostas da cadeia. Luiz Gustavo Floss, também dirigente da Abrascanola, destaca que a demanda mundial por biocombustíveis abre uma janela importante para a cultura. Segundo ele, a demanda global por óleos vegetais para combustíveis sustentáveis de aviação pode chegar a quase 20 milhões de toneladas em 2030. Atualmente, para efeito de comparação, a produção total de canola no Estado soma cerca de 600 mil toneladas.
E há outro detalhe que torna a canola interessante para a indústria de biocombustíveis: o rendimento em óleo. Enquanto a soja produz em torno de 20% de óleo, a canola chega a aproximadamente 40%, segundo Floss:
— Ou seja, a gente precisa da metade da quantidade de grãos de canola para produzir a mesma quantidade de óleo em relação à cultura da soja.
Para o Rio Grande do Sul, essa característica ganha ainda mais importância porque a cultura entra justamente em uma janela em que há muita área disponível no inverno. Afinal, o Estado tem 9 milhões de hectares ocupados por culturas de verão (como a soja), mas menos de 2 milhões de hectares utilizados no inverno, segundo a Abrascanola.