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Quais são os aviões mais registrados no Brasil?

Fonte: aeromagazine.uol.com.br | Data: 31/08/2026 13:04:43

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Levantamento do Registro Aeronáutico Brasileiro mostra as famílias de aeronaves com mais matrículas no país e revela o peso da produção nacional e da aviação agrícola em uma frota com idade média de 39 anos

Um levantamento baseado no Registro Aeronáutico Brasileiro revela quais famílias acumularam mais matrículas no país e como o ranking muda entre aviões a pistão, turboélices, jatos executivos, agrícolas e comerciais

Jatos executivos e aviões comerciais podem concentrar grande parte da atenção do público, mas são os modelos leves e agrícolas que lideram o número histórico de registros no país. O levantamento realizado pela AERO Magazine a partir dos dados do Registro Aeronáutico Brasileiro mostra quais famílias estiveram mais presentes na aviação nacional, incluindo matrículas ativas e canceladas.

A liderança isolada pertence ao monomotor agrícola Ipanema, produzido pela Embraer e que soma 1.636 registros, número superior ao de famílias conhecidas pela ampla utilização na aviação geral, como Piper Seneca, Cessna 182 e Cirrus SR22.

Os aviões mais registrados no Brasil

A força da produção nacional aparece claramente no ranking geral. O Ipanema ocupa a primeira posição, enquanto o Seneca, que também foi fabricado no Brasil como Embraer EMB-810, aparece em segundo.

Embraer Neiva

1º — Embraer e Neiva Ipanema

1.636 registros

A família reúne as versões EMB-200, EMB-201, EMB-202 e EMB-203, além de suas respectivas variantes. Criado no início da década de 1970, o Ipanema tornou-se um dos principais aviões agrícolas do país e permanece em produção.

Piper Seneca

2º — Piper Seneca e Embraer EMB-810

1.257 registros

O número considera as diferentes versões do Piper PA-34 Seneca importados e os EMB-810C e EMB-810D produzidos no Brasil sob licença. A combinação de baixo custo, boa capacidade e simplicidade operacional ajudou a consolidar a família, amplamente utilizada no Brasil.

Piper PA-28

3º — Piper PA-28

1.224 registros

O grupo inclui diferentes versões do Cherokee, Archer e Arrow, além de modelos fabricados pela Embraer, como EMB-710 Carioca, EMB-711 Corisco e EMB-712 Tupi. Embora existam diferenças entre as versões, todas pertencem à mesma linhagem básica do PA-28.

O resultado mostra que a frota brasileira foi construída sobretudo em torno de projetos robustos e de longa permanência no mercado. Os cinco primeiros colocados atravessaram diferentes gerações e, em três casos, tiveram produção nacional.

Posição Família Principais modelos e versões Registros
1 Embraer/Neiva Ipanema EMB-200, EMB-201, EMB-202 e EMB-203 1.636
2 Piper Seneca / Embraer EMB-810 PA-34, EMB-810C e EMB-810D 1.257
3 Piper PA-28 e derivados brasileiros Cherokee, Archer, Arrow, Carioca, Corisco e Tupi 1.224
4 Cessna 182 182, R182 e T182 929
5 Cessna 210 210 e T210 688
6 Beechcraft Bonanza Model 33, 35 e 36 607
7 Cirrus SR22 SR22 e SR22T 578
8 Beechcraft King Air 90 A90, B90, C90, E90 e F90 562
9 Air Tractor série 500 AT-502, AT-502A, AT-502B e AT-504 479
10 Beechcraft Baron 58 Model 58 e variantes 464

A base da aviação geral

Quando os aviões agrícolas são desconsiderados e o levantamento se concentra nos monomotores a pistão destinados principalmente ao transporte privado, instrução e viagens, a família Piper PA-28 assume a liderança.

O ranking reúne diferentes gerações da aviação geral. Enquanto PA-28, Cessna 182, Cessna 210 e Bonanza têm origens entre as décadas de 1940 e 1960, o Cirrus SR22 começou a ser entregue apenas no início dos anos 2000. A presença do SR22 entre os cinco primeiros é particularmente significativa por se tratar de um projeto mais recente. O modelo avançou no mercado brasileiro com aviônicos integrados, paraquedas balístico e desempenho adequado a viagens de média distância. No caso do Bonanza a família foi utilizada tanto por proprietários particulares quanto por empresas que necessitavam de transporte próprio.

Posição Família Principais modelos e versões Registros
1 Piper PA-28 e derivados brasileiros Cherokee, Archer, Arrow, Carioca, Corisco e Tupi 1.224
2 Cessna 182 182, R182 e T182 929
3 Cessna 210 210 e T210 688
4 Beechcraft Bonanza Model 33, 35 e 36 607
5 Cirrus SR22 SR22 e SR22T 578
6 Piper PA-32 Cherokee Six, Lance e Saratoga 572
7 Cessna 172 172 e versões relacionadas 458
8 Cessna 150/152 150 e 152 415
9 Cessna 206 205, 206 e T206 317
10 Aero Boero AB-115 AB-115 e variantes 306

O domínio do Seneca entre os bimotores

A produção sob licença teve impacto ainda mais evidente entre os bimotores a pistão. Somados aos modelos importados da Piper, os EMB-810 fabricados no Brasil colocam o Seneca em uma liderança difícil de ser alcançada.

O Seneca possui mais registros que os quatro concorrentes seguintes somados. Além da produção brasileira, contribuíram para esse resultado a utilização em escolas de aviação, táxi-aéreo, transporte executivo e formação de pilotos para a habilitação multimotor.

O Baron aparece dividido em duas famílias por causa das diferenças entre as séries 55 e 58. Embora compartilhem a mesma linhagem, o Baron 58 possui fuselagem alongada, cabine mais ampla e características próprias que justificam sua separação no ranking. O terceiro lugar também guarda relação com a indústria brasileira. O EMB-820 Navajo foi produzido pela Embraer sob licença da Piper e empregado no transporte executivo, regional e aeromédico.

Posição Família Principais modelos e versões Registros
1 Piper Seneca / Embraer EMB-810 PA-34, EMB-810C e EMB-810D 1.257
2 Beechcraft Baron 58 Model 58 e variantes 464
3 Piper Navajo / Embraer EMB-820 PA-31 e EMB-820 222
4 Beechcraft Baron 55 Model 55 e variantes 188
5 Cessna 310 310 e variantes 132
6 Piper Aztec PA-23-250 e PA-27 109
7 Diamond DA62 DA62 54
8 Cessna 402 401 e 402 39
9 Piper Twin Comanche PA-30 e PA-39 37
10 Beechcraft 18 Model 18 e variantes 35

Os turboélices executivos e utilitários

Entre os turboélices destinados ao transporte privado, executivo e utilitário, a liderança pertence ao King Air 90, considerando suas diferentes versões e gerações. A família soma mais que o triplo dos registros do Cessna Caravan, segundo colocado, e mantém amplo apelo entre operadores por combinar custos operacionais relativamente baixos, boa capacidade de transporte e versatilidade para atuar em praticamente todo o território nacional.

O Caravan ocupa uma posição particular no mercado brasileiro. Embora seja utilizado por proprietários privados e operadores executivos, também atua no transporte regional, no lançamento de paraquedistas, em missões especiais e na movimentação de cargas. A família Piper PA-46 turboélice (Meridian, M500, M600 e M700), por sua vez, reflete a expansão dos monomotores pressurizados no país, especialmente entre operadores que buscam custos inferiores aos de um bimotor turboélice, mas desempenho superior ao oferecido pelos bimotores a pistão. O ranking também evidencia o avanço das famílias Pilatus PC-12 e Daher TBM no mercado nacional.

Posição Família Principais modelos e versões Registros
1 Beechcraft King Air 90 A90, B90, C90, E90 e F90 562
2 Cessna Caravan 208, Grand Caravan e versões anfíbias 290
3 Beechcraft King Air 200 200, B200 e B200GT 255
4 Piper M-Class Meridian, M500, M600 e M700 227
5 Piper Cheyenne PA-31T e PA-42 175
6 Beechcraft King Air 350 B300 e King Air 350 90
7 Pilatus PC-12 PC-12/45, PC-12/47 e PC-12 NGX 73
8 Daher TBM TBM 700, 850 e 900 63
9 Mitsubishi MU-2 MU-2B e variantes 41
10 Aero Commander 690 690, 690A, 690B, 690C e 690D 25

A frota brasileira de jatos de negócios

O mercado brasileiro de jatos de negócios é liderado pela família Citation. O grupo inclui desde o CitationJet original e o CJ1 até o Model 680. A liderança da Cessna está relacionada à amplitude da linha Citation, à presença histórica da marca no Brasil e à oferta de versões com diferentes capacidades e faixas de alcance.

Sem surpresas, a Embraer ocupa a terceira e a quarta colocações. O Phenom 100 compete no segmento de jatos leves de entrada, no qual alcançou expressivo sucesso comercial no mercado brasileiro. Já o Phenom 300, com maior alcance, capacidade e desempenho, aproxima-se do total acumulado pelo irmão menor. A quinta posição é ocupada pelos veteranos Beechjet/Hawker 400. A família passou por diferentes fabricantes e denominações ao longo de sua trajetória, mas ainda mantém presença relevante no mercado de usados.

Posição Família Principais modelos e versões Registros
1 Cessna CitationJet CitationJet, CJ1, CJ2, CJ3 e CJ4 302
2 Cessna Citation 500/550 Citation I, Citation II e Citation Bravo 177
3 Embraer Phenom 100 EMB-500 e Phenom 100EV 161
4 Embraer Phenom 300 EMB-505 e Phenom 300E 138
5 Beechjet/Hawker 400 MU-300, Beechjet 400 e Hawker 400 132
6 Learjet 40/45 Learjet 40, 45, 70 e 75 90
7 Cessna Citation Mustang Model 510 76
8 Cessna Citation Excel/XLS Model 560XL, XLS e XLS+ 67
9 Learjet 35/36 Learjet 35 e 36 56
10 Cessna Citation Sovereign/Latitude Model 680 e variantes 52

Quando todas as missões são consideradas

Os rankings mudam quando aviões agrícolas e comerciais são somados aos modelos executivos. Entre os turboélices, a aviação agrícola ganha destaque. Entre os jatos, as frotas das empresas aéreas colocam Boeing e Airbus nas primeiras posições.

Turboélices

A inclusão da aviação agrícola na análise coloca o Air Tractor série 500 na segunda posição, com 479 registros. O grupo é formado principalmente pelo AT-502B, acompanhado por versões como AT-502 e AT-502A. Embora o King Air 90 permaneça na liderança histórica na aviação geral, a diferença entre as duas famílias mostra o peso adquirido pelo agronegócio, especialmente em missões especializadas, na frota brasileira. O Air Tractor série 400 aparece logo depois dos cinco primeiros, com 228 registros, reforçando essa participação. O ranking também evidencia a diversidade do mercado de turboélices, especialmente se considerado o Top 10.

Posição Família Principais modelos e versões Registros
1 Beechcraft King Air 90 A90, B90, C90, E90 e F90 562
2 Air Tractor série 500 AT-502, AT-502A, AT-502B e AT-504 479
3 Cessna Caravan 208, Grand Caravan e versões anfíbias 290
4 Beechcraft King Air 200 200, B200 e B200GT 255
5 Air Tractor série 400 AT-401, AT-402 e variantes 229
6 Piper M-Class turboélice Meridian, M500, M600 e M700 227
7 Piper Cheyenne PA-31T e PA-42 175
8 Embraer Bandeirante EMB-110 e variantes 132
9 Beechcraft King Air 350 B300 e King Air 350 90
10 Thrush série S2R S2R e variantes turboélice 80

Jatos

Quando os aviões comerciais são incluídos, a família Boeing 737 assume a liderança com ampla vantagem. O resultado considera registros das séries Original, Classic, Next Generation e MAX, e inclui aeronaves que já deixaram o país ou foram retiradas de serviço.

Na segunda posição, a família Airbus A320 reúne os modelos A318, A319, A320 e A321, incluindo as gerações com motores convencionais e as versões neo. Embora tenha entrado em serviço no Brasil apenas no fim da década de 1990, a família apresentou crescimento contínuo e, nos últimos 25 anos, superou por pequena margem o Boeing 737 em novos registros. Foram 325 matrículas de aeronaves da família A320, ante 321 exemplares das diferentes gerações do 737. A diferença de apenas quatro unidades evidencia o equilíbrio entre os dois principais projetos da aviação comercial no país durante o período.

Mesmo com as grandes frotas comerciais, o CitationJet permanece na terceira posição. O resultado demonstra a capilaridade da aviação de negócios brasileira e a presença acumulada pela família da Cessna ao longo de várias décadas. O Phenom 100 fecha o Top 5 e supera, por pequena margem, a família Embraer E-Jets, que reúne 153 registros na base.

Posição Família Principais modelos e versões Registros
1 Boeing 737 737-200, Classic, NG e MAX 586
2 Airbus A320 A318, A319, A320, A321 e versões neo 385
3 Cessna CitationJet CitationJet, CJ1, CJ2, CJ3 e CJ4 302
4 Cessna Citation 500/550 Citation I, Citation II e Citation Bravo 177
5 Embraer Phenom 100 EMB-500 e Phenom 100EV 161
6 Embraer E-Jets E170, E190, E195 e versões E2 151
7 Embraer Phenom 300 EMB-505 e Phenom 300E 138
8 Beechjet/Hawker 400 MU-300, Beechjet 400 e Hawker 400 132
9 Learjet 40/45 Learjet 40, 45, 70 e 75 90
10 Cessna Citation Mustang Model 510 76

O que os números revelam

Os registros mostram que a dimensão da aviação brasileira não pode ser compreendida apenas pelas aeronaves mais visíveis nos grandes aeroportos. Monomotores a pistão, aviões agrícolas e modelos produzidos sob licença no país ocupam posições centrais na formação da frota.

A presença do Ipanema, do EMB-810 e dos derivados brasileiros do Piper PA-28 entre os primeiros colocados destaca o impacto da produção nacional. Esses programas permitiram ampliar a frota em períodos nos quais a importação de aeronaves era mais difícil e contribuíram para a criação de uma cadeia local de operação, manutenção e formação de pilotos.

Na aviação de negócios, Cessna, Beechcraft e Embraer concentram as primeiras posições. A liderança do CitationJet entre os jatos e do King Air 90 entre os turboélices mostra a permanência de projetos que foram atualizados continuamente sem abandonar sua proposta original.

Mais do que apontar os aviões mais numerosos, o levantamento oferece um retrato de como o mercado brasileiro se desenvolveu ao longo das décadas. A composição da frota reflete a força da produção nacional, a expansão da aviação agrícola e o crescimento da aviação de negócios. Ao mesmo tempo, evidencia a idade elevada da aviação geral no país, com média de 39 anos, e o expressivo potencial de renovação acumulado.

Como o levantamento foi feito

A análise utiliza a base do Registro Aeronáutico Brasileiro atualizada em 24 de junho de 2026. Foram considerados aviões de asa fixa com número de certificado de matrícula informado, independentemente de o registro estar ativo ou cancelado.

Marcas apenas reservadas e registros sem certificado de matrícula foram excluídos. Diferentes versões de um mesmo projeto foram reunidas em famílias quando existe continuidade técnica, industrial ou comercial evidente. A análise não se limita à frota atualmente em operação. Ao considerar também aeronaves que tiveram a matrícula cancelada por exportação, acidente, retirada de serviço ou outros motivos, o levantamento oferece uma perspectiva histórica sobre quais projetos tiveram maior presença no mercado brasileiro.

** Publicado originalmente na AERO Magazine 387 · Agosto/2026

Por Grace McPherson, de Palo Alto e Edmundo Ubiratan
Publicado em 31/08/2026, às 11h00