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AMÉRICO PERIN

Fonte: jornalagorasertaozinho.com.br | Data: 31/08/2026 13:18:37

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De tudo que se aprende no quartel, há lições que não cabem nos manuais. O companheirismo, por exemplo, nasce nos pequenos gestos: dividir a última garrafa d’água numa marcha longa, emprestar o ombro nos momentos de cansaço, rir das dificuldades para torná-las mais leves. O espírito de corpo não é apenas disciplina; é a certeza de que ninguém caminha sozinho.

Essas amizades, forjadas sob o calor do sol e o peso da farda, atravessam o tempo. Muitos anos depois, quando o uniforme já repousa no armário e os cabelos ganham fios brancos, os veteranos ainda se encontram. É aí que a AVFAB – Associação dos Veteranos da Força Aérea Brasileira, o CBP Clube dos Veteranos Boinas Pretas do Exército e outras instituições afins cumprem seu papel: preservar não só a memória da instituição, mas também o elo humano que une aqueles que serviram.

No café compartilhado, nas histórias repetidas com orgulho, na saudade dos dias de formação, percebe-se que o quartel ensinou mais do que técnicas militares. Ensinou a arte rara da amizade duradoura. E é por isso que, ao lembrar o Dia do Soldado, lembramos também que a verdadeira vitória é manter vivo o espírito de corpo — dentro e fora dos muros da caserna.

Quem não lembra do toque da Alvorada quando os soldados, ainda cansados das atividades do dia anterior, acordam para mais uma jornada de responsabilidades e trabalho árduo na defesa do bem maior do nosso povo, cuidando da liberdade e segurança, que juntas propiciam o progresso e bem-estar da nação. Quem não lembra da voz do Sargento, antes atemorizante e depois revelando um grande amigo escondido no uniforme sempre impecável e vestido com grande orgulho, “estica o braço; endireita a coluna, barriga pra trás e bunda pra frente!

E o pobre do Sargenteante, sempre com uma fita vermelha no bolso para se livrar dos olhares furiosos dos “escalados” para tirar serviço nos feriados e fins de semana…

Hoje é tudo saudade. Saudade que se encontra nos corredores silenciosos das Associações dos Veteranos, sejam eles da Marinha, da Aviação ou das Forças Auxiliares. É uma saudade que não dói, mas que aquece: lembrança de marchas, de vozes firmes em formação, de risadas trocadas no intervalo entre instruções.

Dentro dessas associações, o tempo parece suspenso. O uniforme já não é usado no dia a dia, mas permanece vivo na memória e no coração. Cada encontro é uma celebração da amizade que resistiu ao tempo, da disciplina que moldou caráter, da coragem que se tornou legado.

O soldado, o marinheiro, o aviador — todos sabem que a farda não se aposenta com o desligamento. Ela continua invisível, bordada na alma, lembrando que servir é mais do que uma função: é uma identidade que se perpetua.

E assim, entre histórias repetidas com orgulho e abraços que carregam décadas de companheirismo, a saudade se mata. Não com esquecimento, mas com presença. Porque nas Associações dos Veteranos, o passado não é apenas lembrado — ele é vivido novamente, em cada reencontro.