Teorema de Si apresenta rock autoral e prepara álbum conceitual
Fonte: oestadoonline.com.br | Data: 31/08/2026 13:16:33
Filme foi exibido em espaços de ensino e cultura, com conversas sobre saúde mental, adoção responsável e preservação ambiental
Em meio às paisagens de Mato Grosso do Sul, o cinema encontra uma maneira sensível de discutir um dos temas mais delicados da sociedade: a valorização da vida. O curta-metragem “Cavalo Marinho” transforma questões como luto, saúde mental, infância e relações familiares em uma narrativa marcada pela afetividade, levando ao público uma história que busca provocar reflexão sem transformar a dor em espetáculo.
A iniciativa surgiu depois que o produtor PJ Maia e o roteirista Octávio Tavares tomaram conhecimento de que MS estava entre os estados brasileiros com uma das maiores taxas de suicídio, durante uma discussão na Câmara Municipal de Campo Grande. A partir desse contato com a realidade local, os profissionais decidiram desenvolver um filme, que abordasse o tema de forma sensível, sem explorar o suicídio, mas tendo a valorização da vida e a prevenção como foco central da narrativa.
O filme se guia por meio da perspectiva de uma criança diante de uma situação difícil vivenciada pelos adultos, produzido em Bonito (MS). A natureza sul-mato-grossense passa a fazer parte desse olhar, criando uma narrativa mais sensível para abordar questões relacionadas ao sofrimento emocional e à importância de buscar apoio. A proposta também procura aproximar a discussão da realidade local e estimular o diálogo sobre saúde mental.
A estreia oficial está prevista para 2027, mas o primeiro corte do filme já foi exibido em Aquidauana, Bonito e Campo Grande, com roda de conversas sobre saúde mental, adoção responsável e preservação ambiental. Segundo a produção, a proposta foi aproximar o cinema da comunidade e fortalecer a produção regional, utilizando o filme como ponto de partida para discutir temas presentes no cotidiano sul-mato-grossense.
Ponto de partida
O curta-metragem “Cavalo Marinho”, com duração estimada entre 15 e 20 minutos e roteiro de aproximadamente 20 páginas. A produção escolheu abordar o tema pelo impacto deixado em quem permanece, acompanhando a relação entre um padrinho e seu afilhado durante um passeio de barco em Bonito. A natureza e a convivência familiar servem como cenário para uma narrativa que busca tratar de luto e prevenção sem transformar a dor em espetáculo.
“Meu desafio foi criar uma história sobre o que fica depois que uma pessoa tira a própria vida. Encontramos no passeio de barco entre padrinho e afilhado uma forma de falar sobre essa perda com alguma leveza e inocência. Tivemos muito cuidado para tratar um assunto difícil com carinho e afeto, porque a nossa intenção era que essa história chegasse ao coração de quem assiste com gentileza”, contou PJ para a reportagem.
A narrativa de “Cavalo Marinho” também se volta para os conflitos internos de Marcos, padrinho que precisa assumir uma nova posição diante da vida após uma perda familiar. Marcado por inseguranças e experiências da infância, o personagem é colocado diante da responsabilidade de cuidar do afilhado, fazendo com que antigos conflitos sejam confrontados enquanto ele aprende a construir uma relação de proteção e pertencimento.
“O Marcos acredita que não é um bom exemplo e que não está preparado para criar uma criança. Quando se vê diante do afilhado, percebe que precisa enfrentar os próprios fantasmas e entender que, naquele momento, não é mais sobre ele. Existe uma criança desamparada que precisa de cuidado. Essa mudança faz com que ele amadureça e deixe para trás a ideia de permanecer preso a uma juventude eterna”, explica PJ.
Ação nas escolas
A exibição antecipada nas escolas foi pensada como uma ação educativa, e não apenas como uma sessão de cinema. Antes da estreia oficial, o primeiro corte foi levado aos estudantes para estimular conversas sobre saúde mental e valorização da vida, utilizando personagens e paisagens de MS para criar identificação com o público e aproximar o tema da realidade local.
“A gente quis que os alunos se reconhecessem na tela ao ver personagens e paisagens do Estado. Essa proximidade pode despertar o interesse para ouvir, conversar e compartilhar opiniões sobre a valorização da vida. O audiovisual tem um papel importante nesse diálogo, e nos deixa muito satisfeitos de poder contribuir com esse esforço coletivo”, relata o cineasta.
A construção de “Cavalo Marinho” exigiu atenção especial por abordar questões relacionadas à infância, ao luto, à adoção e à perda. Para evitar uma narrativa excessivamente pesada, a equipe escolheu trabalhar com sutileza, utilizando silêncios, expressões e situações cotidianas para conduzir o público pela história. A proposta é mostrar que, mesmo após uma experiência dolorosa, também existem espaço para afeto, alegria, recomeços e reconstrução dos vínculos.
“Não queríamos transformar o filme em algo carregado de tristeza ou que pudesse traumatizar crianças e provocar gatilhos em pessoas mais sensíveis. Escolhemos a sutileza, o que não é dito e os olhares para falar sobre recomeço, resistência e recuperação. A ideia é mostrar pessoas que se unem diante da dor e conseguem atravessá-la com respeito e delicadeza, porque a vida é muito preciosa”, detalha.