Três maiores companhias aéreas da China acumulam prejuízo de US$ 1,2 bilhão com alta do combustível
Fonte: airway.com.br | Data: 31/08/2026 19:59:08
As três maiores companhias aéreas da China registraram prejuízo combinado de aproximadamente 8,2 bilhões de yuans (US$ 1,22 bilhão) no primeiro semestre de 2026, após o forte aumento dos custos de combustível anular os benefícios do crescimento da receita internacional e da melhora anterior na demanda por passagens.
A estatal Air China reportou prejuízo líquido de 2,3 bilhões de yuans (US$ 342 milhões), enquanto a China Eastern Airlines teve perda de 2,2 bilhões de yuans (US$ 327 milhões). A China Southern Airlines apresentou o maior prejuízo entre as três, de 3,7 bilhões de yuans (US$ 550 milhões).
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Os resultados representam uma reversão acentuada em relação ao primeiro trimestre, quando as três companhias haviam registrado lucro combinado de 4,82 bilhões de yuans, impulsionadas pela forte demanda de viagens durante o Ano Novo Lunar.
O combustível foi um dos principais fatores para o agravamento dos resultados no segundo trimestre. As despesas com combustível das três companhias aumentaram entre 35% e 38% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período de 2025, refletindo a alta do preço do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio.

As empresas chinesas são especialmente vulneráveis à variação do preço do combustível porque atualmente não fazem hedge para suas necessidades, ficando menos protegidas contra aumentos repentinos no valor do petróleo.
As operações internacionais tiveram desempenho melhor que o mercado doméstico. A receita com voos internacionais cresceu, com destaque para as rotas europeias, beneficiadas pela maior demanda.
As operações domésticas continuaram pressionadas pela fraqueza da economia chinesa e pela concorrência da extensa malha ferroviária de alta velocidade do país. Esse fator é especialmente relevante em rotas de curta e média distância, onde companhias aéreas e trens disputam diretamente os passageiros.

A Air China informou nesta segunda-feira que suas rotas internacionais tiveram desempenho superior ao dos voos domésticos durante o período de viagens de verão, embora o resultado geral tenha ficado abaixo do esperado. A companhia planeja aumentar frequências para Europa e América do Norte no segundo semestre de 2026.
As três companhias também enfrentaram impactos de uma temporada de tufões especialmente ativa. O tráfego de passageiros em julho e agosto caiu 3,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
Prejuízos persistem apesar da recuperação pós-pandemia
O resultado do primeiro semestre mostra que Air China, China Eastern e China Southern seguem sem conseguir alcançar lucratividade sustentável, mesmo com a recuperação da aviação chinesa após a pandemia de Covid-19.
As três empresas já acumulam sete anos consecutivos de prejuízo, período que começou com os efeitos severos das restrições prolongadas às viagens na China e, mais recentemente, tem sido impactado pelo crescimento econômico doméstico mais lento e custos operacionais voláteis.

O HSBC agora projeta que as três companhias acumularão prejuízo combinado de 16,8 bilhões de yuans (US$ 2,5 bilhões) em 2026, revertendo expectativas anteriores de retorno à lucratividade neste ano.
O ambiente financeiro adverso não impediu as empresas de ampliar suas frotas. Todas são clientes do COMAC C919, fabricado na China, que vem aumentando gradualmente sua presença nas operações domésticas.
A China Eastern, operadora de lançamento do C919, reduziu suas expectativas de entregas do modelo este ano, sinalizando que a expansão do jato de fabricação nacional segue mais lenta do que o planejado originalmente.