ONS identifica gargalos para geração no Nordeste e novas cargas em São Paulo na Pnast – MegaWhat
Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 01/09/2026 07:29:32

Os pedidos de acesso de geradores a pontos da rede no Nordeste com capacidade remanescente nula para 2031 somam quase 9 GW. Em São Paulo, o gargalo aparece na conexão de consumidores: 1,95 GW em solicitações estão associados a um conjunto de pontos sujeito a um limite conjunto de 650 MW, considerando obras previstas na transmissão.
Os números constam da nota técnica de capacidade remanescente divulgada nesta segunda-feira, 31 de agosto, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), no âmbito da 1ª Temporada de Acesso de 2026 da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast). O documento compara os montantes de uso da transmissão cadastrados pelos agentes com a capacidade disponível nos respectivos barramentos, subáreas e áreas do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A Pnast estabeleceu temporadas periódicas para pedidos de acesso permanente à Rede Básica e de aumento do Montante de Uso do Sistema de Transmissão (Must). Nos pontos em que os montantes solicitados superam a capacidade disponível, está prevista a realização de processo competitivo.
Na etapa inicial da primeira temporada, o ONS recebeu 404 cadastramentos e admitiu 367, ou 90,8% do total.
Foram 288 pedidos de empreendimentos de geração e 79 de unidades consumidoras, que somavam 20,31 GW, dos quais 14,56 GW de geração e 5,74 GW de consumo. Naquele momento, a relação divulgada pelo operador identificava apenas os protocolos e o tipo de empreendimento, sem informar agentes, projetos ou pontos de conexão.
A nota de capacidade remanescente avança sobre essa etapa ao identificar quanto dos montantes cadastrados pode ser acomodado nos pontos escolhidos pelos agentes. A indicação de disputa ainda é preliminar: segundo o ONS, a necessidade efetiva de processo competitivo será definida após a habilitação dos cadastramentos, considerando desistências, inabilitações e manifestações posteriores.
Para 2031, os pedidos de geração nos pontos do Nordeste em que o ONS calculou capacidade remanescente igual a zero somam cerca de 8,6 GW.
Na Bahia, estão nessa situação pedidos em Ourolândia II, Correntina, Sol do Sertão, Gentio do Ouro II, Campo Formoso II, Campo Formoso II–Barra II, Brumado II e Ibicoara. Os montantes cadastrados nesses pontos chegam a cerca de 4,7 GW em 2031. Há ainda 300 MW em Itabaiana, em Sergipe.
A capacidade também foi considerada nula em pontos com solicitações na Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, incluindo Santa Luzia, Luiz Gonzaga, Curral Novo do Piauí II, Queimada Nova II, Parnaíba III, São João do Piauí, Ceará-Mirim II, João Câmara III e Touros.
Segundo o ONS, a principal limitação para novos acessos de geração no Nordeste está nos limites de exportação da própria região e de exportação conjunta das regiões Norte e Nordeste, chamados de ExpNE e ExpNNE. Nos cenários em que a entrada de nova geração aumentaria os fluxos em corredores já esgotados, a metodologia considera nula a capacidade remanescente do ponto de conexão.
As restrições aparecem principalmente nos cenários diurnos. O operador aponta que a produção simultânea de eólicas, solares centralizadas, micro e minigeração distribuída (MMGD) e outras fontes aumenta os excedentes da região e os fluxos em direção ao Sudeste e Centro-Oeste. A conexão de novos projetos, nessas condições, exigiria restrições adicionais à geração existente ou já contratada.
O ONS também não considerou os cortes de geração já observados no sistema como margem disponível para novos acessos. Segundo a nota, utilizar previamente o curtailment para liberar capacidade significaria permitir novas conexões sem ampliar a capacidade de escoamento, com aumento ou redistribuição das restrições impostas aos demais geradores.
A conclusão de capacidade nula não se aplica diretamente às usinas vencedoras dos Leilões de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026. Esses projetos foram avaliados em cenários específicos, considerando que sua operação está associada ao atendimento à ponta do sistema, predominantemente no período noturno.
Cargas em São Paulo disputam rede
Em São Paulo, os principais limites identificados na temporada estão associados aos pedidos de consumidores.
Para 2029, diversos pontos cadastrados apresentam capacidade remanescente zero na configuração de referência analisada pelo ONS, entre eles Cabreúva, Cubatão, Edgard de Souza, Anhanguera, Campinas, Sumaré e Ibiúna. As restrições incluem sobrecargas em linhas e transformadores e violações de limites de tensão.
O operador calculou também um cenário a partir de 2029, que incorpora instalações de transmissão previstas no horizonte de planejamento. Nesse cenário, parte da capacidade é liberada, mas permanece um limite conjunto de 650 MW para 13 pontos de conexão: Cabreúva, Cubatão, Edgard de Souza, Anhanguera, Campinas em 345 kV e 500 kV, Bom Jardim–Fernão Dias, Sumaré, Solvay, Gerdau, Replan, Araraquara e Ibiúna.
Os pedidos cadastrados nesses pontos somam 1,95 GW para 2029. Os maiores volumes são de Sumaré, com 346 MW; Ibiúna, com 288 MW; Campinas em 500 kV, com 280 MW; Replan, com 273 MW; Campinas em 345 kV, com 180 MW; Araraquara, com 150 MW; e Cabreúva, com 144 MW.
Dentro desse grupo, há ainda uma restrição mais localizada. Dez dos pontos estão sujeitos a um limite conjunto de 290 MW, enquanto os pedidos associados a eles somam 1,34 GW.
Os limites de 650 MW e 290 MW não correspondem à soma das capacidades individuais dos barramentos. A avaliação do ONS considera simultaneamente restrições no ponto de conexão, na subárea e na área do SIN. Em determinados barramentos, a análise foi encerrada ao atingir integralmente o montante solicitado, sem identificar violação. Ainda assim, o conjunto dos acessos permanece sujeito aos limites sistêmicos.
Capacidade em disputa na Pnast pode mudar
Os cálculos desta primeira temporada ainda incluem empreendimentos de geração que pediram rescisão amigável de seus contratos de uso da transmissão, no chamado “dia do perdão 2”. O ONS recebeu 223 solicitações de adesão ao mecanismo excepcional criado para projetos com Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (Cust) celebrado que não iniciaram as obras ou não entraram em operação comercial.
Como os contratos continuam vigentes até a conclusão da análise pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), esses projetos foram mantidos nas simulações. A eventual capacidade liberada com o cancelamento dos Cust será considerada nas próximas temporadas.
No caso do Nordeste, o ONS afirma que a condição de capacidade nula não deve ser considerada permanente. A entrada de novas cargas, a retirada de projetos com Cust, a implantação de armazenamento e a expansão da transmissão poderão alterar a capacidade disponível. Uma nova avaliação está prevista para a próxima Temporada de Acesso, no primeiro semestre de 2027.
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